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Crushing Sun [Março 2011]

O vosso álbum de estreia, “TAO”, foi considerado o Melhor Álbum Nacional de 2010 pela revista LOUD!. Foi uma distinção completamente inesperada?
Não posso dizer que foi totalmente inesperado… estaria a mentir se dissesse que não esperava esta distinção, isto com todo o respeito que tenho pelas bandas nacionais que lançaram álbum em 2010. Sabíamos, ainda antes das gravações iniciarem, que tínhamos tudo para fazer um grande álbum… quando ouvimos o produto final ficamos satisfeitos, algo que é raro acontecer, visto que existem sempre coisas que podiam ter sido feitas de forma diferente, que podiam estar melhores… este álbum está longe de ser perfeito, mas as suas imperfeições não comprometem o resultado global.

O título “TAO” está associado a algum conceito específico? Quais são as fontes que vos inspiraram na criação deste álbum?
Sim, está associado ao Taoismo, ainda que apenas tenha servido de base, não é um álbum focado nessa mesma temática exclusivamente e aprofundadamente. Mas “TAO” significa, literalmente, “O Caminho”, algo que está representado quer liricamente, a par da temática, quer no artwork do álbum.
O que nos inspira… isso já é mais complicado haha… cada um tem vivências, experiências de vida, gostos pessoais únicos, embora acabemos todos por convergir nos pontos essenciais.

O facto de o álbum ter sido gravado e produzido pela própria banda nos Soundvision Studios do Paulo teve algum efeito no resultado final? Acham que representa mais fielmente a vossa visão do som dos Crushing Sun do que se tivesse sido gravado num outro estúdio, sendo misturado e produzido por pessoas externas à banda?
Claro que sim! É que o Paulo tem duas qualidades, neste caso especifico, que fazem dele melhor que qualquer outro… tem o “know how”/qualidade, e ao pertencer à banda sabe perfeitamente o som que pretendemos ter. Isto para não falar em questões logísticas e o ambiente de gravação… se estás à vontade, sem pressão de ter de gravar tudo na “batata” ao primeiro take, se sabes que tens tempo e espaço para experimentar coisas, tudo isso contribui para que possas extrair mais e mais do teu trabalho em estúdio, coisa que muito dificilmente aconteceria se fossemos gravar a outro estúdio com o budget limitado com que tivemos de trabalhar. Mas não sou fundamentalista ao ponto de dizer que uma visão externa à banda não seria benéfica, que trabalhar com outro produtor não seria bom, mas no caso específico do “TAO” e da forma como todo ele foi concebido, o Paulo seria sempre a melhor escolha possível. O “caminho” foi traçado e tinha de ser percorrido por nós apenas, os quatro elementos da banda, sem qualquer outro “corpo estranho” metido no processo.

Gravaram um videoclipe extremamente interessante para a música “T’Hatcher”. Como surgiu a ideia de fazer este vídeo?
No seguimento do lançamento do Tao, chegamos à conclusão que seria a altura ideal para termos um video. A parte mais difícil foi mesmo escolher o tema, já que foi uma tarefa bastante árdua e quem ouviu o disco sabe disso, escolher uma musica que fosse o espelho do álbum e o sintetiza-se na perfeição. A escolha recaiu sobre o tema que apesar de mais directo, funciona como aperitivo e levanta um pouco o véu em relação aos outros temas do álbum.
Em relação a execução do projecto videoclip, contamos com os serviços do Herlander Martins, que é um amigo que vêm acompanhando o nosso trabalho e como tal ajudou a que a sinergia fosse perfeita e como referiste, o trabalho final fala por si só.
Estamos avaliar a possibilidade de gravar um 2º videoclip, já que a aceitação do Tao tem sido muito positiva e também porque muitas pessoas só agora é que estão a entrar com a banda e nada melhor que um suporte video para ajudar a difundir a nossa sonoridade

Que balanço fazem destes primeiros sete anos de Crushing Sun, tanto a nível interno da banda como a nível de reconhecimento externo?
Os balanços têm que estar relacionados com os objectivos da própria banda e nesse aspecto creio que a resposta é deveras positiva. Ao longo destes 7 anos conseguimos cimentar uma formação sólida que nos permitiu traçar e encarar as nossas metas com confiança e sobretudo sem pressa. Sem dúvida que o lançamento do Tao foi um marco significativo, mas sem esquecer o trabalho de sapa realizado até este ponto, desde o Bipolar até às Demos.
O reconhecimento é sempre gratificante, sentimos o carinho e dedicação que muitas pessoas nos têm dado e isso é muito valioso para nós.

Acham que em Portugal há condições para efectuar digressões de uma forma estável e digna, ou as atenções continuam concentradas no Porto e, principalmente, em Lisboa?
Portugal é um país de excelência para viver, mas para trabalhar é muito complicado, a todos os níveis e a musica não é excepção. A lista de queixas das bandas são públicas: circuito de bares muito reduzido,poucos apoios, promotores mafiosos,etc. Enfim , um sem número de queixas que são fundamentadas porque de facto não consegues marcar 5/6 concertos em fins de semana consecutivos. Daí que muitas bandas começam a fazer sinergias e a montar os seus próprios festivais, como o GDL ,Vimaranes,Moita MF, Mangualde, etc. Porque sem este tipo de iniciativas o panorama seria ainda pior. Em relação ás grandes cidades, devo-te dizer que pela nossa experiência, os concertos fora dos grandes pólos populacionais são os que têm mais receptividade de público e interesse.

A vossa música é bastante exigente a nível de execução técnica. Conseguem sentir-se completamente à vontade quando tocam ao vivo, ou têm de estar muito concentrados?
Ao fim de tantos anos a tocarmos juntos, sempre os mesmos 4 elementos, criam-se rotinas… ao nível da execução o processo é quase mecânico, não pensamos muito no que temos de fazer. É como mexeres uma mão, uma perna… não pensas que tens de fazer aquilo, simplesmente fazes. Claro está que tal como com o teu corpo, às vezes falhas! Haha
Mas a concentração está sempre presente, assim como o à vontade, o equilíbrio entre as duas coisas tem de estar sempre presente. Se tiveres apenas uma das duas o concerto não vai ser grande coisa.

Qual é a vossa perspectiva sobre o panorama da música extrema em Portugal?
O panorama é vasto em número de bandas, mas em termos de qualidade peca um pouco. São poucas as bandas com mensagem e que podem dar o salto para outros mercados e voos. Já para não falar da clubite de géneros que o Underground Português sofre.

A banda vê a sua música como uma arte para desfrutar, ou como um veículo para passar uma mensagem?
Ambas.

Nos dias que correm, são lançadas centenas de álbuns todos os meses. Sentem que é demasiado, correndo-se o risco de diluir as atenções?
A industria musical mudou desde o aparecimento da Internet e toda a gente sabe que sofreu transformações significativas, mas ninguém consegue apontar com clareza o seu rumo.
As centenas de álbuns lançados são uma resposta à exigência insaciável de música por parte do público, acredito que cada vez mais as bandas vão estar direccionadas para pequenos mercados, correndo sempre o risco de não serem auto-suficientes e acabarem.

Qual será o próximo passo dos Crushing Sun? O que podem os fãs esperar? Já sentem, de algum modo, o “síndrome da pressão do segundo álbum”?
Como referi anteriormente, estamos a projectar um novo videoclip , vamos também continuar a promover o Tao em concertos que já temos agendados, um dos quais é no Vagos, com Opeth e com Emtombed no GDL
Está nossos planos fazer um segundo disco, todavia sentimos que o Tao ainda merece o enfoque principal, sendo assim vamos continuar a promove-lo e quanto ao segundo álbum vamos recolhendo ideias para quando chegar a altura certa, as materializar.

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