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Tara Perdida [Julho de 2010]

Num país tão conservador como o nosso, como é que vocês como banda, se conseguiram assumir, sendo hoje uma referencia do rock português?
O país ainda é conservador, mas já não tanto como nos anos 80 ou 90 e penso que os Tara Perdida representam um pouco essa mudança de mentalidade e atitude das pessoas. Hoje em dia ainda estás a pagar a factura de quarenta e tal anos de ditadura, que fechou os horizontes aos portugueses, mas aos poucos a sociedade portuguesa vai abrindo os olhos, é uma questão de tempo para nos tornarmos numa sociedade mais liberal.
Nós apanhámos o espírito irreverente e contestatário que se viveu no final da década de 80 princípios de 90 que acabou por nos influenciar nas atitudes que tomámos e na música que ouvíamos e penso que esse espírito é que nos deu força para nunca desistirmos perante as diversas adversidades que enfrentámos e também a vontade constante de nos melhorar-nos como pessoas e como músicos. Se somos uma referência, como tu dizes, é porque a nossa mensagem é entendida e sentida pelas pessoas que gostam da nossa música, pessoas essas cujo apoio incansável a esta banda tem sido fundamental e sem o qual não teríamos chegado até aqui.

Este ano celebram 15 anos de carreira, qual é a avaliação que fazes de todos esses anos passados como banda?
A avaliação é bastante positiva, pois os principais objectivos a que nos propusemos foram atingidos. Foram anos difíceis e de luta mas com muitos dias de pura felicidade. Foi um crescimento lento mas penso que bastante consistente e que nos dá uma base sólida para enfrentarmos o amanhã.

Segundo pudemos apurar, vocês já tocaram “ao lado” de grandes nomes como por exemplo, NOFX ou The Offspring, e ainda os Tara Perdida eram novos, como é que conseguiram ser os “eleitos” para abrir para essas bandas, e chegaram a trocar impressões com elas?
O mérito foi por inteiro para a nossa menager da altura, Dina Krasmann, que foi ultra persistente na tentativa de nos colocar no mesmo palco que as bandas que referiste. Com os NOFX não tivemos muita conversa, mas foram excepcionais quando abriram o seu camarim para as outras bandas do festival (inclusive nós) comerem qualquer coisa quando perceberam que organização não lhes tinha fornecido comida. Com os Offspring, tivemos oportunidade de confraternizar com o vocalista e alguns membros do staff no bar Hard Club, no Porto, após o concerto.

No final de 2004 o vosso baterista, o Kistos abandonou a banda, e segundo sabemos este ano ele voltou. Qual foi o motivo do regresso? E como é que foi ter que “mandar” o Rodrigo embora após seis anos na banda? Ou o Rodrigo saiu por outro motivo?
O Rodrigo saiu por razões relativas à sua vida pessoal, foi uma escolha dele que tivemos de respeitar. Ele é um excelente profissional e foi uma honra e um privilegio ter trabalhado com ele seis anos.
O Kistos foi a escolha óbvia, já nos conhecia, já conhecia a maior parte das musicas estava disponível a 100%. Depois da saída do Rodrigo era urgente começarmos a trabalhar no alinhamento dos concertos agendados e só uma pessoa com as características referidas o poderia fazer atempadamente.

Como disse anteriormente, vocês nasceram num pais muito conservador, mas hoje, já há miúdos de 13/14 anos que vos adoram, achas que isso é um sinal de mudança?
Sim, como te respondi na 1ª Pergunta, as mentalidades demoram tempo a serem transformadas, e são as pessoas que hoje questionam a ordem existente, contestam o mundo de hoje e idealizam um melhor amanhã que farão as alterações de comportamento no futuro.

Falando um pouco mais da banda agora, qual consideras ser o álbum mais completo dos tara, e porquê?
Costumo dizer que todos os álbuns são uma evolução dos anteriores. Quando olhas para um trabalho mais antigo, tens que ver as virtudes e os defeitos do mesmo, reter as virtudes e corrigir os defeitos. Todos os nossos trabalhos são o melhor que conseguimos fazer na altura em que foram feitos tendo em conta os diversos factores aliados à construção de um álbum, como por exemplo tempo, orçamento, condições de gravação, material utilizado etc…
A minha escolha pessoal é o álbum Lambe-botas, somente porque penso que têm a sonorização mais aproximada daquilo que nós pretendemos.

Sabes o porquê do nome Tara Perdida para a banda?
O nome Tara Perdida significa como que um objectivo não alcançado, um sonho não realizado… O Ribas costuma dizer que toda a gente tem uma tara perdida na vida… O nome surgiu ao Ribas uma vez a chegar a casa de uma noitada quando viu um cartaz onde estava inscrito em letras garrafais a palavra TARA.

Já alguma vez pensaram em levar a vossa música para fora do país?
R: Sim, já pensámos, embora o cantarmos em Português seja uma limitação, já pensámos no Brasil, Espanha, mas esse assunto ainda é uma tara perdida para nós…

Vai haver alguma digressão para comemorar os 15 anos da banda?
Fizemos um concerto de comemoração em Lisboa, na sala da Voz do Operário, no passado dia 16 de Abril e também umas t-shirts alusivas à data. Em princípio vai ser só isso, o resto serão os concertos normais, que quem já conhece sabe como são.

As perguntas dos nossos leitores:

Rui leão – Qual a coisa mais caricata que a banda já passou?
Já passámos por várias coisas caricatas, mas uma que costumo contar com frequência, foi da única vez que tocámos no estrangeiro, num festival em França, no dia a seguir ao concerto deixámos os nossos pertences à guarda da organização e fomos dar uma volta pela zona. quando voltámos as nossas malas estavam abertas, mas nada tinha sido roubado, estavam eram as coisas de uns nas malas dos outros. Isto porque um maluco da zona, possivelmente sobre o efeito de drogas pesadas, se entreteu a fazer essas trocas para passar o tempo.

Luis Pereira – Quantas pessoas estão neste momento a trabalhar com vocês? como é que conseguem suportar financeiramente tudo?
A nossa equipa de estrada é neste momento composta por 8 pessoas. Os ordenados saem tanto dos cachets dos concertos como das eventuais vendas de merchandising.

Makko – Há algum metaleiro na banda? daqueles que queira sempre sem querer levar a banda por esses caminhos?
Os membros com mais influências de metal na banda sou eu e o Ruka, é claro que tentamos sempre por querer pôr um cheirinho desse estilo nas músicas de Tara, como se pode notar em algumas delas, mas só se fizer sentido, claro!