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Ensiferum [Abril 2011]

Iniciaram há pouco a “The Ugly World Tour”, com os Children Of Bodom e com os Amon Amarth. Como estão as coisas a correr até agora? Estão entusiasmados para tocar em todos os diferentes países?
Olá! A digressão começou muito bem. Multidões enormes e barulhentas, e já chegámos a imenso público novo com a nossa música, por isso estamos com muita vontade de tocar em todos estes novos países e descobrir como seremos recebidos.

Viver juntos no espaço limitado de um autocarro de digressão, as coisas por vezes devem tornar-se confusas e complicadas. Como lidam com esse stress? E já agora, o que costumam fazer para se divertir enquanto andam em digressão?
Estamos a partilhar o autocarro com os Machinae Supremacy, e tudo está a correr na perfeição, tanto com a nossa equipa como com tudo o resto. Os tipos dos MS são muito relaxados e uma óptima companhia, e claro, a nossa própria equipa já anda em digressão connosco há anos, por isso somos como uma família grande e feliz.

Acho que é importante ter algum tempo de privacidade todos os dias, durante a digressão, para pores as coisas em perspectiva. Eu tento fazer jogging todas as manhãs e assim consigo acabar por ver um pouco de cada cidade. Também tento ler o máximo possível para ter algo mais em que pensar, uma espécie de escape. Mas claro que uma boa festa de vez em quando eleva o ânimo, e por sorte os MS são da Suécia, por isso conseguem acompanhar-nos bastante bem.

O vosso álbum mais recente, “From Afar”, foi lançado em 2009. Estão a fazer planos para um novo registo de estúdio? Já têm algum material inédito?
O plano original era entrar em estúdio agora, na Primavera de 2011, mas fomos convidados para fazer esta digressão com os COB. Há vários anos que queríamos fazer uma digressão de suporte na Europa, porque temos sido sempre cabeças de cartaz; e embora seja bom dar concertos esgotados, nós queríamos descobrir como um público mais alargado reagiria à nossa música… E para já, a reacção tem sido esmagadoramente positiva.

Mas no fim desta digressão vamos tocar em alguns festivais de Verão, e depois vamo- nos trancar na sala de ensaios para entrar em estúdio no final deste ano ou no início de 2012, por isso o novo álbum deve ser lançado na Primavera de 2012. Já temos algumas músicas quase prontas e todas as ideias em bruto já estão lá, mas ainda precisamos de algum tempo para arranjar tudo, como os vocais, os instrumentos folk e as orquestrações.

À medida que os anos passam, sentem que as coisas se tornam mais fáceis ou, pelo contrário, sentem uma maior responsabilidade para com os vossos fãs, e que têm de trabalhar ainda mais?
No que toca à música tornou-se mais difícil, porque não nos queremos repetir, queremos evoluir como músicos, compositores e como banda. Queremos desafiar- nos a nós próprios e continuar a fazer a música que adoramos. Não nos preocupamos com modas ou com o que está a acontecer no género folk/pagan/viking/qualquer coisa, só tentamos ser fiéis à nossa própria música. Mas por outro lado, apercebemos-nos cada vez mais de que podemos tomar tantas direcções com a nossa música que praticamente não temos limites, hoje em dia.

Em situações ao vivo as coisas são um pouco diferentes, quanto mais recebes mais humilde deves ser. Quero dizer, há uns anos costumávamos fazer grandes festas durante as digressões, mas actualmente sentimos uma maior responsabilidade para com os nossos fãs. Estás a ver, se alguém paga para ver o nosso espectáculo, não
queres subir a palco com uma tremenda ressaca e dar apenas 90% de ti, isso é completamente contra a nossa mentalidade. Sem fãs não poderíamos fazer isto, por isso o mínimo que podemos fazer é dar um espectáculo em condições.

Há algum objectivo, alguma meta que ainda não tenham atingido enquanto banda?
Antes de cada álbum eu sinto que vai ser o melhor álbum que fizemos até ao momento, por isso acho que quero sentir sempre isso quando compomos novas músicas, um certo entusiasmo e pureza por criar música com pessoas extraordinárias. Desejo que possamos continuar a fazer música a nível profissional pelo máximo de tempo possível.

São aficionados por material e/ou puristas do tom? Preocupam-se muito com os vossos instrumentos, amplificadores, microfones, efeitos, etc., ou simplesmente focam-se na performance em si?
Nem por isso. Claro que exigimos da nossa equipa bom som, mas não somos princesas, só queremos tocar ao vivo, ponto final.

Têm estado com a Spinefarm há mais de uma década. Como tem sido essa relação? Nunca pensaram em mudar para outra editora?
Temo-nos sentido felizes com a Spinefarm. É óptimo que possas simplesmente ir ao escritório deles para tomar um café se estiveres no centro de Helsínquia, e eles têm sempre tempo para nós. A cooperação é mais próxima e familiar assim. Para o próximo álbum estamos mesmo a esforçar-nos para trabalhar ainda mais de perto com a Spinefarm, porque aprendemos bastante com anos anteriores.

Com a presença esmagadora da pop e da música electrónica nos meios de comunicação mainstream, muitos dizem que os géneros de música considerados mais pesados estão “mortos”. Concordam?
Não.

Têm alguma ideia de quantos concertos deram ao longo dos anos? Há algum que recordem com um carinho especial?
Hum, centenas e centenas. Não faço ideia de quantos ao certo. O Wacken 2008 foi um momento de que nos iremos lembrar para sempre. Estava a chover uns minutos antes do nosso espectáculo no palco principal e estavam apenas umas centenas de pessoas à espera debaixo da chuva que caía… Mas quando a intro começou a tocar, a chuva parou e quando subimos ao palco havia tanta gente que não se conseguia ver o fim da multidão (alguém me disse que estavam lá cerca de 40000 pessoas). A atmosfera foi excelente e ter milhares de pessoas a cantar connosco, a fazer mosh, crowd surfing… Foi simplesmente perfeito. Iremos tocar novamente no Wacken neste Verão, e estou com expectativas muito altas.