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For The Glory [Abril 2011]

Porquê o nome “Some Kids Have No Face”?
O conceito por detrás do nome, é como a própria letra indica um grito de revolta de toda uma geração e acima de tudo um assunto que achamos importante referir.
Somos cada vez mais vistos como apenas números, códigos de barras, estatísticas para os grandes senhores do dinheiro e do poder. Os problemas reais que não os atingem, sabemos que atingem a todos nós os meros “mortais”. O hardcore não é apenas música, e essa letra tem claro toda uma importância que evidencia o porquê de não ser apenas música. São assuntos reais que nos afectam a todos, as oportunidades que temos nos dias de hoje, o facto de vermos os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, o mercado de trabalho mais reduzido, as empresas de rating que influenciam mercados e por erros que não cometemos vamos sofrer, vamos continuar sem cara, sem nome às exigências do capitalismo puro. Querem dominar países para enriquerecem.
Quem fica a sofrer serão sempre as pessoas normais, que sobrevivem nesta era governada pela ganância e pelo dinheiro.

O que é que vos deu mais prazer na concepção deste último álbum?
Este disco foi mais pensado, não digo pensado na orientação musical, mas pensado porque tivemos mais tempo para o fazer. O disco anterior foi numa fase em que a banda estava mais em baixo, devido às saídas de vários membros, foi como ter de lançar um disco que apesar de gostarmos dele sabíamos que poderíamos dar mais e melhor.
O SKHNF já foi executado com mais calma, e dá um prazer enorme ouvir as músicas e saber que ali está o que melhor poderíamos fazer na altura.
Houve momentos que foram bastante divertidos durante a gravação, e em particular na noite em que fomos gravar as vozes na The Pack, que estavam todos no studio para gravar, fazer a letras, encaixar no som. Foi engraçado conseguir quebrar barreiras em termos de ter várias vertentes da cena hardcore na mesma sala e a cantar uma música que fala sobre isso mesmo. Foi brutal!

Até agora, lançaram um único videoclipe intitulado “Survival Of The Fittest” que faz parte do penúltimo álbum. Poderá o vosso último trabalho também ser merecedor de um video?
Nós nunca tivemos assim essa grande prioridade de fazer um video, surgiu a possibilidade de fazer esse video para um projecto de um rapaz do Porto, e ele tratou de tudo e fomos fazer isso, teve piada o facto de tocar mesmo um concerto dentro de uma arena, ficaram alguns takes fixes, depois a história foi ele que pensou com o nosso aval e ficou porreiro.
Para este disco, pensámos em fazer 2 videos, um assim mais clássico com imagens de concertos, dos bons momentos que passámos e passamos. E depois surgiu a ideia também de fazer algo mais de intervenção para a música titulo do disco, com algumas imagens e mensagem sobre a nossa visão do que se passa à nossa volta na sociedade actual.

Há algum concerto que vos tenha marcado especialmente na presente tour?
Se a presente tour que falas é a de promoção ao disco, tem havido bastantes concertos bons, todos eles foram muito bons em termos de reacção, e depois há aqueles que achamos que poderão ser estranhos e acabam por surpreender. O Moita Metal Fest foi um desses, estávamos a tocar para um crowd mais metal e acabámos por nos divertir imenso, porque o importante daquele dia foi quebrar a barreira entre os amantes de música extrema, todas as pessoas presentes queriam se divertir e foi esse o espírito que se viveu. Acabar o concerto e receber boas críticas sobre o nosso set de pessoas que diziam que não gostam de hardcore, mas que adoraram a energia e o feeling, é sempre muito porreiro. Ficamos super contentes por tocar para pessoas que não são do meio, queremos cada vez mais tentar alargar o leque de pessoas que possam conhecer a banda, não só pela música mas também pelas letras e a mensagem que carregam.

Qual é a sensação de ver público cada vez mais jovem presente nos vossos concertos?
A cena hardcore é bastante cíclica, tende a mover-se em trends e por norma, todas elas voltam sempre. Os míudos novos nos concertos são alma da cena hardcore, porque os velhos já ficam mais naquela do “tenho de pausar” e já não se mexem tanto. O que me cativou a mim na cena hardcore há uns anos atrás foi conseguir aliar os concertos energéticos com o facto de ser bem recebido e também com a mensagm que as bandas tinham entre temas. O facto de não ser olhado de lado, de ser bem recebido, fez-me continuar a ir a concertos e cada vez mais tentar compreender e descobrir a cultura punk hardcore. Espero que nos nossos concertos também os miudos novos, venham para se divertir e levem algo de casa mais do que apenas a música ou umas nódoas negras, serão sempre benvindos hahaha.

Acham que a pirataria têm vindo a afectar o número de vendas dos vossos cd’s?
É normal que afecte pois deixámos de vender mais cds, mas por outro fez com que os sons chegassem mais longe, mais gente que nos contacta, mais pessoas pedem shows de FTG lá fora, portanto os torrents e os sites de partilha até ajudam numa pequena banda como nós. Claro que continuamos a vender cds e sabemos que quem gosta irá querer ter a sua peça na mão, para ler as letras, ver o artwork, mas compreendo que pessoas que não gostam a sério de core, prefiram sacar para depois ouvir aquela música que até acharam piada.
Não nos opomos que saquem a nossa música, mas se quiserem comprar os cd’s também ajudam bastante para que possamos continuar a tocar haha

Notam alguma diferença entre Portugal e os restantes países, relativamente ao apoio que dão a este género musical que é o hardcore?
Em termos de apoio à musica em geral, em certos países europeus, as bandas recebem apoios estatais para fazerem tours, porque estão a promover a cultura do seu país. Em Portugal nota-se uma certa tendência em apenas apoiar as bandas ou aqueles que estão numa certa onda de editora certa, management certo.
Mesmo em termos de locais para tocar, todas as cidades e vilas na Alemanha têm Youth Centers, que as próprias entidades locais facultam para se marcarem shows, apoiam a música independemente da sua vertente.
Relativamente ao hardcore propriamente dito, os concertos em Portugal são assim mais acolhedores, aqui apesar de agora estarmos na rota de todas as grandes tours, não somos mimados o suficiente para deixar de ir a shows só porque sim. Apesar de já se começar a notar alguma quebra no número de pessoas que vai a concertos, porque começa a haver demasiado para um país com a nossa dimensão. Mas no geral temos uma cena forte, temos boas bandas. Bandas que cada vez mais começam a dar cartadas na Europa e mesmo no Canadá, nos States… fico contente por ver que o hardcore Português começa a ter o reconhecimento que lhe é merecido, pois estamos “longe” do centro da acção, mas as nossas bandas conseguem fazer 2000km e dar bons concertos por essa Europa fora. O hardcore português está vivo, mas faltam mais salas que estejam dispostas a receber concertos de hardcore, salas como havia o Ritz Club, etc.
É preciso perceber que esta cultura não vai enriquecer ninguém, mas que merece que lhe abram as portas para mostrar que existe valor, tanto em termos de música como em termos de ideias fortes com um conteúdo importante.

Quais são as vossas maiores influências neste momento?
Eu vou falar por mim, pois os outros têm outros gostos… eu parei um pouco no tempo, há bandas que ouço há anos e continuo a ouvir no dia a dia, pois são bandas que me marcam e que adoro mesmo, vou dar alguns nomes de bandas que ouço e me fazem ficar meio maluco, assim muito rapidamente:
No Turning Back, No Warning, Ragmen, Ramallah, Blood For Blood… são algumas das bandas que ouço diariamente.

Pretendem fazer alguma colaboração no futuro? Com quem e porquê?
Nunca pensámos muito nisso, não sei porquê mas nunca calhou sequer discutirmos isso.
Lançámos um split 7” com duas bandas alemãs e uma da dinamarca, se isso conta como colaboração, então já fizemos haha.
Mas não temos assim grandes ideias de fazer uma colab, nem temos grandes planos em relação a isso.

Haverá alguma possibilidade de os For The Glory virem a lançar um dvd?
Lançar um dvd não está nos planos, achamos que não temos história suficiente para lançar um dvd, temos tempo de fazer essas coisas todas. FTG trabalha a um passo muito próprio, não queremos estar a correr para fazer as coisas. Ascenção e queda pode ser tudo muito rápido… temos tempo. DVD para já? Não. Se estamos a pensar nisso? Não.

Têm alguns planos para breve?
Temos alguns concertos agendados para este ano em Portugal, vamos fazer alguns fests de Metal como o GSM e o Metal GDL, depois iremos fazer shows de clubes mais hardcore. Iremos em Setembro fazer uma tour pela Europa, estamos a ultimar os últimos detalhes sobre a tour e assim que houver mais novidades iremos anunciar.

Uma curiosidade, no vosso último álbum “Some Kids Have No Face”, no final da última faixa “The Pack”, existem dois ou 3 minutos de silêncio que seguem de uns belos acordes de guitarra. Há algum propósito para tal?
Tentámos fazer uma cena diferente só para curtir. O João tinha umas cenas giras de guitarra, e decidimos incluir no disco porque curtimos bué! A ideia era ter uma especie de interlúdio no disco para deixar repousar um pouco, mas decidimos que queríamos o disco sempre a rasgar, por isso colocámos essa ideia no fim como hidden track, o cláudio deu uns toques com alguns ambientes e ficou. Nada de especial em relação isso, tirando a cena de que curtimos bué hahah