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Garbage – Strange Little Birds

Depois do primeiro álbum pós-hiato, Not Your Kind of People de 2012, ter marcado um regresso competente dos Garbage, mas sem a mesma chama de outrora, chega Strange Little Birds quatro anos depois para tentar recapturar a energia única do grupo.

Se o disco anterior tinha sido considerado um passo decisivo numa direcção mais ‘optimista’, a vocalista Shirley Manson caracterizou o novo disco com uma palavra apenas: escuridão, remetendo o som para o marcante primeiro CD da banda, o homónimo de 1995.

O primeiro single a sair de Strange Little Birds, “Empty”, captura efectivamente a essência da banda, injectando-lhe ao mesmo tempo nova energia com o seu riff gingão e uma Shirley Manson que nunca desaponta; o segundo, “Magnetized”, mais perto da fórmula tradicional do Rock Industrial e da melancolia que os Garbage nos habituaram em “I’m Only Happy When It Rains” (ou não abrisse Manson com “I’m not in love” repetidamente), é uma música feita para dançar, mas de cabeça baixa, de contornos electrónicos que apostam mais na catarse que na euforia, resultando numa faixa triunfante que combina perfeitamente com a nova vida da banda.

Como prometido, negrume e sombras são o que mais marcam o álbum, ora acertando em cheio como em “Night Drive Loneliness” que usa chuva como banda-sonora (haveria algo mais adequado?) e nos mostra o lado mais Marilyn Manson dos Garbage, bem como na sensual “Even Though Our Love is Doomed”, ora indo ao lado, como na inicial “Sometimes” que nunca traz o clímax prometido, ou a puramente banal “If I Lost You”.

Apoiados na produção limpa de Butch Vig, que não só traz poder aos instrumentos como faz o ruído Industrial soar harmonioso, até nos seus momentos mais extrovertidos os Garbage parecem forçar o sorriso e reprimir a tristeza, trazendo uma fornada de músicas para a pista de dança dos introvertidos que contagia na maravilhosa “So We Can Stay Alive”, mas também aborrece como na genérica “Blackout”.

Assim sendo, os Garbage trazem-nos um novo álbum com uma fornada de canções coesas que se juntam na perfeição ao seu catálogo de impôr respeito, mas pouco de novo acontece aqui e, se há muita energia e vontade palpáveis, são por vezes empregues em esforços genéricos que fazem deste disco um sopro de vida gentil e não com o vigor que se esperava de uma banda outrora irrepreensível.