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Jimmy Eat World – Integrity Blues

Com uma carreira consolidada já há 20 anos, os Jimmy Eat World (JEW) foram uma das bandas responsáveis pela aclamação do Pop Punk de travo Emo que tomou o mundo de assalto no início da década passada. Em Bleed American, de 2001 e o seu sucessor Futures, de 2004, a banda assinou dois clássicos da melancolia adolescente que continuam hoje essenciais para descobrir o movimento alternativo dos anos 00. No entanto, desde aí perderam o fôlego, enveredando por um Pop Rock amigo das rádios cada vez mais pálido e sem chama, capaz de lançar aquele par de singles para as rádios universitárias darem nos seus bailes e pouco mais.

Em Integrity Blues, nono esforço de estúdio para o conjunto americano, a palavra de ordem continua a ser Pop: raramente se ouve distorção nas guitarras, os baixos estão carregados de fuzz e há teclados e acústicas folky um pouco por todo o lado, além de haver uma produção límpida que mais parece adequar-se a um disco dos Coldplay do que de uma banda de Rock.

Tudo isto poderia tornar a experiência demasiado plástica e artificial, mas basta ouvirmos a sinceridade assim que Jim Adkins se aproxima do microfone e não só esquecemos esses temores como regressamos 10 anos atrás na máquina do tempo escondida atrás dos auscultadores, em que desamores juvenis e sonhos maiores que a vida eram palavras de ordem.

A verdade é que os JEW podem ter perdido o seu fogo Punk (a maturidade da banda também quase que os obrigava a isso), mas não perderam no entanto a sua urgência sob a forma do desgosto que impregna a voz de Adkins, seja na balada dançante que é a bela “It Matters” (“I think about us dancing/But it’s not something we do“) ou na abertamente rockeira “Get Right”, dos momentos mais directos e bem conseguidos do disco que nos traz de volta às raízes da banda (“I’m destination addicted/Just gotta be someplace else“).

Claro que esta urgência acaba muitas vezes por se traduzir em faixas pseudo-acústicas que assentariam como uma luva em qualquer comédia romântica americana de background universitário, podendo (esquecendo as letras quase constrangedoras, “You With Me” tem dos melhores refrões dos JEW em anos e “Sure and Certain” mostra um crescendo invejável que a eleva da mediania de três acordes em que se sustenta a maior parte do tempo) ou não (“You Are Free” é do mais banal que podia haver e a faixa-título nunca descola do seu lume brando monótono) demonstrar mais substância além disso.

É ainda refrescante ver a banda com vontade de experimentar com a sua sonoridade, seja pela linha de baixo reminiscente dos Muse que pauta a gingona “Pretty Grids” ou pelo final quase Sabbathiano” que encerra a excelente “Pass The Baby”, embora os músicos continuem a soar iguais a si mesmos em novos hinos para uma nova geração de adolescentes incompreendidos como na viciante “Through” ou na lindíssima “Pol Roger”, que encerra o álbum de forma emocional e contida (“Love don’t come to you/It just was there always“).

Desta forma, Integrity Blues marca não só o melhor disco dos JEW desde Futures, como é ainda um passo decisivo na consolidação da sua nova sonoridade próxima da Pop, mas com substância e capacidade de mostrar aos adolescentes alienados que Jim Adkins estará sempre cá para os compreender.