RETROSPECTIVAS: Tool

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Os Tool são outra das bandas de culto que, apesar de apenas terem lançado quatro álbuns, se tornaram numa marca importantíssima na indústria musical, principalmente no que no metal diz respeito. A complexidade instrumental dos seus álbuns conjugada com a inteligência audaz e corajosa necessária para executar discos com um certo grau de inovação. e que pudessem representar num novo estilo musical, faz desta banda americana uma referência do metal alternativo, progressivo, heavy metal e até do rock progressivo.

Tool são daquelas bandas misteriosas e que adoram a sua privacidade, dificultando a recolha de certas informações que podem melhorar este tipo de artigos. A carreira dos Tool, apesar de pequena, é muito rica com discos diversos cuja a sua finalidade é sempre, ou quase sempre, conceptual.

A banda é principalmente reconhecida pela sua obra de arte, “Lateralus”, e também pelo seu magnífico lançamento, “10000 Days”, um dos álbuns complexos dos século XXI.

Formação, conceito e Undertow

tool_93A banda começou como qualquer outra, através de contactos e por amigos de amigos que conhecem fulano tal, que sabe cantar e tocar guitarra em condições. Os quatro membros originais, Keenan, Adam Jones, Danny Carey e Paul D’Amour sempre tiveram objectivos de entrar no mundo da música e de formar uma banda com finalidades diferentes do que, normalmente, se fazia nas décadas de 80 e 90. O grupo iniciou as suas actividades em 88, 89, tendo a vantagem de nem todos serem músicos de raiz, Keenan tinha uma formação nas artes visuais, o que se tornou muito importante para o futuro da banda e consequente controvérsia e sucesso. A imagem visual é um dado mais do que adquirido para qualquer fã do grupo americano, sendo uma vertente fundamental no prolongar do seu trabalho discográfico e, crescentemente, mais importante ao longo da sua carreira. Após muito ensaio e muitos anos a estudarem-se musicalmente, os Tool foram observados por produtoras que os admiravam pela sua audácia e criatividade, conjugado com um som muito mais pesado do que era habitual, naquela altura. Em 1992, os Tool lançam o seu primeiro trabalho, “Opiate”, um EP que ao longo dos anos foi sendo esquecido, fruto do sucesso e da clara diferença qualitativa entre “Opiate” e os álbuns que se seguiram.

Tool – Opiate (audição na íntegra)

Tool – Undertow (audição na íntegra)

1993 é ano de estreia para os Tool, ao nível de álbuns de estúdio, com o lançamento de “Undertow”, um dos mais pesados discos da banda que está claramente inspirado no heavy metal. Muitos referem-no como um lançamento metafórico e muito pessoal para o grupo americano. É igualmente um dos álbuns mais controversos e, por vezes, cruéis da discografia da banda, tendo uma temática muito gráfica e, muitas vezes, obscena. Foi uma estreia incrível, em comparação com a de outras bandas, conseguindo atingir um enorme sucesso nas trincheiras dos fãs, apesar de uma recepção mista por parte da crítica profissional que criticou a temática de “Undertow”. Após o lançamento deste álbum, D’Amour sai para dar lugar a Justin Chancellor, sendo até à data a única modificação na formação dos Tool.

Ænima e era progressiva

tumblr_ma490plp1b1qd418mo1_1280Três anos após o sucesso de “Undertow”, os Tool solidificam a sua carreira com um muito bom e progressivo, “Ænima“, que comercialmente atingiu os níveis do primeiro álbum e acabou por ser mais aceite do que o seu antecessor. A recepção foi completamente favorável com muitas revistas a concluírem que este é um lançamento muito importante para a indústria, criativo, progressivo, dinâmico e um dos mais influentes da história do metal. O álbum conseguiu melhorar os seus desempenhos, conseguindo verificar uma subida a todos os níveis, tanto lírico como instrumental, com elevados elogios para os desempenhos dos membros e excelente trabalho conceptual.

Tool – Ænima (audição na íntegra)

A banda atinge, nesta altura, o cume da sua criatividade com um álbum poderoso, eficaz, dinâmico, inteligente e cheio de intenção, conseguindo em “Ænima um dos melhores álbuns da sua curta discografia. Sendo um álbum que discute temas polémicos como a violação, sofrimento e instabilidade emocional, “Ænima é visto como um disco muito pessoal que prima pela sua conceptualidade e excelente arranjo instrumental. O disco consegue abrir as hostes de um grupo que tem a intenção de se tornar mais e mais polémico, com o decorrer dos anos, e que quer causar controvérsia e alguma destruição na crítica, com uma perspectiva muito perspicaz e polémica da sociedade e possível futuro da Humanidade.

Lateralus, 10000 Days, Hiato e futuro

Tool_-_LateralusO contínuo caminho para causar comoção no público e crítica profissional é algo que a banda continua executando naquela que é considerada a sua obra-prima, “Lateralus”. A era progressiva iniciada no álbum anterior continua, de uma forma mais proeminente com uma maior ênfase na complexidade instrumental e músicas mais longas, que aparecem mais frequentemente nos seus discos. A recepção de “Lateralus” demonstra o crescimento da banda, após “Ænima e a mudança no estilo de música que impuseram no seu som. É um álbum que não esquece a sua raiz do heavy metal, mas desta vez combina-a com o rock progressivo e metal progressivo, muitas vezes inspirada na complexidade de King Crimson, Pink Floyd e Genesis, mas adaptada a um novo tempo.

Tool – Lateralus (audição na íntegra)

Este lançamento foi um desafio a todos os intervenientes na indústria musical, sejam eles produtores, fãs ou crítica, visto ter sido complicado incutir muita da mensagem que este disco transmite, muito fruto da sua complexidade e longa duração. Incluindo os canais de televisão que se viram em problemas para poder transmitir os vídeos resultantes deste lançamento.

10000DaysCinco anos após o lançamento de “Lateralus”, sai para as lojas “10000 Days”, outro álbum envolto em polémica, antes do seu lançamento, com diversos rumores de como seria composto e qual o género que iria englobar. Novamente, a necessidade de a banda se manter ’em segredo’ e possuidora do seu próprio espaço falou mais alto, divulgando detalhes na altura que o grupo achou necessária.

“10000 Days” recebeu, novamente, uma recepção favorável apesar de a opinião generalizada (e pessoal) de que é um álbum inferior, qualitativamente, ao seu antecessor. Tem uma forte conotação pessoal e com muito do que o grupo (sobre)viveu ao longo da sua vida, com as faixas “Vicarious”, “Jambi”, “The Pot”, “Wings For Marie”, “10,000 Days” e “Right In Two” a merecerem maior destaque, apesar da forte tendência conceptual que o disco apresenta. O talento da banda é demonstrado, de novo, com grande foco para a manutenção da complexidade instrumental que o grupo sempre fez questão de demonstrar. A bateria e a guitarra são as duas maiores secções instrumentais do álbum, que à semelhança do antecessor potencia a vertente dinâmica e criativa de uma das melhores bandas de todos os tempos.

Em 2008, a banda sai para um hiato indefinido, desaparecendo das luzes da ribalta, apesar dos rumores constantes de um regresso. A saída de um quinto álbum é ainda uma miragem, apesar do regresso às tours, em inícios de 2016. Foi dado como certo o seu lançamento em final de 2015, passando posteriormente para 2016 e subsequentemente a divulgação de rumores de que, afinal, o álbum podia já não ser lançado. Independentemente do que aconteça, Tool marcou a indústria da música pela sua arrogância e coragem musical, compondo discos audazes e complexos com muita inspiração nos clássicos, mas com um aroma a novo. Apesar de vencedores de três Grammy, a banda nunca se vendeu e contínua a ser tão polémica como sempre foi. Esperemos que, brevemente, mais um álbum saia para as lojas e que possa deixar de ‘queixo caído’ os fãs e a crítica.