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Entrevista com os ALCOOLÉMIA

Com mais de 20 anos de carreira, os Alcoolémia lançaram recentemente o seu novo trabalho, intitulado “Palma da mão”. A formação renovou-se, mas o rock cru permaneceu, numa linha de composição que não abandona as suas raízes e universo construído. A Rock n’ Heavy aproveitou a promoção deste novo álbum para trocar umas palavras com Manelito, guitarrista da banda.

Depois de um trajeto de 22 anos no rock, como é olhar agora para trás e recordar os primórdios?

Os primórdios tiveram um papel importante no crescimento da banda, os primeiros passos as primeiras aventuras, participar em Concursos de Música Moderna, as primeiras vitórias, destaco os 3 Concursos que vencemos, Setúbal, Castelo de Paiva e no Seixal, que muito contribuíram para acreditarmos cada vez mais no que estávamos a fazer, cujos prémios monetários serviram para melhorar o backline da banda, os investimentos em maquetes, concertos, entrevistas, o gravar o 1º álbum, contrato com uma editora, o agenciamento, participações em programas de tv, tudo vivido com muita intensidade, o dar autógrafos, o ser reconhecidos na rua, alcançar um disco de prata com o “Não sei se mereço” por vendas superiores a 10.000 unidades, a reviravolta que as nossas vidas deram num passar de 3 anos, de 1992 a 1995, passas de um grupo rock de uma pequena localidade chamada Fogueteiro situada na margem sul do Tejo, para uma banda a nível nacional, ver milhares de pessoas a cantar os teus temas, o ter temas incluídos em coletâneas com bandas de topo nacionais, partilhar o palco com bandas que idolatrávamos, tudo isso excedeu largamente, tudo o que alguma vez pensámos que viríamos alcançar, o receber uma Medalha de Prata de Mérito Cultural entregue pela Camara Municipal do Seixal aos Alcoolémia, portanto olho para trás com satisfação do que alcançámos.

Durante o vosso percurso, o grupo sofreu várias mudanças, não só na formação mas também no estilo como banda. Quais foram as grandes alterações e como foi gerir todo esse processo?

As mudanças foram consequência direta, de falta de empenho, falta de sacrifício, do acreditar, de que na música as bandas tem momentos altos e baixos, e nem todos os músicos estão preparados para isso, e ai temos que fazer opções, saber com quem contar e abdicar de quem se torna um fardo pesado, a ser problemático, que infelizmente aconteceu com alguns dos ex-elementos. Hoje em dia os músicos vivem uma realidade diferente da que nós vivemos na década de 90, as bandas hoje é que têm que investir do seu bolso e gerir a sua própria carreira conforme as suas posses, e nem todos os músicos estão aptos para isso, nem para isso, falando no mercado de originais, e nesse ponto dou-me por muito feliz por estar acompanhado pelos atuais músicos que integram os Alcoolémia que contribuíram para nos adaptarmos a esta realidade. Quanto ao estilo da banda em si, neste momento que é o que mais nos interessa, a primeira coisa e a mais notória é a voz do João Beato, que faz uma grande diferença, em segundo lugar aponto para as composições em estilos musicais desde Rock Alternativo ao Grunge, que são uma novidade para quem nos acompanha alguns anos, e inevitavelmente tenho que apontar a grande diferença na banda que é as letras, do João Beato, uma escrita totalmente diferente do nosso ex-vocalista.

O novo álbum, “Palma da Mão” foi lançado há bem pouco tempo. Falem-nos dele. O que o distingue dos vossos outros trabalhos?

Bem este álbum “Palma da mão” para mim e para os atuais elementos é o nosso melhor trabalho desde sempre, hoje em dia temos melhores músicos e outro cuidado no processo de gravação. Com o passar dos anos fomos adquirindo experiência em todos os aspetos, desde a composição á produção através do empenho e investimento do nosso guitarrista Pedro Madeira no Rockstudio de que é proprietário, e que também á já alguns anos acumula o papel de nosso produtor. Outro fator decisivo para este álbum “Palma da mão”, vem do novo vocalista João Beato ser um multi-instrumentista, muito eclético, que de certa maneira contribuiu para apresentarmos ao público algo um pouco diferente do que tínhamos feito nos outros álbuns anteriores. O álbum “Palma da mão” tem 10 temas todos cantados em Português, onde variamos as composições desde o Pop ao Rock, que mantem uma ligação á identidade musical da banda, mas com as novidades acrescentadas de Rock Alternativo, e ainda de Grunge muito anos 90´s, uma década de ouro que nos marcou bastante a todos e que está bem presente em alguns temas deste Palma da mão. Temos uma colaboração na escrita de 2 letras do nosso amigo Hugo Costa, que é uma novidade e que nos deixou muito satisfeitos com o resultado final, Derrotas de paixão e Alma rock.

Vocês sempre optaram por cantar em português. Porquê?

O cantar em português foi uma situação que surgiu naturalmente, nada de muito pensado para se atingir objetivos, todos os elementos que faziam parte da banda no inicio estavam de acordo que se cantasse em português e para reforçar isso, o inglês do nosso ex-vocalista era fraco tal como a sua dicção, logo era impensável cantar-se em inglês, teria sido um valente de um tiro no pé, sem quais quer dúvidas…

Atualmente, como é que se definem?

Continuamos a ser uma banda de Rock que canta em Português constituída por músicos humildes com provas dadas, quase a completar em Agosto deste ano o seu 23º aniversário, revigorados para os desafios que o futuro nos trouxer, melhor que nunca a solidificar a nossa carreira e tentar deixar a nossa marca no panorama musical Português.

Quem são os Alcoolémia?

Os Alcoolémia em 2015 são, João Beato na Voz e Guitarra, Manelito na Guitarra ritmo e Voz, Pedro Madeira na Guitarra solo e Voz, Márcio Monteiro na Bateria, o Bruno M. Paiva no Baixo, e finalmente o Carlos Sousa no Saxofone.

É difícil viver da música em Portugal?

Cada vez é mais difícil. Estamos a viver tempos muito difíceis e vejo muitos músicos profissionais a desistirem, outros a fazerem contas á vida pela escassez de espetáculos, uns a não tocarem, outros a venderem material, custa-me muito ver isso, é uma triste realidade que se está viver e os músicos não estão protegidos, não tem apoios. Estamos assistir á queda do músico profissional, e cada vez mais alguém que se queira manter na música tem que ter uma outra profissão que lhe garanta a estabilidade financeira sem depender da rentabilidade que consiga auferir com atividade de músico.

Com 22 anos de existência e mais de uma centena de concertos de certeza que há histórias que ficam para contar. Qual foi a mais caricata?

Isto ao fim de cerca de quase 600 espetáculos dados é muito difícil escolher um, mas já contei esta história mas vou ter de a contar outra vez, de tão caricata que é. Durante a tour do 1º álbum “Não sei se mereço” em Sabugal em 1996, estávamos nós tipo a meio do alinhamento, o nosso ex-vocalista diz uma asneira e deixa de cantar a meio de um tema. Nós sem nos apercebermos bem do porquê, instintivamente continuámos a tocar, ele ficou agachado de pernas dobradas, sem dizer nada, uns eternos segundos e somente quando se ergue e volta a cantar, é que nós nos apercebemos que está á frente dele no palco uma moeda de 50 escudos, portanto deduzimos logo que alguém do público o tinha atingido nas partes baixas e que o fez parar de cantar, mas ele não deu parte fraca e continuou como se nada tivesse acontecido. Claro que este episódio deu enorme galhofa entre os músicos, que apesar de ser condenável o ato em si, não deixámos de elogiar apontaria de quem mandou a dita moeda.

Novidades para 2015? Quais são os objetivos para este ano?

Estamos neste momento na promoção do nosso 2º single “Leva-me onde quiseres”. Estamos aguardar as confirmações de espetáculos para este ano, e conforme isso correr vamos ver o passo em seguida, com calma e ponderação.