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Entrevista com os Esfera

Nativos de Setúbal, os Esfera são uma banda promissora no panorama Prog/Alternativo nacional que, além de um dos melhores CDs de estreia que ouvimos há algum tempo, deram um concerto exemplar no Popular a apresentar esse mesmo registo.

Nós estivemos lá e pudemos falar com a banda depois da actuação, que irá lançar um novo vídeo para “Black” no final deste mês e a conversa foi mais ou menos assim:

Os Esfera são: Nuno Aleluia, Vasco Rydin, Diogo Marrafa, João Completo e Pedro Dinis

Boas, antes de mais queria perguntar, aqui no rescaldo, se ficaram satisfeitos com o concerto?

J: Sim, ficámos, apareceu mais gente do que estávamos à espera, foi fixe, estávamos a tocar quase em casa.

E como tem sido a recepção ao CD que vieram apresentar (All The Colours of Madness)?

V: Tem sido boa, já estávamos há muito tempo para lançar o álbum e pelo que temos visto das redes sociais e de pessoas que vêm falar connosco nos concertos, têm gostado. Há sempre pessoas que vão lá mesmo para nos ver e que conhecem.

D: Sim, há pessoas que conhecem as letras e que cantam, isso para mim é das melhores partes, quando as pessoas estão a cantar connosco.

Confesso que fiquei um bocado curioso com a vossa temática do álbum, das cores, o que representam e como isso surgiu, podiam explicar um bocado?

N: Espero que não te importes que seja um bocado disperso (risos). Sempre gostei muito do conceptualismo e de álbuns com ideias colectivas e na altura comecei a ter umas ideias sobre o que era ser normal e o que acaba por significar ser louco. Acabámos por associar uma cor a um sentimento ou emoção para representar que nos extremos de cada cor se pode achar a loucura de formas diferentes.

E essa temática foi importante só na parte lírica, ou as músicas em si também foram feitas a pensar nisso?

N: Não, influenciou tudo, porque ao associarmos cada cor a um sentimento, começámos a trabalhar também em cada sonoridade. Além disso, na altura em que começámos, tínhamos todos as nossas próprias bandas e vínhamos de meios um bocado diferentes, eu era uma cantautor com a acústica, o Pedro era mais do Metal e isto permitiu-nos conhecermo-nos e trabalharmos em conjunto para fazermos qualquer coisa.

Além disso, as vossas músicas são muito variadas, vão desde o Prog mais normal, a baladas e sons mais alternativos, têm influências muito diferentes, o que é que ouvem?

N: Bem, ouvimos muita coisa, mas temos também muita coisa em comum, aquilo que gostamos muito, gostamos todos muito. Depois ouvimos cada um a sua coisa, o Pedro gosta de Metal, o João mete a Rádio Comercial (risos).

J: Não, mas é verdade, eu gosto muito de Pop também!

N: A verdade é que também queríamos fazer um som um bocado diferente, pegar no Prog mas torná-lo mais amigável, daí as tais baladas. Depois, naquilo que ouvimos, bem gostamos todos muito de Prog actual…

V: Prog antigo, dos anos 70!

D: Djent e Rádio Comercial!

Como vocês referiram, são de Setúbal, que tem um circuito que se calhar muita gente não conhece por ser mais alternativo, mas que actualmente tem muita coisa, além de vocês, os Ash is a Robot, os Ella Palmer que acabaram há pouco tempo, por exemplo, sentem-se como parte de uma cena?

D: A nossa cena é mais o ser dali, porque depois dentro do género não nos enquadramos muito.

J: Sim, acho que há uns anos, quando eram só os More Than a Thousand, os Hills Have Eyes e assim, Setúbal estava muito na cena do Hardcore, mas agora já há muita coisa e muito variada, que o espírito da comunidade se mantém, mas não nos vemos em nenhum género da ‘cena’.

V: Sim, não temos nada a ver com bandas como os Ash Is a Robot.

D: Até fora de Setúbal, temos dificuldade em arranjar bandas para tocar pelo país todo porque não há nada que seja muito dentro do nosso género! (risos)

Ainda bem que mencionaram os As Is A Robot, com quem vocês partilham baterista, o Vasco, que vai agora em digressão durante algum tempo pela Europa. Como é que vão lidar com isto, vão ficar parados?

D: Não, agora é que isto vai arrancar!

N: Sim, agora é que vamos poder concentrar-nos a fazer alguma coisa de jeito, sem o Vasco a bater com força em coisas! (risos) Não, mas já temos alguns planos para compor, vamos tentar fazer uma coisa com outra magnitude, mais teatral e vamos já trabalhar nisso.

J: Em termos de actuações, não vamos fazer nada, mas é por acaso…

V: Sim, já aconteceu outras vezes eu estar em tour com os Ash is a Robot e eles tocarem com outro baterista.

N: E também já tocámos com o Chico (também nos Ash Is a Robot) na guitarra!

P: Por isso vamos trocando e se surgir alguma coisa, podemos tocar.

Ok, podem então falar-nos um bocadinho do que aí vem? Hoje tocaram uma música que não está no álbum, foi algo que ficou de fora ou já é algo que aí vem?

N: Por acaso, acho que foi algo que ficou de fora, mas não quer dizer que não trabalhemos nisto para o futuro, ainda não está nada gravado em formato digital, podemos fazer o que quisermos com a música. Para já, a grande novidade é que queremos cantar em português. Já pensámos em vários conceitos interessantes, unidos por uma narrativa, para ser mais conceptual, mas em relação à sonoridade ainda nem nós sabemos bem! Podemos é dizer que vai ter a ver com as estações do ano.

E vai ser mesmo um álbum, ou algo mais curto, tipo EP?

N: Em princípio vai ser mesmo um álbum. Tínhamos pensado inicialmente em fazer algo mais pequeno, mas agora vamos mesmo fazer o segundo álbum.

J: Íamos fazer poemas de Fernando Pessoa!

N: É verdade, essa ideia de Fernando Pessoa começou porque temos muito medo de escrever em português, é muito fácil ser foleiro! (risos) Mas como não sabemos o que podíamos fazer com os poemas, acabámos por mudar de ideias.

Por falar no que podem ou não fazer, tiveram de mudar de nome recentemente, o que é que aconteceu?

V: Sim, nós éramos os Emma, mas assim que lançámos o primeiro single recebemos um mail da Escola de Música de Monte Abraão a pedir para mudarmos porque tinham o nome registado e então mudámos, mas não foi nada fácil.

P: Foi uma altura muito desmotivante para nós, estivemos um ano e tal parados, a tentar arranjar um nome à pressão.

Então e quando se decidiram por Esfera, tem algum significado por trás?

(risos) N: Sim, tem… Não sei quem quer contar?

D: Nós normalmente inventamos assim umas coisas…

J: Sim, que Emma era uma rapariga por quem estávamos todos apaixonados ou assim, uma coisa profunda (risos).

D: Mas a verdade é que Emma era a cadela do João!

N: E agora Esfera é a gata do Diogo! Mas quando publicares podes inventar qualquer coisa mais interessante (risos).