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Biffy Clyro – Ellipsis

Os Biffy Clyro funcionam por trilogias. Depois dos primeiros três albuns que acenavam ao Post-Hardcore e os tornaram num fenómeno de culto no Reino Unido, chegou a segunda trilogia iniciada por Puzzle há 10 anos que os tornou num fenómeno gigante na sua terra-natal e num caso a manter debaixo de olho pela Europa restante.

Only Revolutions, com o seu espírito Punk a inflamar a típica fórmula de Rock de estádio veio causar ainda mais mossa e o último Opposites, de 2013, disco duplo repleto de ambição, confirmou-os definitivamente como uma das bandas de maior sucesso e originalidade do século XXI.

Concluída a segunda trilogia (e já sem vestígios da atitude pesada dos primeiros tempos), havia muita curiosidade para saber o que os escoceses iam fazer a seguir e a verdade é que o trio voltou a baralhar-nos as voltas, ao entregar o seu disco mais próximo do Pop Rock de rádio de sempre, deixando-nos adivinhar qual o rumo que vai tomar no terceiro capítulo da sua História.

Com muitas influências electrónicas, Ellipsis dispara em todas as direcções e, se nem sempre acerta em cheio, pelo menos ideias não faltam aqui, bem como talento de sobra que cada vez mais nos assegura que os Biffy Clyro não são capazes de escrever uma canção.

“Wolves of Winter”, primeiro single que abre o disco, revela a banda no seu lado mais esquizofrénico, numa faixa maior que a vida que intercala momentos de peso e tempos estranhos quase reminiscentes de Mathcore, para depois enveredar pelo dramatismo de uns Muse, numa viagem alucinante que a assinala logo como dos melhores momentos do CD.

No entanto, a weirdness patente no primeiro tema (e reflectida por um Simon Neil espantado a gritar ‘record that?!’) não espelha o disco restante que, mesmo mostrando um lado diferente da banda, é sem dúvida o registo mais convencional e amigável já editado por eles.

Há momentos em que os Biffy soam iguais a si mesmos, como na enérgica “Animal Style” ou em “Flammable”, que não soará estranha a fãs de “Who’s Got a Match” ou “Born On a Horse”, mas em geral Ellipsis aposta em Pop Rock tradicional regado a baladas e, infelizmente, a banalidade por vezes (para quem já escreveu baladas brilhantes como “God and Satan” ou “Opposite”, para não falar de “Machines”, é difícil engolir momentos insípidos como “Medicine”, acompanhada a violinos num mar de clichés ou a doçura enjoativa de “Re-arrange”).

Isto não significa que a Pop da banda falhe, como se pode ver pela fantástica “Friends and Enemies” a trazer à memória também a transformação recente dos Paramore, só torna difícil aceitar que num disco onde o equilíbrio entre agressividade e melodia está tão bem representado em faixas como a visceral “On a Bang”, muitas vezes a banda opte pela rota da Pop Rock moderna de riffs fáceis e de rápida digestão, resultando em faixas simpáticas mas facilmente olvidáveis como as banais “Herex” ou “Howl”.

Assinalando a terceira trilogia para os Biffy Clyro numa altura em que estes são das maiores bandas europeias, Ellipsis entra sem medo por território Pop e, se a verdade é que nunca falha completamente, não é tão memorável como os registos anteriores da banda, estando recheado de baladas e Rock de estádio de consumo fácil e deixando para trás a estranheza que a banda fazia tão bem.