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Wako [Setembro 2011]

W.A.K.O, a sigla para um nome extenso, de uma já grande banda nacional de metal – We Are Killing Ourselves. Isso vai de alguma forma ao encontro com todas as superstições no que diz respeito aos grandes nomes da música, terem um final precoce?
O conceito vai mais ao encontro do instinto de auto-destruição do homem, que ininterruptamente se esmaga na tentiva de dignificar sua existência. Como banda espero que tal não se suceda, já andamos aqui há quase 10anos, passamos por quase tudo o que uma banda pode experimentar, assim sendo quero acreditar que WAKO está para prevalecer e perdurar.

No álbum “Deconstructive Essence” apresentaram-nos “My Misery”, uma balada muito bem recebida por quem vos ouve. Neste álbum mais recente, “The Road Of Awareness”, não nos invadem com nenhuma música do género. Não gostaram de gravar nesse registo?
Claro que adoramos….Mas neste álbum houve uma abordagem e uma forma de invocar totalmente diferente. Decidimos antes repartir e espalhar a melodia e o nivel de interpretação desse tema pelo album inteiro, se formos analisar intrisecamente a sonoridade deste novo album, poderemos denotar a constante harmonia e linhas melodicas em todas as musicas do disco. Pelas ideias que estamos a visionar para proximo trabalho, por certo que iremos criar composições de carácter semelhante à música ” My Misery ” .

Ao longo dos tempos, conseguiram ter percepção do aumento do público, que ia assistir aos vossos concertos?
Ao longo dos anos presenciamos evidentemente o crescimento gradual e cada vez mais diversificado do nosso público. Há cada vez mais pessoas a identificarem-se com a banda,sua sonoridade e visão.È o resultado de anos a fio a trabalhar em também nesse sentido.

Por detrás de um bom metal, existem letras profundas, que parecem sair das profundezas e se afixarem na eternidade, ou na conclusão de impossibilidade de chegar a ela, como observamos em Unconsciousness: “There’s no way to eternity, a sweet sick ilusion, this is the end come close my friend”. É essencial invocar aspectos de natureza não humana, para a conclusão de uma letra arrebatadora?
Acho toda a componente lírica de extrema importãnçia.. Sempre bebi de diversas fontes, a literatura, cinema, pintura etc.. todo o tipo de artes está bem latente em mim. Não aprecio letras que são criadas somente para glorificar a vulgaridade e para ” encher chouriços”, desculpa a expressão…Mas o músico ou interprete musical tem de entender que a Música, neste caso o metal, alternativo ou rock tem a responsabilidade de revolucionar consciencias e pedagogicamente instruir ou influenciar o pensamento social…Como a minha procura consiste em algo mais metafisico, consequentemente reflecte-se nas letras que crio, que transportam-me para uma dimensão de termo ” Fantástico ” no qual invoco e pinto essa realidade de forma cruel e abstracta. Fico com o sentimento de missão cumprida quando um seguidor ou determinada pessoa vem a meu encontro e diz ” Devido aquela tua letra, ou frase, despertou-me a curiosidade para absorver aquele ou outro tipo de literatura ” ou noutros campos artisticos. Para mim este é o melhor complemento ou reconhecimento do verdadeiro sentido da arte, despertar os adormecidos. Todos nós temos essa arma nas mãos, temos de saber utilizá-la…

Enquanto banda e exemplo a seguir para quem vos acompanha, consideram crucial elucidar matérias que acompanham no dia-a-dia, como a violência, ou até mesmo questões politicas, e se manifestarem sobre essas mesmas temáticas?
Acho que a resposta anterior responde também a esta pergunta…

Geralmente, as bandas de metal e géneros derivados, ocupam grande parte da música com espaços apenas instrumentais. O poder do metal, sendo ele tão majestoso e ao mesmo tempo tão forte, permite que se abra espaço para as pessoas reflectirem, viajarem e criarem com o decorrer da música?
Acabando por esses espaços de boas guitarradas e baterias entusiasmadas, serem uma criação do ouvinte? Sim, esses ambientes mais atmosféricos e densos, suscitam momentos únicos tanto na banda como em respectivos ouvintes…É algo que temos em conta quando criamos.Tornando ambiençias e estágios musicais de maior contemplação onde se permite que o ouvinte mergulhe num fluxo de tamanha experimentação, onde pode consumir e reflectir sobre toda a viagem sensorial, sem mapas traçados….

Conquistar espaço em território nacional, pode ser mais fácil. A inclusão da língua estrangeira, como o Inglês, nos vossos álbuns, é usada como arma, para a conquista de um mercado internacional?
Sim, todos nós sabemos que a língua universal para atingir todo o tipo de pessoas é o inglês.

No dia 3 de Março foram surpreendidos ao saber que já não iriam tocar no PA, dia em que seriam recebidos em Portugal, os Megadeth. Consideram que a falta de um esclarecimento sobre o que se tinha passado e a atenção menos pormenorizada por parte da promotora, derivou de serem uma banda não muito reconhecida, ou por estarem em “casa”?
Sinceramente não consigo dar um motivo racional, mas seja qual for o seu fundamento,sei que não se faz a nenhuma banda…tudo foi desprovido de profissionalismo da parte da promotora, que tomou uma atitude sem pensar nas consequências que provocaria tanto para a banda como para o público.

Como está a vossa agenda a nível nacional e internacional?
Os próximos concertos serão no dia 29 de Outubro no Rock da Velha Fest em Pernes, no dia 19 de Novembro no Beat Club em Leiria e está ainda por confirmar a data para o concerto no Hard Clube no Porto. Quanto ao plano internacional estamos de momento a solidificar uma tour europeia para o próximo ano.

Entre muitos dos grandes nomes da música, surgem conflitos entre membros das bandas, tendo levado inúmeras vezes, ao fim das mesmas. Consideram que isso surge com a ascensão e a grandiosidade, ou que não passa de uma falta de organização?
Compreendo que poderá acontecer por tais motivos, mas também por falta de motivação, frustração, pressão, desvanescimento da empatia entre elementos, lacunas na consolidação de objectivos comuns ou a dificuldade de os atingir..resultando numa eventual queda emocional e artistica no individuo.

Os jovens parecem cada vez mais procurar respostas às suas perguntas interiores, na arte, consequentemente, na música. Ao escreverem uma letra, reflectem sobre isso? Sobre a necessidade de transmitir algo ao público em questão, ou as letras surgem apenas de uma inspiração?
Penso que já respondo a esta questão na resposta nº4.

Com quem gostariam de subir a um palco, considerando esse, o auge da vossa carreira?
Com a Lady Gaga…eheh. Gostaríamos de partilhar um palco com Meshuggah ou Lamb of God.

Para terminar, qual seria a capa de revista, onde se gostariam de ver um dia?
Na Rolling Stone ou na Metal Hammer.