The Dillinger Escape Plan – Dissociation

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Dissociation é um disco de sabor agridoce para nós; se por um lado um novo álbum dos The Dillinger Escape Plan (DEP) é sempre motivo para festejos, este vem anunciado como o último desta banda muito especial, que diz preferir sair de cena enquanto está em grande forma, numa atitude louvável.

Donos de uma discografia absolutamente irrepreensível, estes nativos de Nova Jérsia puxaram como poucos os limites do Metal, primeiro através de um som técnico e abrasivo que mudou o Mathcore daí para a frente e depois fundindo essa fúria sonora que quase ninguém compreendia com Jazz, Punk e até mesmo Pop para os tornar numa banda tão diversa e imprevísivel que tentar adivinhar a direcção que eles iriam tomar num CD depressa se revelou um esforço inútil e frustrante.

Se o anterior One of Us Is The Killer, de 2013, parecia englobar todas as peles dos DEP e foi aclamado como o seu melhor esforço da carreira, o novo Dissociation tenta ir ainda mais além e não só junta as facetas opostas da banda no seu mais (“Symptom of Terminal Illness” é um exercício de Pop negra que nos traz a sempre presente influência dos Faith No More à mente) e menos (“Manufacturing Discontent” mostra-nos a banda no seu pico de agressividade e promete insultar os fãs que vieram à boleia de “Black Bubblegum”) acessível, como ainda explora novos caminhos.

É impossível não ficar surpreendido quando Dissociation abre com “Limerent Death”, uma faixa que aos primeiros acordes podemos de imediato reconhecer como DEP, entregando uma mensagem para os fãs paralela ao fim da banda que é transversal ao longo do disco (“I gave you everything you wanted/You were everything to me”) e mais uma vez quebrando as convenções e entregando uma faixa familiar, mas não por isso menos poderosa.

Não se pense no entanto que a banda decidiu por isso descansar à sombra do seu som de marca e do que já conseguiu ao longo da carreira, fazendo disto uma espécie de disco de celebração; os músicos cedo usam Dissociation como um veículo para constantemente desafiar e entusiasmar o ouvinte, seja através do transe electrónico de “Fugue” que nos lembra mais Massive Attack do que os padrinhos do Mathcore, do Jazz embebido em Metal Progressivo que é a épica “Low Feels”, digna de uns Between The Buried and Me possuídos por ácidos, ou da estranhamente directa “Nothing To Forget”, ora ocupada por um negrume à Mastodon ora por uma sensibilidade melancólica que nos remete para uns Cure ou Evanescence, servindo de montra aos dotes vocais invejáveis de Greg Puciato, sem em grande forma.

Isto não implica que os restantes membros dos DEP se deixem ficar; Ben Weinman continua a ser uma autêntica máquina, assustador na precisão dos seus riffs e a secção rítmica acompanha cada música como se a sua vida dependesse disso, bastando para isso ouvir-se os altos e baixos de mudanças de tempo constantes de “Honeysuckle” ou “Apologies Not Included”.

Chegamos ao fim e nem um segundo parece ter sido desperdiçado em Dissociation, incluindo na faixa-título final, uma balada sentimental marcada por uma secção de cordas emotiva e um beat claustrofóbico, enquanto ouvimos Puciato declamar sem fim “finding a way to die alone“, soando ominoso e, no entanto, perfeitamente encaixado com o resto de um disco que, sem querer superar-se, surpreende mais uma vez.

Dissociation pode ter o travo amargo de quem termina uma das mais brilhantes carreiras da História da música, mas pelo menos fá-lo em grande estilo, encerrando nele tudo o que poderíamos querer de um disco de DEP, num espectro que vai do mais eclético ao mais melancólico e se assume como momento definitivo do seu percurso brilhante.

The Dillinger Escape Plan – Dissociation

9.8
The Dillinger Escape Plan - Dissociation