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Saosin – Along the Shadow

Em tempos uma das maiores promessas do (então) florescente movimento do Post-Hardcore, os Saosin têm desde então vindo a tentar chegar às expectativas que lhes eram delineadas, sem sucesso até este Along the Shadow.

Depois de um flamejante EP de estreia em 2003, Translating the Name, o vocalista Anthony Green abandonou o barco descontente com o rumo que a banda estava a tomar ideologicamente para se inserir na indústria e formou os Circa Survive, uma das bandas mais impressionantes do Rock alternativo actual.

Para o substituir chegou Cove Reber, cujo estilo empurrou os californianos para o recinto do Neo-Emo de contornos trágicos e dramáticos, resultando em dois álbuns razoáveis, mas dos quais não haverá memória no futuro, culminando na saída do vocalista e no regresso de Green pelo regresso da banda às suas raízes independentes, protagonizando um dos movimentos mais bem recebidos do meio alternativo e gerando muita expectativa para o novo álbum, 7 anos depois do mediano In Search of Solid Ground.

Como de resto não será surpresa para ninguém, o novo Along The Shadow vem romper com as explorações dos Saosin até aqui e age como a desejada sequela de Translating the Name, transportando-nos para meados dos anos 00 e para um Post-Hardcore que soa familiar, mas nunca cansado, beneficiando ainda da maturidade e experiência que Green já acumulou depois de mais de uma década nos Circa Survive.

As músicas lançadas como single previamente já deixavam adivinhar um estilo algures entre o Rock Alternativo e o Post-Hardcore, beneficiando dos vocais característicos de Green (abrindo logo com a arrojada “The Silver String” e relembrando o nosso lado sádico de como é bom ouvi-lo gritar) e de instrumentais profundamente inspirados que ora roçam o Metal na pesadona “Racing Towards a Red Light” ou um rock alternativo de ecos etéreos e refrões pegajosos na excelente “Control and the Urge to Pray”.

Mas este álbum é muito mais que os seus singles e é uma verdadeira montra de poderio técnico e intensidade, pegando em riffs viciantes como em “Count back from ten” aliados a uma percussão invejável (Alex Rodriguez em forma impressionante) ou em faixas antémicas que se encaixariam perfeitamente nos maiores estádios (veja-se a grandiosidade do refrão de “Sore Distress”) e transformando-os em verdadeiros monumentos do Post-Hardcore que não só piscam o olho à outra banda de Green, como a At The Drive-In pelo ecletismo e a Isis ou a Deftones nos arranjos ambientais a intercalar com peso sem misericórdia (havendo ainda espaço para uma homenagem ao Hardcore de uns Minor Threat ou Bad Brains na acelerada “The Secret Meaning of Freedom”).

No entanto, a encarnação anterior dos Saosin também faz as suas aparições no CD, protagonizando inevitavelmente os minutos mais banais do disco quando puxa para o seu lado o Emo genérico em “Second Guesses” que parece uma música rejeitada pelos Paramore ou na monotonia pseudo-Circa encetada em “The Stutter Says a Lot” que destoam por completo da garra presente no restante disco.

Assim sendo, mesmo com falhas (e particularmente sem grande talento para faixas mais lentas), os Saosin editam aquele que se sente como o disco mais próximo do que devia ter sucedido ao EP de 2003, mostrando uma revitalização da banda e da sua sonoridade muito por culpa pelo regresso de Green à banda, injectando-lhe nova vida e um rumo que queremos continuar a acompanhar.