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10 Years – From Birth to Burial

É difícil pensar que já passaram 10 anos desde The Autumn Effect, álbum de maior impacto dos 10 Years que se diferenciou do género Nu Metal que reinava na altura com a sua estética atmosférica e ainda assim pesada q.b., tornando-se na obra-prima da banda que desde aí tem acentuado o seu lado mais pesado, nem sempre com sucesso.

Se Division foi uma excelente sequela para o CD de 2005, mesmo perdendo as suas nuances etéreas em prol de um som mais metaleiro, mas os seguintes Feeding The Wolves Minus The Machine na sua tentativa de acrescentar Groove e fúria aos riffs, perderam em identidade o que ganharam em peso, pelo que as expectativas para From Birth to Burial eram mistas.

Por um lado há que aceitar a verdade: já passou uma década, o beija-flor de Autumn Effect já não volta e Jesse Hasek já cortou as rastas que lhe adornavam a cabeça, mas é agradável ver que a banda fez um esforço para recuperar a sua identidade neste álbum, mantendo a sua faceta metaleira mas cedendo nalguns preciosos momentos de pura beleza atmosférica que quase lembram Post-Rock.

“Miscellanea”, single de apresentação do disco, combina com sucesso o tão almejado peso apoiado no Groove Metal dos poderosos riffs com um lado mais melódico prestado pela voz sempre em forma de Hasek, abrindo assim o apetite para o resto do álbum.

Há aqui um claro flirt com o Nu Metal, seja mais (“Triggers and Tripwires” é uma excelente homenagem a Deftones) ou menos (aquele rap na faixa-título dificilmente engana) bem conseguidos, misturando-se até no próprio ADN da banda que proveio desse género e não mostra medo de o celebrar ocasionalmente, como se pode ver na agressivamente bela “Crimson Kiss”, dos melhores momentos do disco.

Existem também tentativas de agradar aos fãs mais antigos que vêm reclamando da faceta gradualmente mais pesada dos 10 Years, seja através de momentos pseudo-delicados que encaixariam perfeitamente em Division como a fantástica “The River” ou baladas semi-assumidas, que ora resultam na lindíssima “Luna” (“So now I see/you’re free from me” ilustra um regresso a letras mais maduras e menos banais que tinham marcado os registos anteriores), ora na insípida “Survivors?”, havendo ainda a destacar a magnífica “Moisture Residue”, faixa final que encerra From Birth to Burial a chave de ouro.

Resumindo, depois de uma série de registos mais pesados e também mais banais, os 10 Years mostram um óptimo regresso à forma, recuperando a sua identidade mais sonhadora sem comprometer o peso que têm vindo a ganhar.