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Warpaint – Heads Up

As Warpaint tomaram o mundo de assalto com a sua estreia The Fool, de 2010, em que mudaram as regras do jogo no Indie Rock, tomaram as rédeas do movimento feminino movido a guitarras e abriram as portas para o minimalismo estético na música delicada se fundir com o pulmão Post-Punk em perfeita harmonia.

Ao segundo disco, o homónimo de 2014, expandiram ainda mais o seu som e pareceram mais empenhadas em deixar a sua garra em prol de um toque mais límpido e sensível (sem nunca chegar a baladeiro) de encanto quase Folk e agora, ao terceiro álbum, as americanas querem conquistar as pistas de dança, mas a palavra de ordem continua a ser a melancolia.

“New Song”, de apelo inegavelmente disco, regada a sintetizadores e de beat irresistível para dar aquele pézinho de dança, fez os fãs mais puristas temer pela substância da banda e surgir os omnipresentes rugidos de ‘vendidas’, embora esta música seja uma hipérbole do amor pelo baile que as Warpaint revelam em Heads Up e, embora não seja de todo uma má música (sendo até um prazer viciante), não é um reflexo do encanto que encontramos no CD.

Empenhadas em abraçar as discotecas, as compositoras revestem-se ainda assim da sua tristeza agridoce que tanto bebe dos Joy Division como dos Garbage ou, se quisermos ir mais longe, até de uns Florence & The Machine nos seus apelos etéreos e dreamy que levam na mesma a bater o pé, como na puramente irresistível “So Good” em que as harmonias vocais das guitarristas Emily Kokal e Theresa Wayman, bem como da baixista Jenny Lee Lindberg nos abraçam de forma ainda mais envolvente do que nos registos anteriores. Cada música sabe quando deixar as outras vozes respirar e isso leva a momentos de pura beleza e harmonia vocal como na lindíssima “Whiteout” ou na vibrantemente Post-Punk faixa-título.

Encontramos ainda um novo amor pela electrónica menos dançante e mais slow tempo que evoca Chet Faker tanto quanto Massive Attack e um flirt com o Trip-Hop na melancolicamente deliciosa “The Stall” ou na “Drakesca” “Don’t Wanna”, perdendo no entanto fôlego no marasmo monótono que é o tributo “Dre”.

Encontramos ainda espaço para a contemplação em Heads Up naquele que é o melhor momento do disco, a vulnerável balada “Today Dear” que encerra o álbum de uma forma tão despida, cujo contraste com o disco restante a faz soar ainda mais emocional e nada desencaixada.

Desta forma, no novo disco, as Warpaint expandiram ainda mais o seu som e conquistaram as pistas de dança, sem no entanto terem de comprometer a sua identidade avidamente pessimista que tanta riqueza entrega às suas músicas, levando ao disco mais completo e definitivo da sua carreira.