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Kittie – I’ve Failed You

Hello Kittie! Não! Não vamos comentar aqui a nova colecção Outono/Inverno da famosa gatinha japonesa. As gatas que motivam estas palavras não têm qualquer semelhança com a personagem anime e acabam de mostrar as garras com “I’ve Failed You”.

O quarteto oriundo de Ontário, no Canadá, merece, desde logo, uma nota de apreço pelo facto de, ao contrário de outras bandas que palmilharam os mesmos caminhos do metal, KITTIE manteve-se sempre fiel à sua sonoridade e com a mesma postura sem nunca terem enveredado por um estilo mais comercial, daí que o novo álbum continue com a velocidade e peso em alto débito.

O álbum abre com o tema homónimo “I’ve Failed You” onde Morgan cola o ponteiro no vermelho com aqueles growls brutais e ríspidos ao bom estilo death, sendo que musicalmente combina ainda sonoridades thrash, com a guitarra em bom plano, e sem espaço para grandes exibições de virtuosismo, há excepção de um curto solo. Em seguida, “We are The Lamb”, o primeiro single, confirma este início musculado, adicionando alguma dose de revolta a uma componente lírica mais sombria e intimista do que em trabalhos anteriores. Tara McLeod na guitarra puxa pelos galões e mostra que tem as garras bem afiadas. “Whisper of Death” apresenta um motivo recorrente em KITTIE, o contraste guturais/vocais limpos, este facto, apesar de aumentar o factor melódico torna a música mais downtempo e menos dinâmica depois de um início muito directo e agressivo. “What Have I Done” com a sua toada arrastada, riffs pesados, e até pelo timbre de Morgan lembra o “som de Seattle” e bandas como Alice in Chains e Soundgarden, particularmente no refrão: “Oh What have i done?/ Oh, a setting Sun”.
Os momentos centrais do álbum são ocupados por “Empires” (Part 1 e 2), o primeiro é um instrumental de guitarra acústica e serve como intróito para “Empires Part 2”, o novo single do álbum, e que, nas palavras de Morgan, funciona como “segunda metade, mais enraivecida, de uma ideia com duas partes. A primeira parte é a serenidade acústica antes da tempestade, enquanto que Part 2 é o furacão na sua máxima força. O tema está relacionado com a ideia de um grande império e com o facto de como a história nos ensinou: mesmo os maiores e mais poderosos impérios acabarem por ruir e desaparecer irremediavelmente.
Em “Empires Part 2” a alternância guturais/ vocais limpos acaba por resultar melhor do que em temas anteriores e a guitarra em destaque com um dos melhores solos do álbum.
A não perder também o vídeo que apresenta a banda numa interpretação poderosa do tema. Depois de “Come Undone” continuar na senda do contraste melódico/ brutal, “Already Dead” volta a mostrar a banda naquilo que faz melhor: Morgan puxa da bagaceira que lhe passa nas cordas vocais e arranca guturais até ao final, os riffs são pesados e a percussão bem ritmada. “Never Come Home” podia fazer parte das playlists actuais, visto que nesta música é bem evidente que Morgan tem trabalhado os vocais limpos numa tentativa de os aproximar da qualidade indiscutível dos growls. Um tema que privilegia os aspectos melódicos e que não deixa de demonstrar que a banda se sente confortável em diversos registos.
“Ugly” é um dos melhores temas do álbum, visto que combina a dose certa de melodia e agressividade, privilegiando sempre a vertente brutal, mas mesclando-a com breves apontamentos melódicos. “Time never Heals” é um final lento e pleno de melodia, ritmicamente compassado, mas com fervorosos lampejos de guitarra solo em estilo progressivo.

“I’ve Failed You” demonstra a maturidade desta banda de veteranas que ainda não atingiram sequer a fasquia dos trinta e já têm lugar reservado no panteão do metal, mas que podem ascender a lugares cada vez mais elevados, na medida em que, como acontece a um bom vintage, o tempo passa, mas elas ficam cada vez inebriantes.

Análise de Rui Carneiro