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Samsara Blues Experiment [Novembro 2013]

«Não dizemos quando, mas vamos voltar»

Samsara Blues Experiment, só o nome diz tudo: este quarteto germânico prima pelas raízes no blues, pela panóplia de influências, mas essencialmente pelo stoner. Confessos aficionados de bandas como Black Sabbath ou Pink Floyd, a sua sonoridade faz-nos rumar até aos áureos anos 70. Nos concertos são de poucas palavras, fora deles nem por isso. Não gostam de multidões. Preferem os palcos mais pequenos para poderem sentir as vibrações, a essência, a audiência. A pretexto da “5th Anniversary Tour”, os alemães passaram pelo Porto, para um concerto único. A Rock n’Heavy não só esteve lá, como ainda conseguiu uma entrevista exclusiva com o baterista Thomas Vedder e o guitarrista Hans Eiselt.

Então ficaram satisfeitos com o concerto? E que tal o público?
Thomas Vedder (TV): É incrível tanta gente ter vindo ao nosso espetáculo, especialmente porque é… segunda? Ou terça? Não tenho bem a certeza… Em tour, é sempre difícil recordar o dia.
(risos) Quarta…
Hans Eiselt (HE): Ah.. Quarta? É sempre bom relembrar o dia do concerto. Ora, mas sim é um local agradável e a plateia era espetacular. Estou realmente impressionado por tanta gente ter aparecido, sobretudo a meio da semana.

“Wating For The Flood” é o vosso terceiro e mais recente álbum. Pelo que me tenho apercebido, têm recebido boas críticas. Ansiavam este tipo de feedback? Corresponde às vossas expetativas?
TV: Sim, eu estava à espera disto. É isso mesmo. Porque nós escrevemos material muito bom. A faixa título do álbum então… essa é a minha favorita.

A sério?
TV: Sim, até porque nós levamos algum tempo tanto a escrever, como em estúdio. Por isso, estou sempre à espera de boas críticas. Mas, na verdade, não deixo de estar um pouco impressionado.

Então, podemos dizer que este é o teu preferido?
TV: Hmmm, o meu favorito?! Oh, é difícil decidir. Em todos os álbuns, há sempre algumas canções de que realmente gosto muito.

Ora, devo admitir que o “Long Distance Trip” é o meu favorito…
TV: Ai Sim? Pois, a maioria das pessoas diz-nos isso.

Foi o primeiro e introduziu-me à vossa música, por isso…
TV: Penso que esse é o problema de todas as bandas. Quando se produz, pela primeira vez, um material tão especial, depois torna-se mais difícil fazer um álbum melhor que o primeiro. É sempre assim!

Hmm. Então, “Long Distance Trip” estará sempre aí para vos ‘ensombrar’? Estou a brincar, estou a brincar. (risos)
TV: Não sei, mas espero que não. Talvez, Samsara Blues deva tentar fazer álbuns de maior duração. “Long Distance Trip” é o mais extenso com, salvo erro, 66 minutos; enquanto os outros têm apenas 45 minutos ou algo assim. Portanto, para a próxima vamos fazer um disco duplo… Não, não! (risos)

Podem sempre tentar. De facto, quando ouvi “Waiting For The Flood”, pela primeira vez, apetecia-me mais. É bom. É mesmo. (risos)
TV: (risos) Oh, mas podes sempre fazer replay. (risos)
Sim, há sempre essa hipótese. Mas, voltando às perguntas… Na Alemanha, que outras bandas de stoner gostariam de destacar? Por exemplo, também gosto de Kadavar.
HE: Colour Haze! Pessoalmente, é uma das minhas bandas de stoner preferidas. Acho que são muito, mas mesmo muito bons. Arrasam! Especialmente, ao vivo!
TV: Bem, eu gosto imenso de My Sleeping Karma.
HE: Sim, sim. Eles são bons! Além disso, há outras bandas underground.

Será que se pode afirmar que existe uma onda de stoner oriunda da Alemanha?
HE: Não exatamente. Oh, talvez possamos dizer isso. Talvez. Mas só mesmo um pouco.
TV: No stoner seremos sempre underground. É bom que assim seja. Precisa de ser assim. Precisa de ser underground. Nós estamos sempre a encontrar e fazer amigos nos concertos. É bastante agradável. Podemos falar sempre com os nossos companheiros, mesmo em tour. Penso que quando o espetro é maior não existe esta atmosfera.
HE: Porque é demasiado comercial. Então, há demasiada gente a vir aos concertos, só porque sim.

E o que acham deste gradual interesse em torno da música stoner?! Não sei, parece que nos últimos tempos têm aumentado não só os fãs, dentro do género, mas também as bandas. O stoner está a atrair cada vez mais atenções, certo? Stoner is kicking ass?
TV: Yeah! Stoner is kicking ass! Está a arrastar mais pessoas. Por um lado, isso é bom. Mas, por outro, pode ser mau. Se crescer em demasia perder-se-á a envolvência, o ambiente.
HE: É bom ser underground! (risos)
TV: Eu cá acho que concertos com o tamanho deste, no Porto, estão ótimos. Não precisa de ser maior.

Hmm… Vocês não gostam de multidões em excesso…
HE: Não! Nós precisamos de estar em palco e sentir as vibrações que o stoner tipicamente emite. Em grandes palcos, por exemplo nos estádios, isso não acontece. Não consegues sentir.
TV: Eu preciso de tocar em espaços pequenos. É perfeito para o stoner, para o som…

Mudando a temática da conversa e voltando, de novo, aos vossos trabalhos. Quando vocês estão a pensar num novo álbum, que tipo de coisas vos inspira?
TV: Penso que as nossas influências interiores advêm de tudo: do que há de novo no stoner, mas também nas sonoridades dos anos 70. Aliás, penso que as maiores bandas de sempre são dessa década. Por exemplo, Jethro Tull, não é stoner, é progressive eu sei. Mas nós também vamos buscar algo à essência do prog rock, falo de nomes como Man (um dos meus grupos de eleição).
HE: E Pink Floyd, Pink Floyd!!!
TV: E também em bandas de hard como Led Zeppelin, claro… e Black Sabbath.

Pentagram também, certo?
TV: Certíssimo! É um grande nome. São muito bons.

Tal e qual como eu previa, já suspeitava que essas fossem as vossas influências. Mas o vosso processo criativo é mais calculista ou espontâneo? Pensam demasiado na produção de um álbum? Ou, simplesmente, alguém tem um click, uma ideia, começam a escrever e vão para estúdio gravar algo?
TV: Muitas vezes estamos sentados algures, no estúdio… Se algum riff ou som dá-nos uma ideia, simplesmente fazemos um jam, damos-lhe um pouco disto e daquilo e o resto é magia; a música vai-se desenvolvendo mais e mais até culminar em algo concreto.

Quem é a principal mente criativa das letras?
TV: Todos, mas acho que o Chris (vocalista) é o grande compositor. Porém, cada um de nós põe um pouco de si nas canções. Mas é sempre um processo moroso. Acho que precisamos de umas quatro ou cinco semanas para ter um novo tema, ou algo assim.

Sim, estou a ver onde vocês querem chegar. Mas, para terminar, matem-me esta curiosidade: pretendem voltar a Portugal?
TV: Não dizemos quando será, mas vamos voltar!