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The Kills – Ash & Ice

Desde 2000 que os The Kills vai marcando passo no mundo da música com o seu Indie Rock de contornos ‘garageiros’ que tanto apela à dança como ao pulso firme. Vendo os seus congéneres terminar actividades (White Stripes), ou ir perdendo a inspiração até se tornarem irreconhecíveis (The Strokes), é de louvar o percurso que a dupla tem conseguido manter, com álbuns coerentes e sempre apreciados por crítica e fãs, moldando uma identidade já reconhecível à distância, mas sem complacências à mistura.

Depois de um muito aplaudido Blood Pressures de 2011, em que o guitarrista Jamie Hince teve de re-inventar o seu estilo após um acidente que lhe retirou a utilidade de um dedo, a banda regressa interessada em manter a boa forma no novo Ash & Ice, puxando mais pelo lado sensual e dançarino das suas canções em vez do músculo.

O single e faixa de abertura “Doing It To Death” mostra isso mesmo, com um dos riffs mais infecciosos que ouviremos este ano e a voz sempre sugestiva de uma Alison Mosshart em grande forma (constante durante o disco todo) a marcarem o passo para corpos bem juntos naquele ‘roça-roça’.

Hince mais uma vez parece uma máquina de disparar ‘ganchos’ com a sua guitarra por cima de beats programados, alternando entre simplicidade cativante (como na contagiante “Hard Habit To Break”) e uma técnica que muito deve aos Blues clássicos e que tanto acerta (“Heart of a Dog” tem Mosshart a ajudar em modo extra-sensual) como aborrece (“Bitter Fruit” começa bem, mas cedo se torna demasiado genérica).

Privilegiando a dança ao músculo, isto não significa que os Kills não nos mostrem alguns momentos de maior poder, como a negra “Impossible Tracks” de abertura inesquecível que poderia pautar um qualquer filme neo-noir ou na eclética “Whirling Eye” com o seu crescendo recompensador que fecha o álbum em grande, acentuando ainda mais o pulso firme da dupla quando privilegiando momentos mais calmos.

A maior falha do disco prende-se no entanto quando as músicas abrandam em demasia, sendo que as baladas se deixam tomar por lamechice gratuita e riffs ‘doces’ demais que nos remetem para os anos 80 de muita licra e isqueiros no ar. “Hum For Your Buzz” e “That Love” são de evitar, mas “Days of Why and How” escapa à purga pelo seu minimalismo emocional.

 Assim sendo, os The Kills estão de volta com mais um disco recheado de boas canções em que, embora não se re-inventem, conseguem continuar a entregar riffs marcantes e uma Alison Mosshart igual a si mesma que nem nos permitem pensar na palavra estagnação.