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Explosions In The Sky – The Wilderness

Desde o último álbum, Take Care, Take Care, Take Care, já do longíquo ano de 2011, que os Explosions In The Sky (EITS) têm andado tudo menos parados. Depois de terem ajudado a popularizar o movimento do Post-Rock com o que se tornariam inicialmente imagens de marca e depois, nos piores casos, clichés do género, como os crescendos longos e repletos de efeitos e texturas atmosféricas, desembocando em ganchos de distorção climática, os americanos popularizaram o seu som fora da indústria, dando vida a banda-sonoras de filmes, séries e anúncios que vieram também eles estereotipar a cultura de cinema alternativo.

Foi no rescaldo desses esforços mais recentes que The Wilderness surge, mostrando um grupo mais contido (as músicas são as mais curtas da carreira da banda) ainda que não directo, envolvendo-se em electrónicas e rejeitando a cultura fácil do Post-Rock apoteótico que vai andando caquético hoje em dia e trocando-a por paisagens sonoras que trazem filmes à memória, embora com problemas de envolvência.

A verdade é que, embora haja alguns momentos muito bem conseguidos e que beneficiam desta abordagem mais frontal da banda (o single “Disintegration Anxiety” é sem dúvida o caso mais claro), ‘música de filme’ resulta melhor com imagens ou acção a acompanhar e o que encontramos na grande maioria deste disco são faixas que soam a background de um clássico de culto do cinema indie, mas que por si só mesmo em curta duração não convencem. Aborrecem, até, na verdade (os 3 minutos e tal de “Losing The Light” custam muito a passar).

É verdade que há alturas em que os EITS nos conquistam, basta ver a bateria frenética de “Infinite Orbit” ou os teclados certeiros de “Tangle Formations”, mas o que fica em geral é uma sensação de banalidade, em que a banda pareceu querer fugir tanto aos clichés do Post-Rock que, em vez de incendiários, parecem ter afogado os rastilhos de vez, seja através da monotonamente ominosa “Logic of a Dream” ou da navegação lenta da final “Landing Cliffs”, que embora emotiva implorava por uma explosão certeira que nunca vem.

 Desta forma, The Wilderness pode marcar um novo percurso para a banda americana que em jeito de brincadeira disse que queria este som usado em ‘anúncios de desporto’, sendo este trilho um pavimentado por minimalismos e catarses a lume brando, algo que, embora não seja de desprezar por si só, aqui resulta num álbum maioritariamente insípido e cinematográfico, mas sem imagens a acompanhar.