Entrevista com Mary N

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Nascida em Lisboa e com uma enorme paixão pela música, Mary N é a artista mais recente do Pop/Rock em Portugal. Chega-nos com “Patience“, o seu álbum estreia, composto, escrito e tocado pela própria. É uma multi-instrumentista e com muita vontade de partilhar o que lhe vai na alma através da música. A Rock n’ Heavy trocou umas palavras com a artista sobre o álbum, sobre música, entre outras questões. Descubram tudo aqui.

 

Para quem ainda não te conhece, quem é a Mary N?

Sou uma rapariga de 21 anos, de Lisboa, e tenho uma enorme paixão pela música. Sou uma autodidata, componho e escrevo as minhas músicas e, apesar de gostar de tocar vários instrumentos, aquele que mais gosto e me sinto mais confortável é definitivamente a guitarra.

Estreaste o teu primeiro single, “Don’t wanna hear you feat D8”, com o rapper nacional. Como foi a experiência?

Foi uma experiência muito boa, o D8 é um rapaz muito talentoso e demo-nos logo muito bem. Eu compus a música, e pensei que seria giro sugerir-lhe para entrar na mesma e misturarmos dois estilos diferentes. Ele gostou da ideia e alinhou de imediato. O processo correu muito bem e até foi relativamente rápido. A música está disponível nas plataformas digitais para toda a gente ouvir e espero que as pessoas tenham gostado do resultado.

O teu álbum de estreia, “Patience”, foi lançado no passado mês de março. Fala-nos um pouco sobre ele.

É um álbum com algumas de muitas músicas que escrevi entre os 16 e 21 anos, tem uma sonoridade base Pop/Rock, mas tentei que cada música tivesse uma identidade própria. Foi composto, escrito e tocado por mim. Tentei fazer uma mistura de uma sonoridade moderna com o Rock, podem contar com muitas malhas e solos de guitarra. Penso que seja um álbum versátil e bastante adaptável aos ouvidos das pessoas. Este álbum aborda vários temas inspirados em situações da minha vida ou mensagens que quis transmitir, espero que as pessoas se identifiquem e que gostem do resultado final!

Como foi o processo de gravação?

O processo de gravação foi dividido entre a minha casa e o estúdio. Em casa começava por gravar uma demo acústica, e, a partir da mesma, começava a fazer a produção/gravação da música, quando tivesse finalizado este processo, de seguida ia para estúdio regravar guitarras, baixo (se fosse o caso) e vozes. Depois as músicas iam para o “forno”, isto é, para a fase de mistura e masterização, e voilá!

Demoraste algum tempo a sentir a confiança de partilhar a tua música, naturalmente, mas não achas que existe muito o medo de errar e muitas vezes a confiança ainda é vista como “arrogância”? Termos a confiança de partilhar o nosso trabalho.

O facto de ter estado hesitante em partilhar a minha música, foi sobretudo por estar a partilhar uma criação nunca antes ouvida feita por uma autodidata que apenas pensava que percebia do assunto. Mas este medo é completamente normal e natural, e penso que isto acontece a qualquer pessoa que faça algo que nunca fez, o pior é quando este é ampliado ou impingido por terceiros. Concordo que o medo de errar é cada vez mais, pois estamos numa geração em que estamos constantemente a ser julgados e influenciados, devido, maioritariamente, a esta 2ª realidade, que são as redes sociais, que são boas para umas coisas e más para outras, e de facto, muitas coisas podem ser mal interpretadas, como é o caso da distinção entre confiança e arrogância. Eu acho que o importante, é sentirmo-nos confortáveis com o que estamos a fazer, focarmo-nos num objectivo e acreditarmos que conseguimos. É bom e importante passar a linha dos nossos medos para aprender e ganhar confiança com essa experiência para, caso errarmos, numa outra oportunidade acertarmos. O medo vai estar sempre lá, temos é de o ignorar, e a confiança é uma peça única que temos de a saber vestir. Eu própria ainda estou a aprender e muitas vezes ainda tenho medo de errar, mas tento seguir esta filosofia.

Como é que vês o pop/rock em Portugal?

Não vejo…(risos)…quero acreditar que está escondido e que apenas ainda não teve a sua oportunidade de aparecer. Penso que já esteve mais presente há uns anos atrás, mas agora é uma ave rara. Talvez seja pelo facto de como funciona a indústria da música em Portugal (e não só), e talvez muitos artistas (em muitos casos, por decisão da própria editora) acabam por seguir o estilo/sonoridade que está “na berra” para sentirem uma espécie de segurança, mas se calhar não era bem isso que os próprios queriam, e talvez poderiam haver mais estilos, como por exemplo o Pop/Rock. Eu mencionei especificamente em Portugal, porque nós somos muito poucos (embora grandes! (risos)), e a verdade é que não existe ou é possível existir quantidades massivas a gostarem de vários estilos ao mesmo tempo que possa dar uma estabilidade a uma indústria musical mais eclética em Portugal.

E já agora, a tua cidade… como está Lisboa a nível artístico?

A minha cidade a nível artístico penso que está cada vez melhor, sempre com a agenda cheia de eventos com artistas incríveis, conhecidos ou não. Espero que continuem com esta motivação e que continuem a investir mais na cultura.

“Patience”… independentemente do contexto em que possa ser usado, não achas que estamos numa altura em que existe realmente pouca “paciência” e temos muita “pressa” em relação a tudo… à vida?

Sim é verdade, e falo por mim que já fui assim, agora já não muito. É normal agora as pessoas quererem viver tudo rapidamente, pois há muita informação e acessível a todos, criando alguma pressão para a gestão da mesma e consequentemente as pessoas tendem a querer viver tudo intensamente num só dia. E sim, existe muita falta de paciência, sobretudo na cidade onde vivo (risos). As coisas não se fazem de um dia para o outro, e muitas vezes perde-se muito tempo a pensar que temos de fazer isto e aquilo, em vez de realmente nos concentrarmos e concretizarmos o que queremos. Eu acredito muito que tudo tem o seu tempo certo para acontecer, temos é de ter paciência, trabalhar e amar o que se faz, foi esta a principal razão do nome do álbum.

Eu gostei muito das tuas letras, acho que falas de coisas importantes, como a amizade, e que todos nós sentimos. O que vês quando olhas para este mundo à volta?

Desde já fico muito contente por saber isso! Sim, neste álbum abordo vários temas baseados nas minhas experiências, sentimentos, mensagens que quero transmitir, ou seja, a maneira como vejo o mundo à minha volta. Tento sempre olhar/observar numa perspetiva diferente, e mais do que uma vez, pois tudo tem uma razão de ser e quero sempre perceber porquê, mesmo que às vezes não o consiga. É claro que cada um tem a sua “lente” e vê as coisas à sua maneira, no meu caso, e nesta fase da minha vida,  a minha “lente” foca um lugar onde tudo é mais simples do que parece e que está cheio coisas boas e por descobrir.

Escreves, compões e ainda tocas. É realmente algo de muito valor. O que motiva/Como é o teu processo criativo?

O facto de saber fazer isso tudo (ou pelo menos pensar que sei) ajuda-me imenso a conseguir transformar as minhas ideias em algo mais visível, neste caso mais audível. Não tenho nenhuma fórmula para compor, é um processo muito natural, posso dizer até que parece uma fase de “transe”, pois sempre que acabo de compor dou por mim a pensar “Olha! Escrevi uma música”, parece que estive a sonhar e de repente acordei (risos). Em relação à parte técnica começo normalmente sempre pela melodia, toco umas malhas e acordes na guitarra ou piano (nalguns casos) e depois deixo que o tempo me traga uma descarga emocional para a fase da escrita. O mais irónico disto é que, apesar de ver o mundo da maneira que mencionei anteriormente, sinto maior inspiração e vontade de escrever quando estou indignada, triste, revoltada, desiludida….

Vais andar pelas fnacs no próximo mês de abril. O que podemos esperar desses concertos?

Sim é verdade, estou ansiosa! Diria mais showcases…onde vão poder assistir a uma pequena apresentação do álbum e amostra do que poderá ser um concerto meu. Podem esperar muita energia e Rock n’ Roll! Vou estar acompanhada por uma banda, e espero mesmo que toda a gente se divirta e goste, mesmo sendo pouco tempo.

Quais são os teus planos para o futuro?

Os meus planos para o futuro concentram-se, sobretudo, em conseguir fazer chegar a minha música ao maior número de pessoas possível, tocar muito ao vivo , fazer mais música e aproveitar ao máximo!