Entrevista SOTO

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Soto é o novo projecto do vocalista Jeff Scott Soto, tornado célebre por integrar a Rising Force, banda associada aos dois primeiros discos do guitarrista Yngwie J. Malmsteen, e hoje considerados clássicos no género. Com presença em diversos grupos, como Journey ou Talisman, e também desenvolvendo uma carreira a solo, Soto tem em “Divak”, o segundo longa duração deste novo projecto. Com novo disco e a sua presença no nosso país, assegurada para o próximo dia 3 de abril, a conversa com a Rock n’ Heavy mais que se justificava.

Segundo disco em quinze meses, significa que se tem mantido ocupados.
Pode-se concluir que ficaram satisfeitos com o resultado de “Inside The Vertigo”?

Sim, mas não estávamos tão satisfeitos com a apresentação de SOTO principalmente porque havia problemas com management e a atenção dada ao nosso novo selo. Decidi, em vez de esperar que as coisas se resolvessem, colocar a banda a todo o vapor, e começar a escrever o próximo álbum, para suceder rapidamente ao anterior. Tivemos uma série de reuniões e discussões sobre o que fazer desta vez, e o resultado está neste novo trabalho, “Divak”.

Como artista a solo, tiveste uma carreira bastante visível, porquê centrares agora numa nova banda e entidade?

A minha carreira a solo foi mais um caso de “fazer tudo o que eu sonhei em fazer”. Eu não queria adicionar este novo rumo, mais pesado, para ele ser apenas mais um elemento. Eu senti falta da orientação mais Heavy e agressivo na minha música e queria que esse lado tivesse mais destaque nos meus temas. Fazer isso como “uma banda” ajuda a transportar isso para o grupo e permite refletir em todo o som do grupo e não, apenas, na minha voz.

Foto por Natalia Britt
Foto por Natalia Britt

Em SOTO reuniste alguns virtuosos nos seus instrumentos, como Jorge Salan e David Z, além do multifacetado BJ, com quem já tinhas trabalhado no projeto a solo. Como os encontraste?

Todos eles integravam a minha banda a solo, ao longo dos anos, onde fomos criando laços incríveis e uma química única. Reuni o melhor, à minha volta, para ser capaz de extrair da banda todas as facetas da minha carreira, por isso era inevitável que precisasse deles, na altura de criar algo tão complexo como SOTO. O fato de que todos eles cantam, assim como tocarem tão bem, foram imperativos nos critérios de os escolher para minha banda em digressões… mas é ainda mais importante que eles sejam vistos, agora, como uma banda comigo, não para mim.

Trazendo jovens músicos para a cena, onde virtuosos são geralmente músicos nos seus 50 ou 60 anos, significa que vês necessidade de rejuvenescer o mundo do Hard Rock?

Eu só sinto a necessidade de me expressar da melhor maneira possível, musicalmente. O facto de que eles são mais jovens me ajuda a permanecer atual, além disso, os tipos da minha idade não estão interessados em fazer algo novo e fresco. Eu acho que para mim, a música deve mostrar crescimento e mudança, e gosto de manter essa atitude.

Em poucos dias irás estar a tocar Portugal, o que podemos esperar? Há planos para tocar músicas de outros projetos onde estiveste envolvido?

SOTO é uma banda, temos 2 álbuns agora, é como pedir aos Foo Fighters após dois álbuns se eles vão tocar músicas do Nirvana ainda. Claro que vou manter algumas coisas familiares, do meu passado, no conjunto mas como este não é um show Jeff Scott Soto, ele deve ser tratado e respeitado como um show SOTO onde não tens que tentar colocar uma música como a “Wrath” no setlist, ao lado da “I’ll Be Waiting”!

Além de Soto, no ano passado também gravaste o disco para Joel Hoekstra’s 13, há planos para entrarem em digressão?

Nenhum seja quem com for e qual for. SOTO é a minha prioridade número um… Posso encaixar aparições como as que irei fazer com Talisman no próximo mês, mas não estou a tentar competir comigo mesmo ou adicionar mais coisas ao meu tempo.

No entanto vão sempre aparecendo projetos e propostas, quer para ti, quer para os outros elementos, o terceiro CD está já planeado, ou esses projetos irão aparecer pelo meio?

É demasiado cedo para planear algo novo, primeiro queremos ver como “Divak” é recebido… mas a ideia presente é manter o ritmo com SOTO, quer ao vivo, quer gravando novos discos!

Foto por Natalia Britt
Foto por Natalia Britt

Agradecimentos: earMusic