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Devil in Me [Fevereiro de 2011]

Deram ao vosso mais recente trabalho o nome “The End”. Quais as razões por trás da escolha de tal título? Tinham algum sentido de fatalismo, por exemplo, em mente?
Essencialmente a ideia é essa. Contar algumas historias sobre o fim do mundo. Um pingo de realidade e um pingo de fatalismo exacerbado mas converge tudo para “o fim”. E a forma vertiginosa como as nossas vidas convergem para ele.

Como é o vosso processo de composição? Surge naturalmente enquanto tocam juntos, ou é um trabalho mais estruturado?
É um bocado mas pensado sabes? Surgem riffs na cabeça do pessoal, que depois são trazidos ate a sala de ensaio. Seja por ficheiro que alguém gravou para a ideia não escapar, seja na memoria, depois construimos em cima disso.

Se pudessem escolher, com que músico ou músicos gostariam de colaborar, num tema ou mesmo num álbum?
Sei la… é muito difícil responder a essa pergunta. A verdade é que por mais que pareça, as participações que temos vindo a ter nunca foram premeditadas. Do género: “no próximo disco temos de convidar o X para trabalhar connosco”. Foram sempre “acidentes” de carreira que se transformaram em oportunidades espectaculares. Assim do pé para a mão não me ocorre ninguem.

Em breve voltarão à estrada: França, Alemanha, Suíça, Polónia, Países Baixos… Como é que lidam com o stress de estar em digressão, os rigores da estrada, o afastamento de casa…?
Essa é daquelas perguntas que nos fazem sempre, e eu respondo mais ou menos sempre da mesma maneira. A gastar rios de dinheiro em roaming, skype, e a subir ao palco todas as noites a lembrar-me que isto é um sonho tornado realidade, e que milhares de pessoas dariam um rim para tar aqui no meu lugar.

Têm alguma história interessante ou curiosa de alguma digressão anterior que possam partilhar?
Hmmmm… Sempre que surge uma questão como esta tenho mesmo de ir ao bau.

Hoje vou relembrar quando fomos tocar a Turquia, no Bringin’ it Back fest. Com os Comeback kid, que estavam em tour connosco, H2O, Madball, Shai Hulud etc.

7 jovens portugueses em aventura pela europa, perderam-se na enorme Budapeste.

O Gps que levamos, embora tivesse os mapas da comunidade, não tinha ainda os da recentemente adicionada ao circulo europeu, Turquia. Então vagueamos e vagueamos, em busca de um jardim central onde supostamente seria a Venue dessa noite.

Perdidos num bairro degradado, que mais parecia acabado de sair da era soviética, (esperem, era mesmo), acabamos por ir dar a uma praça na baixa onde paramos num semáforo. Desesperados todos olhávamos a volta, a procura de um sinal, ou algo que nos pudesse indicar o caminho. Isto quando o Matos avista o baterista de H2O a dar um passeio na rua alguns metros a nossa frente. Saiu da carrinha a correr em direcção ao nova iorquino, que se encolheu algo aterrorizado com a excitação do Matos. Enfim, tudo para contar que depois o Todd, estava com medo do Matos porque não o reconheceu, então não nos queria dizer para onde ia, muito menos entrar connosco na carrinha para nos mostrar o caminho. Mas uns dedos de conversa depois, e ele la optou pela primeira opção e correu tudo bem para nos.

É, de algum modo, intimidante partilhar palcos com nomes como os Napalm Death? Sentem alguma espécie de pressão ao actuar para o mesmo público?
Intimidados não. Nunca receamos publico “diferente”. Até porque sempre acreditamos que conseguimos agradar a um largos espectro de ouvintes.

Onde é que se vêem daqui a 20 anos?
Sei la. Primeiro temos de sobreviver a 2012. AHAHAHAHAH… depois logo se vê.

Concordam com a ideia de que os fãs de metal são dos mais “fiéis”?
Sim, sem duvida.

Muita tinta tem corrido sobre a problemática dos downloads ilegais… Qual é a vossa visão do tema? São absolutamente prejudiciais, ou pelo contrário, ajudam à promoção do nome de uma banda e trazem mais fãs aos concertos?
Pois os downloads… quase toda a gente os faz. Incluindo nos proprios. E em boa verdade acho um “fenomeno” imparavel. Acho que não ha nada a fazer em relação a isso.

De resto claro que são prejudiciais e claro que são um optimo meio de divulgação ao mesmo tempo. São quem veio acabar com o negocio das vendas. Antes enriqueciam-se familias com a venda de discos. “Voavam” discos de ouro e platinas a congratular os melhores cotados nas vendas. Hoje em dia não ha nada disso, e os musicos sabem. Os poucos disco que se vendem nunca acabam por surtir efeito no bolso do autor mas pronto. A nós, rapazes ambiciosos, mas humildes do Punk/hardcore português, satisfaz-nos mais ter uma sala cheia de gente a cantar as nossas musicas, sacadas dos torrents no dias antes, do que saber que os nossos discos da Fnac foram todos vendidos, e nos so ganhamos um centimo no fim da cadeia.

Que medidas gostariam que fossem tomadas em Portugal para promover as artes, em geral, e a música em particular?
Para as artes em geral… menos cortes e mais dinheiro. Para a musica em particular, mais apoios! Não falo de monetarios, porque não faltariam pessoas a usa-los para os fins menos proprios. Mas qualquer coisa como se faz noutros paises, que realmente apoiam a cultura, e neste caso a musica. Como no Canada, por exemplo, as bandas são ajudadas pelo estado naquilo que realmente é caro, as gravações. Era tão bom que pudesse haver, de qualquer forma, um estudio com profissionais pagos pelo estado e pelas bandas, onde sobre um criterio de selecção minimo, toda a gente pudesse gravar e reproduzir para poder realmente expor o fruto das suas ideias.