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Korn – The Path Of Totality

Os KORN acabam de lançar “The Path Of Totality“, décimo álbum de uma carreira pautada por altos e baixos, mas sempre imbuída de uma dose de experimentalismo, facto que há data do lançamento do álbum homónimo “Korn”, em 1994, os colocava na vanguarda da então florescente cena new metal.

“The Path Of Totality” prometia ser um álbum polémico que não deixaria de suscitar opiniões divergentes, visto que cedo se percebeu o rumo que a banda prometia tomar neste novo trabalho, elevando a fasquia da fusão entre géneros a um nível superior. De facto, os KORN seguiriam por caminhos tortuosos que ultimamente conduziram outras bandas de renome a destinos bastante inóspitos e desoladores. No entanto, no momento em que ouve o tema inicial do álbum, “Chaos Lives In Everything”, percebe-se que “The Path Of Totality” combina a linguagem heavy com os ritmos mais electrónicos sem desvirtuar a identidade da banda, promovendo uma simbiose convincente entre o metal e o Dubstep.

Para este álbum, os KORN convocaram vários produtores ligados à música electrónica. Não sendo uma opção muito original, visto que outras bandas heavy seguiram esse caminho (Aborym é um óptimo exemplo), é, no entanto, uma opção de risco. Davis estava ciente disso e chegou a afirmar: “I want to trail-blaze. I want to change things. I want to do things we’re not supposed to do. I want to create art that’s different and not conform to what’s going on. We didn’t make a dubstep album. We made a Korn album”. Ou seja, aquilo que se pretende é uma deslocação ao longo do fio da navalha e para o conseguir há que tomar uma atitude iconoclasta e experimental, desprezando a abordagem convencional para criar um factor de distanciação em relação às expectativas do público. A colaboração com um dos nomes mais sonantes da emergente sonoridade Dubstep, o Dj Skrillex, será a mais preponderante no álbum, no entanto, para elevar o índice de experimentalismo há ainda lugar para nomes como Excision, Datsik, Noisia, Kill the Noise e 12th Planet.

Avançando para o que verdadeiramente interessa, quando ouvimos Davis vociferar por cima da percussão programada de “Chaos Lives In Everything” acompanhado por riffs pesados, sente-se que este é um álbum de KORN e não apenas um acumular de remixs electrónicos. Os momentos iniciais convidam a colocar o volume no máximo com a participação de Skrillex a moldar o poderio heavy aos ritmos electrónicos. “Kill Mercy Within” tem a participação dos holandeses Noisia, originários do drum&bass, mas actualmente também alinhados ao Dubstep. Este é um tema de construção mais linear, pleno de electricidade, mas atmosférico e com um travo a NIN. “My Wall” volta a pedir mais volume nas colunas e a sonoridade é doentia, distorcida e claramente em consonância com a componente lírica, demonstrando que há aqui um trabalho de fundo logo no início do acto criativo, levando a que a composição convoque para a sua matriz os elementos electrónicos em vez de estes surgirem apenas como um mero pastiche.

Ao quarto tema, “Narcissistic Cannibal”, desespera-se porque as colunas já não conseguem debitar mais volume e este é o melhor KORN que se ouve desde há já algum tempo. Liricamente contagiante, este seria um tema para despoletar o caos durante uma actuação num recinto fechado. Impossível não deixar o corpo movimentar-se em harmonia com os ritmos convulsionados e vibrantes, facto que também se deve ao regresso de Skrillex agora acompanhando por Kill the Noise. Em “Illuminati”, Davis mostra-se empenhado na sua prestação vocal e apesar de o tema nunca chegar a descolar verdadeiramente, até porque ainda estamos impregnados da polifonia do tema anterior, há aqui alguma plasticidade rítmica que apenas parece pecar pelo facto de a música terminar rapidamente e de forma abrupta. “Burn the Obedient”, “Sanctuary” e “Let’s Go”, apesar de não entrarem no rol dos melhores temas do álbum, têm pelo menos o mérito de não parecerem deslocados neste universo musical.

Agora que fizemos fast-forward até “Get Up!”, reencontramos KORN e Skrillex, e estamos noutra dimensão, a dinâmica é explosiva e o tema vibra de energia com beats, vocais e riffs a digladiarem-se selvaticamente num duelo alucinado e psicotrópico. “Way too Far” traz para a arena os 12th Planet e mescla a vocalização mais hardcore do refrão com elementos melódicos, convocando a dose certa de assertividade heavy e harmonia electrónica. “Bleeding Out” parece algo dissonante com a sua intro ao piano seguida por elementos etéreos que não serão alheios à participação de Feed me. Um dos temas mais melódicos e experimentais incluídos em “The Path Of Totality”. A edição especial culmina com duas faixas bónus: “Fuels the Comedy” é uma incursão musculada ao rap metal patrocinada por Kill The Noise, enquanto que o epílogo “Tension” volta a colocar a nota na dimensão mais experimental.

Concluindo, os KORN em “The Path Of Totality” cumpriram a linha programática que haviam estabelecido para este trabalho e fizeram-no de forma quase irrepreensível. O álbum apresenta uma avultada diversidade e é fácil encontrar aspectos positivos mesmo para aqueles que não são fãs da banda ou do género. Por último, resta realçar que a simbiose KORN/ Skrillex resulta de forma magistral, sendo nesses momentos que “The Path Of Totality” merece nota mais elevada.