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Hills Have Eyes – [Novembro 2011]

Como funciona, quando uma banda “de garagem” passa a estar num patamar profissional. A vossa postura, enquanto grupo, teve que mudar?
É um processo natural.. acho que nem nós demos bem por isso. Acompanha-nos com o crescimento como pessoas, obviamente que agora com o desenvolvimento da nossa carreira sentimos que temos mais responsabilidade e tentamos fazer as coisas com o maior rigor que a vida nos permite.

Recentemente invadiram-nos com o grande vídeoclipe da música “Strangers”, do vosso álbum, “Strangers”. Foi uma também realização do John Filipe. Qual é a sensação de se verem espalhados, não só de uma forma sonora, mas vinculados em imagens tão fortes e profundas, como as que temos em “Strangers”?
Foi a nossa primeira experiência em vídeo e ficámos muito satisfeitos com o resultado final. Tivemos a oportunidade de “brincar” com o conceito da musica, misturando amigos nossos. Nunca sabes bem como poderá ser o resultado final, mas nestes casos, deixa para quem sabe. Obrigado ao John pelo trabalho feito.

Apercebemo-nos ao assistir ao making of do mesmo, do trabalho e da exigência que foi imposta para a concretização de “Strangers”. Conseguem retirar desse lado mais rigoroso, o gozo necessário para que se termine o trabalho com prazer?
Claro que sim, acima de tudo fazer música é algo que nos move enquanto pessoas. Os anos passam, mas não conseguimos deixar de pensar nisto, de ter a necessidade de tocar ao vivo, gravar.. quando assim é, tens sempre prazer, principalmente quando as coisas te correm bem, como felizmente tem sido.

Participaram em vários concertos com More Than Thousand, e o Vasco Ramos (vocalista da banda) esteve também por detrás da produção do álbum “Black Book”. MTAT será uma banda que irão carregar no peito (no sentido simbólico), pela ajuda e o incentivo, até chegarem onde chegaram?
Já temos uma amizade de muitos anos com os MTAT, partilhamos a mesma garagem e não podemos negar que é uma banda “especial” para nós. Muito mais pela amizade, principalmente do Vasco, Filipe e Sérgio – amigos de longa data. O Vasco tem outra ligação aos HHE, é o nosso produtor. Trabalhou o “Black Book”, está a trabalhar connosco no “Strangers” – é alguém que trouxe á banda o conceito de produtor, outra visão para a nossa música. Ajudou-nos imenso e é uma pessoa com um talento musical imenso, que percebe o que está a fazer e para quem está a fazer. O reconhecimento musical dos MTAT e a nossa amizade com eles só nos faz ter coisas boas a dizer e recordações que vão ficar para sempre.

Apenas com um EP já tinha acordo com uma editora internacional. Agora com um trabalho mais disciplinado, profissional e melhorado, quais são os vossos horizontes?
Quando gravarmos o EP queríamos disponibilizar na internet, porque ninguém conhecia HHE. Acabámos por ficar meio surpresos com o que estava a sair dali e tivemos algum pessoal interessado em trabalhar connosco. Não vale a pena fazer grandes floreados, não foi nada demais, mas permitiu-nos dar montes de concertos, vender o ep em países como o Japão e dar-nos a conhecer – que afinal era o que queríamos mais. O “Black Book” foi a nossa vontade de nos estabelecermos como banda e o “Strangers” é mais um passo. Os horizontes são tocar cada vez mais, concertos melhores e para mais pessoas, mas acima de tudo, continuar a divertir-nos, é para isso que tocamos.

Acreditam que a imagem está directamente associada ao que uma banda toca, sendo uma chave para atingir o público, e uma rápida forma de marketing? Como que se um alerta: Eu uso isto: eu toco aquilo que sou enquanto imagem.
Claro que sim, toda as bandas se preocupam (senão deviam) com a imagem. Não só o usar, mas como tiras fotos, se fazes ou não vídeos, os cartazes etc. É crucial trabalhar essa parte.

Cada vez somos mais confrontados com formações de bandas pequenas, que como vocês, esperam atingir palcos grandiosos. O uso das redes sociais veio incentivar a que não se desista dos sonhos, visto ser mais fácil afirmar a realização de algo através das mesmas?
A internet sem dúvida que veio revolucionar a promoção. Não estamos a descobrir a pólvora.. As redes sociais é um fenómeno brutal, mas também há que saber usá-las.. é como tudo.. Mas sem dúvida que nos ajuda a nós e a todas as bandas que querem chegar um bocado mais além.

Lembram-se de alguma crítica específica, que tenha sido feita no início da vossa carreira, e ao fazerem uso da mesma, tenha havido um melhoramento drástico na vossa postura?
Sinceramente, nem por isso. Houve várias.. muita gente gosta de mandar abaixo, como todos sabemos. Sabes que mais? Chega a um ponto que sabendo que há pessoal que te apoia e ouve a tua música, quem não gosta não interessa.. Só temos que agradecer do fundo do coração a todos os que nos continuam a apoiar e dar força.. é um dos grandes motivos que nos faz continuar a tocar. Mas claro, mais no início um amigo ou outro a dizer faz mais assim, ou estás a fazer isto mal, só pode ajudar.

Em determinadas faixas etárias é quase tabu falar no papel paternal. No entanto, concluem que o apoio, por parte da família, é crucial, no que diz respeito a atingirmos o que pretendemos?
Claro que é importante.. mas o mais importante é a nossa vontade. Se gostam de tocar continuem e não liguem ao resto. Os momentos bons hão-de surgir, mesmo que até chegar lá hajam muitos maus.

Aconteceu durante o vosso percurso, actuarem para um público com menos de 40 pessoas? (Se sim: Como se sentiram?) (Se não: Qual foi o público mais pequeno para quem actuaram?)
Ahaha, quantas queres? Desde Portugal, até á Europa.. Felizmente em Portugal, já não acontece, mas recordo-me da última vez.. antes de gravarmos o “Black Book” em Faro, na Associação de Músicos.. posso dizer-te que estavam lá uns 3 ou 4 bilhetes a pagar! Tocámos com Angry Odd Kids e Eleven Miles Apart.. Faz parte de qualquer banda, e só te faz crescer.. Assentar os pés na terra percebes? Em Munique por exemplo, em 2010 tocámos no Backstage, uma sala praí para 500 pessoas que devia ter uns 20 espectadores.. Havia um rapaz que não parava de se abanar, mesmo a curtir o concerto.. eu pensei.. olha para este.. deve tar bonito.. vim a perceber que pertencia ao staff da sala e menos de um ano depois voltámos a tocar lá e estava praticamente cheia. Faz parte, há bons concertos, há maus concertos. E vão continuar a haver.

Li que irão surgir novos projectos para 2012, muito atarefados? Depois da realização de “All Doves Have Been Killed” que teve vários percalços, já não temem esse ar pesado, que exige o trabalho?
Infelizmente temos todos outros trabalhos, que financiam a música.. os precalços vão sempre acontecer uma vez que não conseguimos fazer a música a full-time. Mas temos tudo controlado e 2012 vai ser um ano cheio para hills.

Se vos quisermos ver, onde vão estar nos próximos tempos?
Num futuro mais próximo, dia 13 de Dezembro no Santiago Alquimista, com os grandes Everytime i die e Vera Cruz. Em breve vamos anunciar a nossa tour de apresentação do “Strangers”, para Fevereiro de 2012 e uma tour europeia.. Fiquem atentos ao nosso facebook.

Para terminar, gostávamos que deixassem uma mensagem para o pessoal que está a começar um percurso, musicalmente, semelhante ao vosso.
Antes demais, obrigado por se terem lembrado de nós para esta entrevista, muita sorte para vocês! Sigam o vosso coração, toquem acima de tudo para se divertir! Tudo o resto vem a seguir.. Abração!