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O Bisonte [Agosto 2011]

O vosso projecto é relativamente recente. Para quem não conhece, quem são O Bisonte?
O Bisonte é um animal, do Porto, intempestivo e determinado. A sua acção é o mais honesta que consegue ser e impelida por fazer com que as pessoas se deixem de apatia e crítica de café para que possam sair à rua e terem motivos para celebrar a alegria e a tristeza de viver todos os dias.

A vossa ascensão foi muito rápida. Todo o projecto surgiu de forma intuitiva, sem grandes planos ou compromissos. Sendo vocês uma banda de rock do Porto, acham que a cidade se está a desenvolver artisticamente?
A cidade é, em si, muito desenvolvida, artisticamente. Existe um filão por explorar, no que toca à cidade de Porto. As bandas e os artistas que cá desenvolvem o seu trabalho são o que de melhor temos visto por aí. Não querendo desfazer qualquer banda que venha dos outros pontos do país, percebe-se claramente que do Porto vem a maior parte das coisas mais interessantes que se fazem por aí, a única diferença é que tem visibilidade menor. Claro que há sempre espaço para o desenvolvimento artístico, não fosse a arte algo que está em constante evolução. O Porto, enquanto pólo artístico está a crescer e vai continuar a crescer. Resta saber a atenção que vão dar a isso.

Vocês participaram no Rock Rendez Worten 2010. Ajudou-vos a alcançar mais público? O que retêm dessa experiência?
O Rock Rendez Worten é um concurso de bandas. Não somos nem nunca fomos apologistas deste meio de divulgação de música mas temos que ter em conta o tamanho do nosso país e a forma como a indústria funciona. Não há muitos outros eventos que dêem oportunidade às bandas para se exporem. Como estavamos lá inscritos no sítio do RRW e fomos escolhidos para ir tocar, sem sequer termos votos do público, decidimos que talvez pudesse ser uma coisa boa, o que na verdade foi. Claro que isto só funcionou em termos de contactos, que quanto ao resto foi uma programa de TV que deu umas duas vezes na Sic Radical mais uma colectânea que está à venda nas lojas da Worten. É um esforço que apreciamos, da parte da Worten mas o melhor que retiramos, disso tudo, foi termos conhecido O Padrinho.

Como vocês próprios já disseram, fazer música em Portugal é uma tarefa difícil. Ideias não faltam, agora os apoios e tudo o que daí advém… Como inverter isso? Acham que já há sinais de mudança ou o empenho na divulgação ainda é pouco?
A indústria é que não existe nem se auto-sustenta. Os discos que se vendem, globalmente, são muito poucos. Portugal não é excepção. O público está habituado a aclamar bandas que vêem com uma divulgação brutal, para cá, apoiadas por grandes editoras multinacionais, que mexem todos os cordelinhos. Ou seja, quando chega à nossa parte, ou nós somos inacreditáveis, a todos os níveis, e depois conseguimos arrastar multidões, ou então temos que fuçar até conseguirmos chegar a sítios em que tenhamos grande exposição mediática. A questão aqui coloca-se também desta maneira: preferimos ser o que somos e conquistar o público, que termos muita exposição mediática sem que o público nos reconheça antes por isso. A música é muito mais de quem a ouve do que de quem a faz.

Este “Ala”, muito bem recebido, aborda o presente e também situações/experiências que acabam por ser comuns. O que falta nesta era dos computadores?
Falta a acção humana. Falta a individualidade em vez do individualismo. Falta menos facebook e mais gargalhadas. É como se quisessemos menos “LOL” e mais abraços. A era dos computadores é necessária, prática e facilita muita coisa. Aliás, não estaríamos aqui a responder a isto se não fossem os computadores e seus aliados, mas ainda assim as revoluções fazem-se com pessoas, juntas. O Ala fala disso, das pessoas, das maneiras incríveis que têm de jogar umas com as outras, de se darem umas às outras, de se foderem umas às outras. Fala de pessoas, sempre, de amor, do mau, do bom, mas sempre do amor que existe nas pessoas.

Como é que se sentem ao terem a vossa faixa “Laia” no Cd NOVOS TALENTOS FNAC?
É um passo. Demos uma passo e fomos notados e aparecemos num catálogo de bandas do ano de 2011. É positivo e esperamos que sirva para dar mais passos a seguir.

A vossa capacidade enquanto músicos está à vista… Encontram-se envolvidos em mais algum projecto?
Sim. Tentamos estar sempre a fazer coisas. As duas coisas mais sérias talvez sejam Oblique Rain e O Diligente.

Sei que têm mais alguns concertos agendados… Como têm corrido até agora?
A recepção tem sido muito positiva. As pessoas têm reagido muito bem às músicas e à energia dos concertos. Esperamos poder continuar a subir a fasquia de concerto para concerto, afinal é para isso que fazemos música, para darmos mais e melhores concertos, para conquistarmos mais pessoas com a música que fazemos.

As expectativas estão altas! Qual vai ser o caminho do Bisonte? Novidades para breve?
O Bisonte vai continuar em ritmo de debandada. Temos bastantes planos para acontecerem já em breve. Falta fazer tudo. O Ala está a rolar e queremos dar mais às pessoas, o mais que pudermos e conseguirmos e com a qualidade a subir. A menos que isso não nos propomos.