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Balanço de 2015 [por Jorge Martins]

2015 já ficou para trás e damos os primeiros passos no novo ano, que se avizinha memorável como tem sido constante na memória recente para os fãs de música movida a guitarras. No entanto, antes de mergulharmos sem retorno em 2016, fazemos uma retrospectiva sobre o que os passados 12 meses tiveram para oferecer.

O Melhor

Wolf Alice

Depois de há um ano proclamarmos a salvação do Rock britânico com o surgimento de Royal Blood e, sobretudo, Marmozets, que levaram para casa o nosso troféu de CD do ano, este ano essa honra recai de novo sobre um conjunto do Reino Unido, os Wolf Alice, que na sua estreia My Love is Cool arrebataram crítica e construíram uma sólida legião de fãs sob a forma de hinos movidos ora a Grunge cru ora a Indie de retoques Folk trazidos à vida pela voz doce de Ellie Roswell. Por aqui foram o melhor álbum de 2015 e já têm presença marcada em Julho no NOS Alive para os fãs portugueses verem o fenómeno em primeira mão.

Faixas essenciais: “Moaning Lisa Smile”, “Bros”, “Fluffy”, “Soapy Water”.

Baroness 

Depois do sucesso estrondoso de Yellow & Green em 2012, temeu-se o pior para a banda da Georgia quando um aparatoso acidente de viação deixou todos os membros da banda com cicatrizes físicas e psicológicas (a secção rítmica acabou mesmo por abandonar o grupo), mas eis que o líder John Baizley se recusou a desistir e trouxe os Baroness de volta, renovados e com uma nova energia em Purple, que não só dá asas ao lado melódico que a banda tinha vindo a apurar, como demonstra uma garra típicas de uns moços americanos que só queriam ser uma sensação do Sludge há uma década atrás.

Faixas essenciais: “Chlorine & Wine”, “If I Have to Wake Up”, “Try To Disappear”.

Bring Me The Horizon

Depois do êxito inesperado de Sempiternal em 2013 onde empurraram ao máximo os limites do Metalcore, toda a gente aceitou que os Bring Me The Horizon já eram grandes demais para o género que os viu nascer e houve uma expectativa gigante sobre qual seria o próximo passo dos britânicos. Eles, sempre imprevisíveis, responderam com That’s The Spirit, que não rejeita a sua sonoridade típica, mas renova-a com um amor cada vez maior pela electrónica e com refrões que os Linkin Park sempre quiseram ser capazes de escrever. Demora mais a habituar, mas no final reconhece-se mais um grande disco.

Faixas essenciais: “Blasphemy”, “Throne”, “Doomed”.

Halestorm

Depois de muito ameaçarem, parece que estão encontrados os grandes sucessores aos Alter Bridge no trono do Hard Rock americano. Com Into the Wild Life, editado no início de 2015, a banda liderada por Lzzy Hale entregou uma dose de canções carregadas de energia, sentimento, o q.b. de Pop sem nunca comprometer a alma rockeira do conjunto e a sua quota-parte de ganchos inesquecíveis. Para subirem ainda mais, só mesmo se não tivessem cancelado a sua presença no Vagos Open Air no verão.

Faixas essenciais: “I Am the Fire”, “Mayhem”, “Bad Girl’s World”.

While She Sleeps

Embora os Bring Me The Horizon tenham recebido elogios rasgados por se terem rompido do Metalcore, ainda há que saber reconhecer o devido mérito a quem se destaca no seu género (como prova a medalha de bronze para os Architects com Lost Together//Lost Forever o ano passado) e os While She Sleeps, que já tinham impressionado com This Is The Six, subiram ainda mais a fasquia com Brainwashed, editado no início de 2015 e que marca um novo patamar de excelência no Metalcore que parecia cada vez mais genérico e desinspirado, com versatilidade técnica a trazer uma refrescante adição à já habitual fúria de riffs desenfreados e peso desmedido do género.

Faixas essenciais: “Our Legacy”, “Torment”, “Four Walls”.

Caspian

Falando mais uma vez em bandas que definem novas fronteiras para os seus géneros, os Caspian vieram revolucionar o Post-Rock no ano passado com o seu novo Dust and Disquiet, que rompeu por entre a mediania que povoa actualmente o género com as suas melodias intricadas de cariz sempre sentimental, mas com lufadas de génio e ganchos suficientes para considerar este um dos melhores lançamentos do ano e até da década. Além disso, “Run Dry” é das baladas mais intensas que ouvimos nos últimos tempos.

Faixas essenciais: “Run Dry”, “Arcs of Command”, “Sad Heart of Mine”.

Kylesa

Além dos Baroness, este ano também os Kylesa merecem destaque pelo seu esforço com Exhausting Fire, que rompeu com os limites impostos pelo Sludge que a banda já vinha aperfeiçoando como uma segunda pele e, toado por influências de Prog e sobretudo Shoegaze (ouve-se muito The CureMy Bloody Valentine aqui), criaram um êxito que não compromete a identidade da banda e a move para a frente a toda a velocidade. Os Mastodon que se cuidem…

Faixas essenciais: “Crusher”, “Blood Moon”, “Shaping the Southern Sky”.

O Pior

Placebo

Depois de um péssimo regresso em 2013 com Loud Like Love que os fez soar cansados e genéricos e de uma passagem mediana por Portugal no ano seguinte, em 2015 os Placebo decidiram tentar uma hipótese de revitalização depois da saída do seu baterista com a gravação de uma outrora clássica sessão de Unplugged. Com tantos êxitos acumulados, nunca se esperou que o resultado final fosse tão desinspirado e banal como se apresentou, revelando uma banda que há uma década parece não ter mais para dar.

Bully

Numa altura em que o revivalismo do Grunge regado a Punk popularizado pelos Nirvana parece estar em alta, os Bully pareciam uma aposta segura com a sua estreia Feels Likeno entanto, com um punhado de melodias catchy à parte, o que entregaram foi Punk genérico e banal, sem alma ou grande interesse além da primeira audição. A passagem pelo Mexefest também não ficou na memória. Esperamos o próximo capítulo desta banda em tempos promissora.

Maybeshewill

Depois de um muito elogiado Fair Youth em 2014, os britânicos decidiram fazer uma última digressão e terminar a actividade na icónica banda de Post-Rock para se dedicarem a outros projectos. O que fica são alguns dos melhores momentos da História da música instrumental para recordar.

Funeral For a Friend

Os galeses decidiram também terminar actividades depois de uma última digressão, onde vão celebrar aqueles que foram os seus maiores êxitos, os seminais Casually Dressed & Deep In Conversation e o seu sucessor Hours, que ajudaram a definir o género do Post-Hardcore e permanecem com o estatuto de clássicos modernos mais de uma década depois. Neste caso, foi pena que depois de um gradual retomar de forma com o furioso Welcome Home Armageddon e o intrigante Conduits a banda se tenha despedido com o apenas competente Chapter and Verse, do ano passado.

Scott Weiland e Lemmy 

Duas mortes que vieram assombrar o final do ano para todos os amantes de Rock. Se no caso de Lemmy foi uma surpresa esperada, pela idade avançada e hábitos desbargados do músico (no entanto, sucumbiu para um cancro descoberto apenas dois dias antes do falecimento) que ditou o fim dos Motorhead, no caso de Weiland a surpresa foi genuína, numa altura em que o músico se orgulhava de estar ‘limpo’, apenas para morrer de overdose e pôr fim à era dourada do Grunge em definitivo.