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Diabo Na Cruz [Novembro 2011]

Esta pergunta deve ser comum para vocês: não deveria ser Jesus na cruz?
Se calhar, mas isso seria falar sempre dos mesmos santos. Pôr o diabo na cruz parece ser mais interessante. Ele não é santo nenhum, mas tem as suas qualidades.

Foram considerados, por um comentador, uma das duas melhores bandas nacionais, em pé de igualdade com os Humanos, banda que retrata o grande nome Português, António Variações. Imaginavam-se num patamar tão majestoso?
Nem por isso. Beneficiamos de um certo vazio no tipo de linguagem musical que procuramos explorar. Quando houver muitos mais a fazer isto nós teremos sido só mais uns, se calhar uns dos primeiros.

O facto de terem sido chamados à última da hora para actuar no Optimus Alive, ajudou na aderência de um número significativo de fãs?
Não fazemos ideia, mas o facto de ter sido um dos concertos mais intensos do festival pode ter ajudado. Pelo menos ganhámos admiradores na comitiva dos TV On The Radio e isso pareceu valer o dia.

O que toca nos vossos carros, neste momento?
R.E.M. que penduraram as botas, ando a ouvir o Document em especial. Elvis Costello, Clash, Likke Li, Black Keys, Bruce Springsteen, Ariel Pink, Gilberto Gil, Rui Júnior, Banda do Casaco são tudo cenas que têm um lugar importante nos nossos ouvidos nos tempos que correm.

Enquanto figuras públicas, sentem necessidade de se manifestarem nos problemas sociais?
Antes de mais, não nos vemos como figuras públicas, nem estamos à vontade com embarcar em protagonismos sob pretextos de crise. Se essas questões se reflectirem, será nas nossas canções e é muito natural que isso aconteça. O nosso papel é fazer música e tocá-la neste país, sobre este país. Torna-se impossível fugir às suas realidades, até porque elas são o nosso motivo e a nossa matéria-prima.

A vossa revolta nos palcos do IST ficou conhecida, foi alvo inclusive de notícias em revistas musicais. Não receiam esse protagonismo que pode ser tomado como negativo pelos que desconhecem?
Não. Os que desconhecem deviam conhecer.

O que falta em Portugal no mundo das artes?
Falta não ser mundo das artes nenhum e tornar-se cultura pura e dura, da que dá e da que dói.

O álbum “Virou” foi vítima de críticas fantásticas. A expressão – “e virou” – faz parte de uma cultura tradicionalmente portuguesa, é daí que surge?
Sim, é um grito frequente na música folclórica e foi um bom grito para a cena musical portuguesa. 9- Ao longo do vosso percurso qual será o verbo que merece maior destaque? R- Respeitamos todos os verbos, somos tipos de acção, se for para eleger um que seja afinfar(-lhe).

Para quem vos quer ver, e virar um bocadinho ao som de “Eito Fora” ou “Dona Ligeirinha” onde vos poderá encontrar?
Se tudo correr bem, em 2012, encontrar-nos-á um pouco por todo o lado, neste momento estamos a preparar o novo disco, da Primavera para a frente contamos estar de volta aos concertos.

Enquanto portugueses que são, se tivessem que optar por um dos nomes, qual seria: Amália Rodrigues ou Zeca Afonso?
O quê? Optar entre a mamã e o papá? Impossível.