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Red Hot Chili Peppers – The Getaway

Já passaram quase 10 anos (foi em 2007) desde que John Frusciante saiu da sua banda de sempre, dando lugar ao seu discípulo e companheiro nos Ataxia Josh Klinghoffer, mas os fãs parecem ainda não ter esquecido esse facto. Não ajudou decerto o desinspirado esforço que foi I’m With You, de 2011, em que o novo guitarrista dos Red Hot Chili Peppers (RHCP) tentava emular o génio do seu antecessor e acabava por desenrolar apenas melodias pálidas das quais não rezará a História.

Agora, volvidos 5 anos, o novo disco chega e Klinghoffer afirma já ter encontrado o seu som numa banda que, passados 30 anos, ameaçava tornar-se numa paródia de si própria desde a saída de “Frusch” com o magnífico Stadium Arcadium.

De nada adiantam comparações entre os dois músicos, pois os estilos são diferentes, embora provenientes da mesma escola; Frusciante é claramente mais viril e apegado ao Funk, enquanto que Klinghoffer prima pela melancolia e sensibilidade que pouco têm a ver com solos exuberantes e muito mais com linhas melódicas que encaixem no fundo de uma canção.

Isto reflecte-se perfeitamente em The Getaway, em que o guitarrista tem mais destaque do que no disco anterior, mas sem nunca se pôr na posição da frente, antes focando mais em si a ‘espinha’ das músicas em vez de nas linhas de baixo de Flea (que continua como sempre em grande forma, embora seja impossível não lhe notar algum cansaço e desinspiração na hora de trazer o baixo à vanguarda).

Isto reflecte-se no riff da belíssima “The Longest Wave” que se assume como uma “Under The Bridge” para uma nova geração, ou no pseudo-Punk que força os RHCP a experimentarem as suas peles de The Who na agressiva “This Ticonderoga”, que primeiro se estranha pelo pulso e peso, mas depois se entranha pela originalidade.

Que fiquem descansados no entanto os fãs de sempre da banda, pois há as já “da praxe” menções ao estado da Califórnia, há os vocais de apoio etéreos (agora prestados por um afeminado Klinghoffer) em harmonia com o semi-rap de um Kiedis igual a si próprio e há linhas de baixo suficientes para encher horas de vídeos no Youtube, numa banda que, sem estagnar, sabe manter-se fiel à sua imagem, patente no Rock Alternativo com sabor a Californication do excelente single “Dark Necessities” ou, recuando mais um pouco, ao poder do Funk Rock de Mother’s Milk (já muito ocasional) da brilhante “Sick Love”, melhor momento do disco que conta com um mini-solo genial de Klinghoffer, mostrando a sua faceta de David Gilmour em que cada nota conta e bem.

Em I’m With You houve um desvio da fórmula para territórios mais próximos da Pop Rock (um dos motivos por que o álbum soube a gasto ao fim de umas semanas e não envelheceu como devia, apesar de alguns bons momentos) e essa tendência ainda se mantém em The Getaway, seja em melodias repletas de “ganchos” que prometem ficar na cabeça por meses, como na faixa-título ou na emotividade baladeira de “Encore”, seja no Rock FM de desgaste rápido de momentos insípidos como “We Turn Red” ou “Detroit”.

Ainda por aprimorar o esforço da banda em incluir piano ao seu reportório (“The Hunter” e “Death of a Samurai” expõem um pouco visto e muito bem-vindo lado mais frágil da banda, mas continuam a soar longas demais), há no entanto novas ideias que mostram que a relevância dos RHCP ainda não desvaneceu (como ameaçava o álbum anterior…) e, agora que Klinghoffer soa mais entrosado na banda, não há motivos nenhuns para pensar que a recta será outra coisa que não ascendente.

Por enquanto The Getaway é acima de razoável, mas fica-se por aí. Aguardemos pelo próximo e, até lá, “Goodbye Angels” ficará a rodar para sempre na aparelhagem.

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