free website stats program

Therion [Setembro 2011]

A maioria das pessoas conhecem-na dos Aesma Daeva e da sua colaboração com os Therion, mas a Lori Lewis não é só isso. É muito mais. Que mais faz?
Bem, eu dou aulas particulares de voz. Também estou a considerar voltar a estudar para terminar a minha licenciatura em música. Gostaria de a poder fazer no exterior em vez de nos Estados Unidos. Além disto, mudei-me do Minessota para o Oregon no Outono passado, e por isso estou ansiosa por testar um novo ambiente musical e espero participar em alguns novos projectos.

É uma das vozes dos Therion desde 2007. Tem sido uma presença constante nas tournés. Como tem sido essa experiência?
Tem sido agradável, na maioria das vezes. Adoro conhecer novas pessoas e novos lugares, por isso as tournés são uma experiência positiva para mim. Claro que nem sempre é tão divertido (especialmente se me sinto engripada), mas ainda não me desgastam. Também gosto muito de ter a possibilidade de recriar o espectáculo cada noite. Como artista clássica, muitas vezes só actuamos uma ou duas vezes em cada espectáculo (especialmente no mundo do coros). Por isso, é óptimo ter a possibilidade de desenvolver realmente as músicas e transformá-las como se fossem minhas.

Como conheceu os Therion e como é que, sendo uma cantora clássica, se tornou uma das vozes de uma banda de metal sinfónico?
Bem, no passado cantei com uma banda sediada em Minnesota: Aesma Daeva. Antes de cantar com os Therion, os Aesma Daeva já tinham feito a primeira parte de concertos dos Therion. O Cristofer lembrou-se que eles tinham uma soprano e ele estava a precisar de uma antes da tourné de 2007. Então, ele contactou um membro da banda e perguntou se eu estaria interessada em fazer uma audição. Eu fiz e foi assim.

Miskolc Experience… ao contrário de outros concertos da banda, o evento juntou os Therion com o Coro Miskolc Bartok e a Orquestra Sinfónica de Miskolc. Como foi esta experiência?
Para mim foi realmente um sonho tornado realidade, em certos aspectos. Pude misturar os dois géneros musicais que canto regularmente num espectáculo coeso. É pena só termos feito um espectáculo ao vivo, mas gostei imenso de trabalhar com o coro, a orquestra, a banda e com o Markus Stollenwerk, o nosso maestro. Espero um dia poder ajudar a recriar, de alguma maneira, esta experiência.

Sitra Ahra tem um som um pouco diferente dos albuns anteriores, mas a verdade é que tem sido um sucesso e a tourné foi incrível. Do que se lembra mais da tourné?
Muito obrigada! Foi uma boa tourné. Fizemos algumas mudanças no nosso cenário de palco e trouxemos um novo director de palco, e desta forma foi um verdadeiro sucesso para nós. Houve muitos momentos memoráveis nesta tourné, mas acho que foi para mim realmente uma verdadeira experiência tocar piano em algumas das canções. No entanto, como nota pessoal, devo mencionar que descobri que Itália não é o único país com o lendário “gelato”: a Argentina merece crédito pelo Freddo… Nunca fui grande fã de gelado, mas este lugar mudou a minha mente!. Ah, e termos uma escolta de motards até ao nosso hotel em El Salvador foi muito porreiro. Oh, e enquanto estava em tourné na Europa, gostei muito de ouvir todas as noites os Leprous, a banda de Notodden, Noruega. Eu não me canso de mencionar o quanto eles foram bons.

Qual é a canção dos Therion que mais gosta de cantar e porquê?
Bem, eu tenho algumas favoritas. Por exemplo, adoro “Siren of the Woods” porque o Thomas e eu tornámo-nos um pouco mais teatrais e criámos uma história tipo conto de fadas para esta canção. Gosto imenso desta. Também gostei bastante de cantar “Falling Stone” da nossa tourné Gothic Kabbalah de 2007. Foi muito divertido cantar com a Kat; ela é uma actriz consumada e dedicada. É óptimo actuar com ela em palco. Mas por razões totalmente egoístas, penso que as minhas preferidas, por serem “divaliciosas”, são “Abraxas”, “Arrow from the Sun” e “Son of the Sun”.

No entretanto, a Katarina Lilja decidiu abandonar a banda. Vocês criaram uma grande amizade e tinham uma dinâmica de palco muito boa. Como se sente em ralação a isto?
Estou obviamente triste ao vê-la sair, mas também estou muito feliz por ver que ela encontrou uma excelente oportunidade e quer explorar novas possibilidades. Espero que ela encontre todo o sucesso e alegria que tanto merece, embora não vá ser tão divertido andar em tourné sem ela. Mas também estou ansiosa por conhecer a sua substituta. É sempre interessante ver como a dinâmica irá mudar com um novo membro… de certa forma, mantém-se as coisas frescas.

Quando começou a cantar? A sua família teve alguma influência?
Canto desde que me lembro. Fui criada pelos meus avós maternos. O meu avô era muito musical e, de facto, teve muitos trabalhos em part-time como músico (principalmente quando estava matriculado na faculdade em Los Angeles, e mais tarde como músico de igreja/pastor). Assim, algumas das minhas primeiras memórias são do meu avô e eu ao piano, ele a tocar e eu a cantar. O meu primeiro solo foi com a idade de 5 anos, na nossa igreja. Tudo aconteceu depois disso… apanhei o “bichinho” e tudo o que mais queria era cantar e actuar.

Quando percebeu que queria ser música?
Percebi um pouco tarde. Uma das coisas engraçadas que por vezes acontece quando crescemos com músicos é que, ocasionalmente, eles esperam que façamos tudo na vida EXCEPTO música (risos). Os meus avós pensavam deste modo, por isso só mais tarde, por volta dos meus 20 anos, é que percebi que queria fazer da música a minha vida.

Se não fosse música, o que seria?
Hm. Provavelmente, professora. Adoro ensinar. Na verdade, para além de actuar, também sou professora de música. É outra coisa pela qual sou apaixonada: ensinar outros a cantar/actuar bem.

Sempre teve o tom de soprano ou teve aulas de canto para atingir este nível?
Acho que sempre cantei como soprano, desde tenra idade. No entanto, não me lembro de ser qualquer voz em particular quando era mais nova. O nosso programa musical da igreja era extenso, mas os arranjos para o coro eram bastante simples, com todas as crianças a cantarem em uníssono ou em harmonia em duas partes. Lembro-me ainda em criança de querer adicionar mais harmonias. Pergunto-me o que pensariam os directores musicais na altura (risos)! Quanto à música clássica, comecei a estudar tarde… a minha primeira aula de voz foi aos quinze anos.No entanto, naquela altura eu não tinha a certeza se realmente queria seguir música clássica. Foi só na faculdade, quando fui convidada a juntar-me ao coro e tive aulas com um par de talentosos instrutores de voz, que me apercebi de que poderia realmente fazer algo com a música clássica, para além de a estudar só por divertimento. Acho que foi, de certa forma, uma boa maneira de me tornar numa boa músca: apercebi-me que era naturalmente boa em algumas coisas como na teoria da música, exames de proficiência, etc. Não era algo que eu queria fazer a todo o custo. Isso aconteceu mais tarde.

Quais são as suas influências? Quais são os artistas que mais admira?
Bem, a lista é muito longa. Tenho tendência para ser atraída por um tipo de cantor/compositor que não faz parte do mundo clássico, provavelmente porque é uma forma bastante honesta de espalhar a música. Por outras palavras, gosto de músicos que podem arrastar multidões com eles, uma guitarra/piano/efeitos simples e um microfone. Alguns nomes que me vêm à cabeça são Imogen Heap, Emilliana Torrini, Ani Difranco, Virginia Rodrigues, Ella Fitzgerald (especialmente o seu álbum “Pure Elle”; é incrível), Feist, Other Lives… a lista continua. Também gosto de bandas barulhentas e intensas de vez em quando, principalmente se forem de veia progressiva: Porcupine Tree, Opeth, Blindead (banda da Polónia do nosso técnico de guitarra; o álbum mais recente é incrível). Ah, e apaixonei-me por uma banda norueguesa com a qual estivemos em tourné no Outono passado: Leprous. Ainda continuo a cantar algumas das suas canções. Na música clássica, ultimamente tenho ouvido gravações antigas do Kronos Quartet, bem como Ann Sofie von Otter, Montserrat Figueras e Det Norske Solischor. Também tenho visto, ultimamente, no Youtube, alguns vídeos da Anna Netbreko. Que voz!

Tem planos para projectos a solo?
Tenho, embora neste momento esteja tudo um pouco em auto-gestão. Não sei exactamente como é que isto vai acontecer, mas adoraria começar a gravar algumas ideias que têm vindo a amadurecer na minha cabeça desde há muito. A música nos Estados Unidos é muito variada a nível de estilos… Acho que se deve em parte às diversas origens culturais existentes neste país. Torna-se uma fonte de inspiração muito interessante. Normalmente, eu quero fazer algo por ser criativo, e não necessariamente para fazer dinheiro. Para mim, é um resultado bem vindo, mas eu sinto realmente que preciso apenas de exprimir algo sobre a vida interior.

Alguém disse uma vez que “a música é um lugar de refúgio. É um santuário para o tédio e a mediocridade. É inocente e é um lugar onde nos podemos perder em pensamentos, lembranças e complexidades”. Sente a música desta forma?
Julgo que isto foi dito pela Lisa Gerrard dos Dead Can Dance, certo? Posso concordar com essa afirmação, sim. Também gostaria de acrescentar que a música pode ser uma distracção positiva no ritmo de vida mundano, e como poderia isso ser uma coisa má? É bom sentirmo-nos inspirados pelas artes criativas, e isso ajuda-nos a fazer ligações que de outra forma não seríamos capazes de fazer… em particular, refiro-me à ligação emocional que a música pode evocar. Quando vejo alguém com um sorriso feliz e enorme estampado no rosto ou com lágrimas de alegria ou de tristeza quando canto, sinto que fiz algo muito importante. Para alguns, ouvir música é a forma mais fácil de expressar os sentimentos. Como artista, eu tento nunca deixar de estabelecer comunicação a nível emocional com o ouvinte ou com outros artistas. Penso que faz com que o desempenho seja muito mais dinâmico. Li um artigo no Outono passado que liga a felicidade com a atenção ou o foco… um dos itens da lista que muitos declararam como fazendo-os mais felizes foi ouvir música. Quando alguém ouve uma música de que gosta particularmente, geralmente a pessoa é totalmente absorvida por aquele momento. Esta é uma das experiências humanas mais agradáveis. Sei que isto pode parecer anedótico para muitos, mas em grande parte é por isto que eu faço o que faço.