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Architects – All Our Gods Have Abandoned Us

Os Architects encontravam-se numa encruzilhada em 2014, após editarem o melhor disco da sua carreira, Lost Together//Lost Forever, que não só veio revitalizar o Metalcore, como se tornou num disco essencial do movimento e do Metal em geral e os colocou no trono após a saída dos Bring Me The Horizon para paisagens mais próximas do Nu Metal e dos Linkin Park.

À semelhança do que aconteceu com o brilhante Hollow Crown, de 2009, as expectativas para o sucessor do último álbum dos ingleses era grande, ainda para mais porque nesse caso The Here and Now, que assentava num maior apelo comercial e quase Pop não agradou aos fãs, embora não seja nada de se deitar fora, antes pelo contrário.

Mas Sam Carter e companhia pegaram em toda a tensão e incertezas que assolam o mundo actualmente e deixaram-se contagiar por elas, entregando assim o disco mais zangado da carreira dos Architects, onde não há qualquer preocupação em suavizar arestas para tornar o CD mais acessível, antes um cuidado em não estagnar a raiva em Metalcore convencional, misturando-o com influências de electrónica no que resulta um disco muito pesado, mas multifacetado e notavelmente catchy para a agressividade que encerra.

Para quem adorou os vocais clean de Carter nos últimos discos da banda, que se desengane, porque All Our Gods Have Abandoned Us é feito de gritos (e não menos impressionante por isso, continuando a servir de montra para um vocalista com um dos registos vocais mais assinaláveis do Metal actual), desde a primeira faixa atingindo-nos como um murro na cara, na incendiária “Nihilist”.

Assente num Metalcore de contornos Mathcore (os riffs com toques de Djent e as mudanças de tempo não enganam, algures entre uns Meshuggah e uns Dillinger Escape Plan), é notável a capacidade para os britânicos ainda assim serem capazes de injectar vida num disco essencialmente melancólico e pesadão, com refrões infecciosos e que deixarão marca, sobretudo ao vivo, onde se adivinham multidões a gritar em uníssono “Now I know you know that we’ve been living a lie” na tremenda “Deathwish” ou  mais notavelmente “All love is lost, so carry the cross/’Cause there’s no human in us left/We are music made for the deaf” na negra “All Love is Lost”.

Sempre com um discurso marcadamente político, as letras de Sam Carter criam impacto pela sua urgência, ainda para mais quando acompanhadas por sintetizadores a lembrar Sempiternal dos Bring Me The Horizon ou Enter Shikari, acrescentando negrume e envolvência a riffs que de outra forma poderiam ser genéricos demais, como na melancólica “The Empty Hourglass” (“EVERY MOMENT IS DEAD TO ME”) ou na genial “Memento Mori”, a fechar o disco em toda a grandiosidade experimental dos Architects, simultaneamente a sua música mais variada, experimental e mais bem conseguida (e para matar saudades dos cleans de Sam Carter).

Há alguns momentos mais próximos do que os Architects nos vêm habituando, sendo que o mais claro será talvez o single “Gone With The Wind”, música convencional para a identidade da banda que ainda assim conquista, ao contrário da desinspirada “Downfall”, deixando ainda espaço para a experimentação nos riffs “à Pantera” da brutal “A Match Made in Heaven” que nos lembra de forma sádica o quão bom é ouvir os gritos de Carter.

Desta forma, a fasquia estava alta para os Architects, mas eles não só a cumpriram, como subverteram as expectativas de todos ao rejeitarem a massificação do seu som e ao entregarem um disco repleto de angústia e fúria, sem comprometerem a variedade do mesmo graças à inclusão de elementos electrónicos em abundância; o resultado? O melhor CD da carreira da banda.

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