Entrevista com os Lhabya

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Parece que foi ontem que um grupo de amigos começou a despertar o rock na terra que os viu nascer, onde eram épicos os tempos em que os metaleiros dominavam a cidade. O preto era o fundo base e as meias até ao joelho gritavam “atitude”. Oito anos e muitas mudanças depois, os Lhabya regressaram com toda a força, e encontram-se em estúdio, a dar o litro na produção do tão esperado álbum de estreia.

“O processo está a ser incrível, adoramos estar em estúdio. Por vezes atingimos o pico da exaustão e esgotamos a paciência, pois são muitas horas a trabalhar no mesmo, mas no final do dia, o sentimento de dever cumprido compensa tudo. Para já, fechamos a gravação das baterias e começamos a gravar as guitarras”, contou o grupo, acrescentando que está tudo a correr bem, “com calma e muito trabalho”. Os dias são passados nos estúdios da Raising Legends, onde têm estado a trabalhar com o produtor André Matos. Sobre o longa-duração, a banda adiantou que é composto por temas antigos e alguns novos, uma mistura que procura vincar a identidade dos Lhabya no panorama musical nacional, com vista a alavancar a internacionalização. De relembrar que essa caminhada foi impulsionada pelo lançamento do primeiro registo de temas originais, intitulado “The Five Thousand Dollars EP”, em 2014.

Com o foco assente na gravação do álbum, esta é mais uma aventura para o grupo que, apesar de não ser a primeira vez que produz um álbum completo, é a primeira que conclui o processo. Dito isto, o objetivo é não olhar a preocupações, fazer o melhor possível e desfrutar ao máximo a experiência, tentando desta forma “marcar a história do rock nacional e internacional”.

Atualmente, a formação é composta por Tiago “Jaymz” Oliveira (voz/guitarra ritmo), Mauro Sousa (baixo/voz), Bruno “Magoo” Teixeira (bateria) e Leonardo “Leo” Macedo (guitarra solo/voz), mas até aqui chegar, foram muitos os imprevistos. “Os Lhabya nasceram quando trocamos os covers pelos originais. Desde então, já fizemos uma digressão pelos Estados Unidos da América (EUA), enfrentamos um furacão, fomos enganados, falsamente acusados, perdemos dois elementos em momentos bastante importantes, entre muitas outras coisas boas e menos boas. No entanto, continuamos aqui, a lutar pelo que acreditamos, agora com o Leo e o Bruno, os elementos mais recentes”, recordaram os jovens músicos, naturais do Marco de Canaveses, que se sentem “prontos a levar este navio a bom porto”.

As muitas pausas que tiveram nunca foram intencionais, sendo a maior parte provocadas por alterações na formação. Segundo o grupo, o regresso aos palcos foi excelente, embora, em Portugal, “seja cada vez mais difícil arranjar concertos em que não se perca dinheiro”. Apesar do carinho pelo público português, há um destaque especial para as passagens por Nova Iorque, pelo Arlenes Grocery, Crossroads, e claro, o concerto de beneficência para as vítimas do furacão da Universidade de Kean, onde foram espetacularmente acarinhados.

“Sangue, suor e lágrimas”, é o rasto que a banda nacional deixa em palco. Grande parte das vezes penam pelo som ser demasiado pesado para ser rock, mas não o suficiente para ser considerado metal, o que complica a tarefa de se enquadrarem em festivais de cada um dos géneros. Ficam a pairar entre o rock, o grunge e o metal, mas essa classificação, fica para quem os ouve. “Imagina que tens a pessoa que mais odeias a dizer-te as verdades a dois centímetros da tua cara, tudo aquilo que mexe contigo e não gostas de ouvir. Mas não a podes mandar calar, porque tem razão. As nossas músicas são um bocado assim. Somos aquela dor que te incomoda mas que não consegues parar de sentir, por ser demasiado viciante”, é assim que descrevem “a versão fantasiosa da coisa”. As influências de cada um, essas são muito diversas, passando pelo thrash, nu-metal, grunge e pela música mais tradicional.

Clichés à parte, os fãs nunca são suficientes e são precisos mais e mais. É por eles que uma banda “gasta o dinheiro que tem e que não tem”. “Por vezes estamos a tocar e a curtir mais ver o pessoal deixar sair toda aquela raiva pelos poros do que propriamente tudo o resto. É incrível o carinho e paixão que transmitem a ouvir as nossas músicas, estamos-lhes eternamente agradecidos”, disseram.

Quanto ao futuro, a vontade de subir aos palcos está mais clara do que nunca e, depois das gravações, é possível que haja uma oportunidade para desanuviar e matar as saudades dos concertos.

Para os seguidores, deixaram uma mensagem: “Queremos voltar em grande e já temos algumas surpresas pensadas. Para já, só podemos revelar que muito em breve haverá uma novidade inédita em oito anos de Lhabya. Estejam atentos”.