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Epica [Janeiro 2012]

Epica editou “Design Your Universe”, em 2009. Agora a banda regressa à ribalta a todo o gás e muitos aguardam avidamente o novo álbum de estúdio, “Requiem for the Indifferent”, que será editado em março deste ano. Entretanto, os fãs continuam ansiosos pela oportunidade para descobrir as novas músicas nos concertos ao vivo no Incrível Almadense e no Hard Club, no próximo mês de abril.

Para começar, acho que todos gostávamos de saber se durante a gravação do novo álbum, ou enquanto estiveram em digressão, aconteceu algum episódio curioso ou insólito?
Yves: Houve um holandês que queria ter tatuagens dos nossos autógrafos nas costas. Num primeiro momento pensamos que só teríamos que assinar nas costas dele com um marcador e que depois um tatuador faria a tatuagem propriamente dita. Mas não, ele queria mesmo que cada um de nós assinasse nas costas diretamente com a máquina de tatuar, sem qualquer tipo de preparação. E assim fizemos. No entanto, nunca tínhamos tocado numa máquina de tatuar. Na verdade, nenhum dos membros da banda tem sequer uma tatuagem. Podem imaginar o aspeto do resultado final e a dor excruciante que esse holandês teve que suportar, mas no final ele estava muito feliz.

O estilo musical de Epica desafia as tentativas de classificação. Alguns dizem que é metal sinfónico. Mas do teu ponto de vista pessoal como definirias o som da banda?
Yves: Metal sinfónico com vocalista feminina.

E no que diz respeito ao novo álbum, “Requiem for the Indifferent” – isto quase parece um ultimato – será que podias levantar um pouco o véu acerca do significado desse título?
Yves: Todos temos que começar a ter em consideração diversos temas como o ambiente, a crise económica e a natureza autodestrutiva da humanidade. Se todos nos preocuparmos com isso, conseguimos fazer a diferença. Se todos olharmos para o outro lado, afundamo-nos cada vez mais nestas crises.

De que forma se enquadra “Requiem for the Indifferent” em relação a “Design Your Universe” e aos álbuns anteriores?
Yves: É o sucessor natural de DYU. Utiliza DYU como modelo, mas dá um passo em frente, definindo, à data, o som de Epica. Desta vez o Isaac teve tempo para trabalhar no álbum desde o início, logo teve mais influência no resultado final.

Em dezembro de 2011 todo o trabalho de gravação, mistura e masterização de “Requiem for the Indifferent” estava terminado. O que nos podes dizer sobre esses momentos e acerca das pessoas que colaboraram neste processo?
Yves: A equipa foi a mesma que trabalhou connosco nos álbuns anteriores. Sascha Paeth é o produtor, Amanda Somerville é a supervisora lírica e Miro trata dos arranjos orquestrais. Não estive muito em contacto com eles, só compus as minhas linhas de baixo, comuniquei com a banda e a seguir gravei as partes de baixo em casa e enviei-as para o estúdio. Eles fizeram de novo um trabalho fantástico, assim sendo para quê mexer numa equipa vencedora? Heile também faz parte da equipa, neste momento. O design artístico tem sido da responsabilidade dele nos três últimos álbuns. Ele é um artista fantástico.

De facto, Heilemann fez um ótimo trabalho na capa de “Requiem for the Indifferent”, que parece demonstrar a relação entre o mundo natural e o mundo tecnológico. Como é que isso reflete o conteúdo das canções?
Yves: Quero deixar a interpretação da capa à liberdade de opinião de cada um, e por isso não vou deixar aqui uma explicação. Todos são livres para fazer uma interpretação pessoal. Na verdade isso faz parte do prazer da descoberta e é algo que eu não quero de forma alguma estragar.

Será que há uma intenção social ou política subjacente a “Requiem for the indifferent”? De que forma é que a banda se posiciona no contexto desta crise mundial e achas que a música pode ajudar a que a humanidade caminhe na direção certa?
Yves: Os nossos álbuns sempre tiveram algumas visões críticas acerca do mundo e dos seus habitantes. A opinião dominante neste álbum centra-se no facto de que apenas conseguimos superar os problemas, se todos fizermos alguma coisa no sentido da mudança e sem nunca desviarmos o olhar. Não afirmo que as opiniões presentes nas nossas letras correspondam ao caminho correto, são apenas o testemunho daquilo que os autores pensam ou sentem. Cada um de nós deve formular a sua própria opinião.

Epica já tocou algum material novo ao vivo, estou correto? Que tal foi a sensação e como é que os fãs reagiram à apresentação dos novos temas?
Yves: Apenas tocamos “Storm the Sorrow” ao vivo. A reação foi muito boa. Obviamente que não podemos esperar que o público cante connosco e que enlouqueça durante uma canção que desconhece e ouve pela primeira vez, ainda que este seja um tema acessível numa primeira audição. No geral, as restantes canções exigem muito mais de quem as escuta, por isso agrada-me o facto de o álbum ser editado antes de as tocarmos ao vivo, visto que assim todos se podem preparar para as músicas verdadeiramente complexas.

Depois, para Epica, começa a digressão de promoção a “Requiem for the Indifferent”. Como é descreves a experiência de estar em digressão com a banda e restante equipa? E quais são as tuas expectativas pessoais para este ano na estrada?
Yves: É como voltar para casa e para a nossa segunda família. A rotina diária muda para algo completamente diferente, com um conjunto de regras e pessoas diferentes. E não são apenas os músicos da banda que fazem parte dessa família, mas também a equipa, até porque muitos deles já trabalham connosco há imenso tempo. As minhas expectativas: até ao momento não está programada uma visita a novos países, onde a banda ainda não tenha tocado, logo não espero muitas surpresas. Julgo que será como nas digressões anteriores, mas, se possível, com audiências ligeiramente maiores.

Epica tem muitos fãs portugueses e essa devoção será recompensada com duas datas na próxima digressão. A banda, que tocou no Vagos em 2009, regressa, em abril, a território nacional. Como foi a experiência de tocar nesse festival e que memórias guardam de Portugal?
Yves: De facto, se não estou enganado, o nosso último concerto em Portugal foi em Lisboa durante o mês de março de 2010. Portugal é um país do sul e pela nossa experiência as pessoas do sul são mais emotivas do que aquelas que são oriundas do Norte, normalmente mais reservadas. Por isso os concertos em Portugal são sempre muito bons, porque há mais aplausos e interação. Foi assim a minha experiência no Vagos. Isso, e o verão extremamente quente!

Nesta passagem por Portugal, a banda vai tocar em duas salas de concertos. Uma experiência bem diferente do Vagos, dado que este tem um ambiente de festival ao ar livre. O que podemos esperar dos próximos concertos em Lisboa e no Porto, e qual é o ambiente preferido da banda nos espetáculos ao vivo?
Yves: Tocar numa sala de concertos permite mais intimismo e mais contacto com o público. Temos também mais possibilidades em termos de iluminação, facto que nos dá um maior controlo da atmosfera. Eu prefiro tocar em festivais, porque há mais ar e geralmente os palcos são maiores. Mas agrada-me que haja um equilíbrio entre os dois tipos de espetáculos.

Quais são as tuas canções preferidas de “Requiem for the Indifferent”?
Yves: “Storm the Sorrow”, porque é uma canção que fica no ouvido. Além disso tem um significado especial para mim. O meu autógrafo tem um certo ritmo ou padrão quando eu o assino. Esse padrão específico é o verso da canção e foi especialmente feito para isso. Assim, o meu autógrafo é a inspiração para o verso da canção. “Internal Warfare” também é muito “cool”, porque é mais cinemática e malévola, sendo que estes são dois aspetos que eu aprecio numa canção.

Como é que te sentes em relação a “Requiem for the Indifferent”, e será que nos podes elucidar sobre a tua experiência durante a gravação dos novos temas?
Yves: Foi uma experiência stressante, porque houve menos tempo para preparar tudo e gravar. De resto, correu tudo como nos álbuns anteriores. Em última análise, posso dizer que terminamos a produção do nosso melhor álbum em menos tempo do que nos outros trabalhos.

O que reserva o futuro para os Épica?
Yves: Digressão digressão digressão. Também vamos lançar um videoclip e fazer algo especial para o nosso 10º aniversário.

Por último, algumas palavras para os fãs?
Yves: Lembrem-se, eu sou belga e não holandês. Também não gostariam de ser confundidos com brasileiros, certo?;)