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Every Time I Die – Low Teens

Os Every Time I Die (ETID) tornaram-se num fenómeno único no mundo do Metalcore, partindo de um registo algo genérico para, misturando o peso metaleiro com a velocidade furiosa do Hardcore Punk e retoques de Rock sulista, arrancarem para uma carreira irrepreensível desde Gutter Phenomenon, o brilhante terceiro álbum já do longíquo ano de 2005.

Agora, ao oitavo disco, a banda de Nova Iorque, munidos de um novo baixista e baterista, entregam aquele que é o seu álbum mais intenso de sempre, encoberto de negrume pelas temáticas que envolve. Normalmente uma banda que evoca mensagens pessoais repletas de sarcasmo (ou não tivesse sido o vocalista e letrista Keith Buckley professor de Inglês e devoto aprendiz dos Mestres da Literatura clássica), os músicos usaram os instrumentos como escape quando uma quase-tragédia se abateu sobre a banda.

Após complicações no parto, Buckley quase perdeu a sua mulher e filha recém-nascida num tormento que durou semanas e se tornou no motor de Low Teens. Felizmente, a família recuperou, mas o CD ficou na mesma marcado pelos eventos que lhe toaram um negrume e seriedade pouco habituais, mas que resultam muito bem com a agressividade marcadamente Punk dos músicos e as letras introspectivas e cultas de Buckley.

Não é que não existam momentos de maior descompressão e gozo, como a curta mas divertida “I Didn’t Want To Join Your Stupid Cult Anyway” (previsível crítica aguçada à religião organizada) ou na nostalgia explosiva da viciante “Awful Lot”, mas a melancolia pessimista e raiva pura marcam o passo do disco, visíveis na emocional “C++ (Love Will Get You Killed)” e sobretudo na intensa “Petal”, com Buckley a assinar uma das suas letras mais assombrosas (“I’d better warm up my gun/In case love is not enough“).

As colaborações continuam a ser regra nos álbuns dos ETID, sendo que a inicial “Fear and Trembling” conta com a participação de Tim Singer, dos Kiss It Goodbye naquele que é o momento mais Metaleiro do disco, mas que não consegue rivalizar com o autêntico tributo ao Rock Sulista que é “It Remembers”, com Brendon Urie dos Panic at the Disco, de riffs enormes e envolvência de Velho Oeste (e harmonias vocais excelentes, com Urie a mostrar uma bem-vinda ‘costela’ rockeira que não lhe conhecíamos).

É aliás quando a banda se deixa envolver pelas suas influências country que resultam momentos mais interessantes e que escapam do Harcore Punk que os rotula, como na contagiante “Two Summers”, enquanto que entregues ao peso puro tanto resulta em faixas brutalmente bem conseguidas (os singles “Glitches” e “The Coin Has a Say” são tremendas descargas de energia), ou então genéricas e familiares (não há nada de novo ou apelativo em “Just As Real But Not As Brightly Lit” que a banda não nos tenha dado já e mais fresco).

O melhor está guardado para o fim, no entanto, com “Map Change” a mostrar todo o alcance da banda, indo desde o mais sensível ao mais furioso sem perder um segundo com banalismos, mostrando ainda Buckley no seu mais vulnerável (“I’ve weighed down the Earth/No use trying to save it”) e mais zangado (“I assure you that Hell is not a myth/We both vacation there“), resultando naquela que é talvez a melhor música de todos os tempos dos ETID.

Desta forma, Low Teens continua a mostrar a excelente forma desta banda, sendo mais do que um disco sólido, revelando em vez disso um lado mais sério do grupo e acompanhando-o com uma raiva e explosão ainda mais notáveis que o habitual, naquela que é a experiência mais intensa da carreira dos músicos e um álbum marcante no movimento Punk.

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