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White Lung – Paradise

Os canadianos White Lung são a prova viva que ainda é possível fazer Punk Rock puro e com alma, sem ter de enveredar pelos caminhos sinuosos de um Pop Punk ou Post-Hardcore, onde parece residir a alma do género.

Desde a fúria mal contida nos pouco mais de 20 minutos da estreia It’s the Evil, de 2010, que os músicos de Vancouver têm entregue alguns dos melhores discos de Punk do novo milénio, polindo a sua fórmula com cada CD, mas sem arruinar a essência da sua identidade, patente num alinhamento de luxo em que pura e simplesmente não existem pontos fracos.

No novo disco, Paradise, a mudança é mais radical, há mais sensibilidade e mais momentos antémicos (sem nunca resvalar no entanto para a pele de uns Paramore e muito mais próximos do movimento Riot Grrrl), mas mantém-se a energia de sempre, resultando não só no melhor momento da carreira dos White Lung, como o melhor disco de Punk moderno desde que os Offspring trouxeram ao mundo Americana.

Os singles lançados já davam para adivinhar a diversidade de som que aí vinha, que dividiu imediatamente fãs (prematuramente, acrescente-se, ao ouvir o resultado final), quando num lado tínhamos a impiedosa “Kiss Me When I Bleed”, tão memorável quanto agressiva (com o refrão “I will give birth in a trailer” garantidamente preso na cabeça durante dias) a evocar o Punk old school e no outro havia a balada “Below”, que mostra uma maturidade notável da banda, pese embora alguma repetitividade e “Hungry”, um autêntico hino New Wave com contornos Shoegaze que traz Sonic Youth à memória e nos arriscamos a chamar de melhor momento de Paradise, mesmo face à competição feroz.

A personalidade da banda continua portanto intacta, mesmo com uma troca de baixistas, sendo que Lindsey Troy cumpre bem o dever mas fica inevitavelmente para trás quando temos em conta a grande forma em que se encontra a vocalista Mish Way com os seus vocais carismáticos e de versatilidade aparentemente discreta, mas perante escrutínio mais próximo a revelar-se uma autêntica Courtney Love do século XXI (sim, é um elogio), como podemos ver em momentos mais exigentes como na acelerada faixa-título a encerrar em grande o disco.

Apesar disto, o grande elemento diferenciador dos White Lung continua a ser o guitarrista Kenneth William, cujos riffs sozinhos são o suficiente para distinguir a sua banda de qualquer outro conjunto do Punk, tal não é a personalidade que lhes imprime, bastando para isso ouvir a gingona “Narcoleptic” ou na avassaladora “I Beg You”.

Desta forma, agradando quer a fãs mais hardcore quer a um público mais fã de ganchos melódicos e sensibilidade quase Pop, os canadianos têm em Paradise a sua obra-prima que não só está recheada de hinos que suplantam “Face Down” (até agora o maior êxito da banda), como é uma colecção impressionante e diversificada de canções Punk que tanto funcionam numa cultura de clube, como num grande festival de Verão, numa versatilidade e evolução louváveis que esperemos que só continue a conhecer passos em frente para a melhor banda de Punk Rock actual.