free website stats program

Mastodon – The Hunter

Vivemos numa altura de considerável estagnação a nível de bandas de metal que consigam formular um som próprio e não o emprestem da trend actual, o que vemos desde a composição até à própria produção dos álbuns. Muito deste impasse se deve à restrição que as bandas colocam nelas próprias regras de sonoridade por quererem inserir-se num determinado género ou por simplesmente toda essas bandas procurarem conseguir ser uma outra banda mais antiga e idolatrada da mesma maneira. E depois surgem bandas como Mastodon.

O quarteto de Atlanta mostra-nos mais uma vez que não tem medo de assumir uma identidade própria, longe de sucumbirem a modas passageiras. São apelidados usualmente entre o sludge e o stoner com um gosto pelo progressivo. Rótulos à parte, o som chave da banda está presente por inteiro neste último registo. Mas é necessário desde já chamar a atenção que este trabalho afasta-se de Crack the Skye (2009), pois não é álbum conceptual. O baterista Brann Dailor descreveu o álbum como “a super-heavy Led Zeppelin”. Compreende-se o porquê desta descrição já que a banda toma um caminho na composição mais simples, embora ainda haja componentes progressivos. Não se interprete mal a palavra “simples” aqui, já que tecnicamente estão melhores que nunca. A forte química da banda e a sua maturidade nota-se muito. Sabem completar-se uns aos outros, soam orgânicos, o que para o estilo deles é essencial. Dito isto, consideremos então a qualidade das músicas em si.

Desde a primeira faixa, Black Tongue, que nos apercebemos não só que a estrutura da composição é mais simples, como foi dito, mas que a banda soa mais pesada, com maior acentuação nos riffs e mais acelerada que no álbum anterior, é muito mais reminiscente dos trabalhos mais antigos. Em Curl of The Burl, encontramos uma estranha sensação quase pop, tanto na estrutura como no padrão vocal. O riff que conduz a música dá a sensação de que ouvimos uma versão metal de uma simples canção pop rock. Os vocalizos no pré refrão e o próprio refrão da música tornam-se incómodos rapidamente.
Esta sensação não se voltará a repetir, mas ainda assim, com as estruturas simples das músicas, por vezes a banda cai em soluções demasiado óbvias, pelo menos demasiado óbvias para uma banda que nos habituou a um estilo mais progressivo. Mas será um problema menor, dado que músicas como Octupus Has No Friends e All The Heavy Lifting vivem dos poderosos refrões e da proficiência técnica da banda, chamando principalmente a atenção para a bateria. Outras músicas de destaque são Stargasm e The Hunter, onde a banda volta mais ao registo sonoramente amplo do albúm anterior que chega ao auge em Creature Lives, que é aliás uma música única nos Mastodon, assumidamente ambiental.

Em conclusão, este é um disco que irá satisfazer os fãs de Mastodon, e poderá ser um ponto de partida para quem quiser começar a ouvir a banda. Apesar do desvio na composição e infelizmente, por vezes, na qualidade das músicas, a banda continua, na sua essência, com o mesmo som de proporções cósmicas marcado por excelência técnica. Assim, para quem já não gostava, dificilmente este novo registo irá ajudar a captar a atenção a quem não aprecia. Caso contrário, vale efectivamente a pena.

Texto por Pedro Pereira