Entrevista com os Yellow Dog Conspiracy

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Boas! Antes de mais, obrigado em nome da Rock N’ Heavy pelo vosso tempo para termos esta conversa! O vosso álbum de estreia, Confrontation, está quase a sair (9 de Março). O que estão a sentir neste momento? Ansiedade, nervos? Estão a conseguir lidar bem com as expectativas do lançamento?

J.: Os nervos ainda não chegaram. Vão provavelmente chegar enquanto esperamos pelas reações. Neste momento estamos a tentar lidar com a tonelada de coisas que ainda falta tratar para o lançamento.

Os Yellow Dog Conspiracy têm a particularidade de irem lançar o primeiro longa-duração após trabalharem juntos já há quase uma década, tendo membros que já colaboram até desde os anos 90! Como é que acham que isto influenciou todo o processo? Sem dúvida sentiram-se mais à vontade uns com os outros desde o início na gravação do disco, certo?

Nuno: De facto, e à exceção do André e do J., conheço muito bem todos os elementos que gravaram no disco desde os anos 90, portanto foi fácil o nosso entrosamento musical. Por outro lado, como existe uma boa relação de amizade entre nós e um profundo conhecimento do valor de cada um a exigência também foi também maior e talvez por isso o bom resultado final deste disco…

O lançamento do álbum vai ser acompanhado por uma festa ao vivo no RCA para celebrar o acontecimento. O que é que podemos esperar daquela que decerto é uma noite especial para a banda?

J.: Aquilo que está a faltar no panorama musical da última década. Hard-Rock, puro e grosso. Balls to the wall.

Não podemos também deixar de apontar o facto que o vosso álbum foi produzido por Mike Clink, reputado produtor por detrás dos discos dos Guns N’ Roses, incluindo Appetite For Destruction. Podem contar-nos um pouco de como foi trabalhar com um produtor que já vendeu quase cem milhōes de discos pelo mundo fora?

Vice: Foi exatamente aquilo que qualquer pessoa pensa no instante em que se lembra do Mike. Uma experiência única. Completamente fora deste mundo. Se voltasse atrás no tempo e fosse dizer ao Vice miúdo que um dia viria a trabalhar com o produtor dos GNR, provavelmente não acreditava. A verdade é que a ajuda do Mike foi algo de imprescindível. Serviu para ajudar a banda subir vários degraus. Degraus necessários nesta primeira fase. Degraus que certamente vão ajudar a competir neste mundo digital tão difícil.

O Dave Mustaine dos Megadeth, com quem Clink trabalhou ao produzir Rust in Peace, citou-o como uma influência na sua técnica de tocar guitarra pelos álbuns que produziu no mundo do Hard Rock. Vocês sentiram a influência dele ao trabalharem juntos? Mudou alguma coisa na vossa técnica habitual ou modo de tocarem juntos?

Vice: O Mike fez bem mais do que inspirar ou influenciar a banda. O Mike serviu como um farol que leva um barco para o porto seguro. Fez aquilo que os bons produtores fazem. Em vez de forçar a banda a fazer isto ou aquilo, guiou a banda em direções favoráveis, respeitando sempre a nossa identidade musical. A verdade é que depois de aplicar-mos as sugestões do Mike, as peças encaixavam com maior facilidade. A musica soava toda muito melhor. Crescemos muito.

Se tivessem a oportunidade de escolher o produtor para o vosso próximo CD sem restriçōes, iriam optar de novo por Clink? Ou iriam experimentar outro produtor de renome? E se sim, quem?

J.: Acho que no nosso caso, o ditado ‘If it ain’t broke, don’t fix it.’ nunca fez tanto sentido. Não temos dúvidas de que o Mike tem muito mais para oferecer à banda, e os YDC tendem a funcionar como uma pequena família. Não deixamos ninguém para trás.

É importante ver que, num mundo em que o género do Hard Rock muitas vezes troca substância por estilo e não se preocupa muito com questões actuais, vocês também têm músicas com uma carga política elevada. É um tema que consideram importante? Prestam muita atenção à política actual, numa altura em que o mundo parece estar em rebuliço?

J.: Acho que todas as formas de arte têm de ser algo mais do que um quadro bonito pendurado numa parede ou uma série de acordes entrelaçados. Se não há uma mensagem clara para oferecer, mais vale não fazer nada. Há bandas a falar de tudo, os YDC escolheram, em grande parte, a componente sócio/política mais incendiária. São temas que desde muito novo mexem comigo de forma inexplicável, e os artistas tendem a falar daquilo que lhes é mais querido. Queremos acima de tudo tocar boa musica e se juntamente com isto conseguirmos acordar algumas almas adormecidas, melhor para todos.

Nas músicas já lançadas, o vosso amor pelo Hard Rock clássico transparece obviamente, mas pelas temáticas, nota-se que também estendem a mão a outros géneros, como o Punk ou talvez até o Metal baseado em riffs. Ouviram muita música produzida por Clink para se prepararem para a gravação do disco?

J.: A amálgama de influências dos vários membros da banda ajudou em muito a criar este Hard-Rock tão clássico mas ao mesmo tempo tão inovador. Quando se fala em música, não se deve falar única e exclusivamente de um só género. As bandas que procuram criar uma identidade, uma impressão digital, acabam sempre a juntar elementos de toda a musica que ouviram desde miúdos até à data. Em relação à biblioteca de Clink, ouvimos a única coisa que é necessária. Os Guns.

Finalmente, quais são os planos da banda para o futuro próximo?

Vice: Vamos fazer a única coisa que nos interessa: vamos tocar. Sem merdas. A maioria das bandas tende a esquecer o que significa estar numa banda em primeiro lugar. Lançam um disco e ficam demasiado agarrados a detalhes, esquecendo-se de tirar algum proveito disto. Nós queremos levar o álbum para a estrada e espalhar, na medida do possível, a nossa música. Já temos dois concertos marcados em Londres e estamos no processo de arranjar mais venues. Até lá, vamos poder dizer que estamos a fazer o que gostamos.

Obrigado pela vossa disponibilidade e termino perguntando se há algo que queiram dizer aos vossos fãs leitores da Rock N’ Heavy que certamente esperam o vosso CD com ansiedade?

Vice: Estamos aqui. Com vontade de ficar.

Vice

J. Delle Chiave

Nuno


Entrevista – Jorge MartinsFotografia – Rui M. Leal