Entrevista com We Bless This Mess

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Proveniente da Invicta, Nelson Graf Reis, de nome artístico We Bless This Mess, é um jovem músico movido por uma positividade contagiante. O Folk corre-lhe nas veias. Já conta com um EP lançado, alguns singles e dois álbuns de estúdio, sendo que um dos álbuns reúne todos os temas já lançados até ao momento e o outro é um Split (um álbum produzido a meias), que foi feito em parceria com o músico “The Fellow Man”.

Boas Nelson, bem-vindo de novo à Rock N’ Heavy!

Antes de criares We Bless This Mess estavas inserido noutro projeto completamente diferente, os “Blackjackers”, sentiste necessidade de procurar algo que fosse mais pessoal e que te “acalmasse”?

Nem por isso, foi um processo natural. Eu vejo a música como um universo e não tenho nenhuma limitação a nível de criação. Se por acaso parece ser mais calmo do de Blackjackers não foi sequer pensado e não existe nenhum tipo de ligação entre acontecimentos.

Fizeste uma parceria com o “The Fellow Man” e lançaste em conjunto com ele o álbum “All Is Sound” que resultou muito bem, diga-se de passagem, como é que tudo se processou?

Foi uma experiência mesmo única pois gravámos o disco em parceria durante uma semana praticamente, incluído a criação do artwork. Marcámos as datas de apresentação em Portugal e no Reino Unido, e de certeza que vai ser para ambos uma experiência que não vamos esquecer. 🙂

Costumas também participar na Restless Tour, organizada pelo Poli Correia dos Devil In Me e Sam Alone, dá para ver que vocês são como uma família, fala-nos um pouco do ambiente que se vive por lá.

Acho que a Restless tour foi uma ideia muito bem conseguida, à semelhança de outras tours de colaboração como a Revival nos EUA. O ambiente criado é familiar obviamente porque estamos a tocar em conjunto para celebrar o nosso amor pela música, isso é o que temos todos em comum. As amizades desenvolvem-se e cria-se então um espaço de network e entre ajuda.

Nos temas que produzes, procuras sempre inspirar positivamente o ouvinte e isso sente-se. É algo que também te caracteriza, estás sempre de bem com a vida?

Acho que vai para além da dualidade do positivo negativo porque todos esses conceitos são relativos. Quero criar sensações nas pessoas, quero transmitir paz, e paz não é estar feliz ou triste, é aceitar o estado onde nos encontramos. Eu sinto-me vivo, sinto-me aqui e agora, e esse sentimento é muito mais forte e real do que “ser feliz” ou “triste”, eu sou a vida que crio e eu sou responsável pela minha realidade, porque é que não haveria de estar bem com ela? 🙂

Tens família no Brasil e já tens uma carreira internacional, já correste a Europa e inclusive foste aos E.U.A! Achas que o facto de teres contactos no Brasil foi uma mais valia para aquilo que já conquistaste?

A gravação do 1º EP (Love And Thrive) foi lá, certo… mas foi só o arranque. Não acho que tenha sido assim tão decisivo. Mas claro que é sempre um prazer ir lá, rever as pessoas que me são próximas.

Na tua antiga banda eras um jovem mais “maluco”, sentes que desde que criaste We Bless This Mess cresceste como músico e que de certa forma também “acalmaste”?

Eu vim da música clássica, toco violino desde os nove anos. Passei pelo Rock’n’roll, Punk, Hardcore Punk, até já toquei música electrónica com o meu irmão Marcelo (Wushta). O meu crescimento como musico vai ser eterno. Se calhar fiz umas canções mais “calmas” com WBTM, mas isso não quer dizer que no futuro próximo não volte ao Punk :).

Nem sempre atuas a solo, por vezes trazes a tua banda, qual é o critério que usas para escolher?

Adequa-se para o concerto em causa – se é mais intimista ou se é necessário “puxar” mais pelo ambiente. É consoante as oportunidades.

Sabemos que fundaste uma editora, a Oh Lee Records e colaboras em organizações que visam dar notoriedade a artistas que ainda se encontram em fase de crescimento, fala-nos um pouco sobre tudo isso.

O amor que eu tenho pela música deixa-me num estado de agradecimento à vida enorme, acho que o que mais me motivou a criar a Oh Lee com o meu irmão foi o exatamente a expressão desse amor, de poder estar a par com o que acontece na industria, de poder ver como as coisas são realmente feitas, como posso ajudar um artista a desenvolver-se e protege-lo de uma indústria corrompida pelo dinheiro, fama, prémios e números.

Lançaste recentemente um novo tema intitulado de “Ocean”, vamos ter em breve um novo álbum? O que esperas ainda conquistar no futuro?

Sim… tenho já bastantes temas preparados e está tudo a ser trabalhado no sentido de gravar novo álbum muito em breve. Não penso muito na perspectiva de futuro, muito sinceramente… é só desfrutar do momento e deixar as coisas fluírem! Tudo surge na altura certa, quando assim o tem de ser.

Uma última mensagem para os leitores.
Estejam em paz. Desfrutem da vossa vida, ela é preciosa.