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a Jigsaw – No True Magic

Os conimbrenses a Jigsaw regressaram 3 anos depois com um novo álbum de estúdio, No True Magic, que reflecte sobre questões relacionadas com a mortalidade e como lidar com ela.

O som da banda nacional torna-se difícil de definir com cada música nova, havendo uma identidade no meio de uma miscelânea de Blues, Country e Folk bem definida e que junta o encanto despido de um Tom Waits ao espírito narrativo de Leonard Cohen por entre vozes arrastadas e sombrias que poderiam ser provenientes da garganta de Mark Lanegan.

Como devem notar pelas influências referidas, este CD não é um disco luminoso, antes pelo contrário, alimentando-se de escuridão e melancolia, como se pode ver pela espantosa faixa-título que abre o registo, numa pseudo-balada negra e crua que nos arrebata de imediato.

No entanto, nem tudo em No True Magic se passa em câmara lenta, como se pode ver pela animada “Black Jewelled Moon” em dueto com a americana Carla Torgeson dos Tindersticks alimentada por um violino irrequieto e um banjo dedicado que, sem perder emoção ou intensidade, chama o corpo para o “bailarico”, tal como o folk gingão de “Gates Of Hell”.

Apesar disto, é a tecer o negrume que os a Jigsaw brilham verdadeiramente, seja através da atmosfera quase de cabaret que conseguem tecer de forma deslumbrante em “Without the Prize”, da quase medieval “Tides of Winter” ou da minimalista “Bring Them Roses”, alimentada a piano e emoção de forma arrepiante.

Nem tudo em No True Magic é sem falhas, como se pode ver pela excessivamente narrativa “Midnight Rain”, mas tudo isso é esquecido quando se ouve o portento folk com ecos de Gospel que é a final “Hardly My Prayer”, a faixa mais completa e sublime de todo o álbum.

Desta forma, No True Magic é um álbum de impor respeito para os a Jigsaw, que na sua mistura de Folk, Blues e Country nunca perdem o rumo nem a emoção e nos brindam com um disco que encontra a sua alma no minimalismo e na simplicidade despida de forma abismal.