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Scar For Life – 3 Minute Silence

Os Scar For Life são um projeto com créditos firmados no universo do metal nacional, recorde-se que Alexandre Santos fundou a banda em 2008.

Movimentando-se na senda do rock/metal melódico, aquilo que carateriza o som dos Scar For Life é a busca pela diversidade musical, quer seja através de riffs mais ácidos e enfáticos, quer pela exploração de sonoridades diáfanas, cristalinas e etéreas, mas, sempre, profundamente emotivas.

Gravado no início de 2012 no Pressplay Studio, este álbum conta já com a participação do baterista João Colaço (ex-More Than a Thousand) e Leonel Silva na voz. De facto, a banda enfrentou algumas alterações em termos de formação desde “It All Fades Away”, mas esse fato parece não ter importunado o processo criativo, na medida em que este “3 Minute Silence” parece afirmar-se como um trabalho bem revelador da maturidade deste projeto.

“3 Minute Silence” abre com a ilusão do registo acústico, mas subitamente, o martelo de Thor rasga o céu plúmbeo e a atmosfera enche-se com eletricidade estática, “Last Crow” voa através da fímbria sonora, resumindo as notas mais marcantes da sonoridade refrão. “Metabolic” é um portento de energia, um hino hard/rock. Depois surgem momentos como “White Shades”, um misto de agressividade e doçura, onde a nota delicodoce que se contrapõe de forma cativante ao tom assertivo do vocalista. O instrumental acústico, “Interlude 1948”, abre caminho para uma feroz “Burn it All” com Kari Vähäkuopus (CATAMENIA), mas, em seguida “Before de Storm” instala-nos novamente na vertente mais melódica da banda, acentuando-se o virtuosismo lírico e enfatizando a singularidade de cada instrumento, com especial destaque para a guitarra. “One More Day” é a balada mais delicada, diáfana, etérea e encantatória do álbum e o violino de Anne Vitorino d’Almeida é a pedra de toque para a criação dessa atmosfera, tornando-se sublime na forma como interpreta e explora a vocação intimista da canção. “3 Minute Silence” e “The Journey” enfatizam o poder da voz de L. Silva e colocam o mote na intensidade das guitarras e numa percussão dos “Scar for Life”, sendo de realçar a qualidade lírica do trepidante. “Old Man” traz de volta o violino de Anne e demonstra bem a versatilidade da voz de L. Silva, visto que o formato acústico, despido de artifícios, suscita uma abordagem mais limpa em termos de vocalizações. “Brave Enough” traz, nos teclados, o britânico, Ged Ryland (ex-Ten) e é o momento escolhido para puxar pelo gutural e pelos riffs mais céleres e pesados. Com uma notável prestação de L. Silva a aproximar-se do registo de Bruce Dickinson, destacam-se também as diatribes entre voz e guitarra e o protagonismo dos teclados. O epílogo oferece uma versão instrumental de “One more Day”, encerrando um álbum que pela diversidade lírica e musical convida a audições reiteradas, que certamente não deixarão indiferentes todos aqueles que procuram uma conjugação harmoniosa entre sonoridades mais extremas e melodia.

Texto por Rui Carneiro