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Aeon Sable [Heaven’s Club, Porto]

O Heaven’s Club, no Porto, recebeu uma das suas maiores enchentes dos últimos tempos, e não deixava de ser expectável: por um lado, a atuação dos alemães Aeon Sable era motivo de romagem por parte dos entusiastas de goth rock, e por outro, o regresso dos Secrecy aos palcos, após paragem forçada.


Cedo se percebeu que o Heaven’s iria ser pequeno naquela noite. Segundo a organização, 115 pessoas, fora as bandas, preenchiam todos os recantos, e mesmo o palco era claramente insuficiente para os Secrecy, sexteto do Porto, que só com os teclados de João Ramos e a bateria de Rui Azevedo, preencheu quase todo o espaço, sobrando lugar apenas para o guitarrista Pedro Ferreira. A solução passou por ocupar o dance floor, ficando o baixista Manuel Magalhães e o guitarrista Roger Campos num patamar inferior, mas com o bónus de ficarem completamente junto ao público. Quanto ao vocalista Miguel Ribeiro, cantou sentado na beira do palco, ele que recupera de doença prolongada e que obrigou a um hiato de um ano por parte da banda. Se o corpo ainda não lhe permite uma atuação de pé a tempo inteiro, a voz, essa, mantém-se grave e bem capaz do repertório trazido para este regresso, que iniciou (apropriadamente) com “New beginning”, e incluiu, por entre referências à família e agradecimentos a quem o acompanhou neste período difícil, temas como “Shadows fall”, “The cry of silence”, “Falling” e “Wonderful life”, versão hi-octane do tema de Black, de 1987. A fechar, outro título apropriado: “Perfect day”.


A plateia estava “incendiada” depois dos Secrecy, e foi neste estado que viu subir ao palco os aguardados Aeon Sable. Com uma invulgar produção discográfica (contam quatro álbuns desde a sua fundação, em 2010), a banda que mantém um pé em Essen e outro no Porto, pôde contar com a fluência na língua portuguesa do vocalista Nino Sable para estabelecer um contato mais próximo com a assistência, mesmo que, intermitentemente, a comunicação fosse feita em inglês. Contudo, o início da performance foi tudo menos recomendável, havendo problemas de som que obrigaram a banda a fazer “restart”, sendo que não levou mais que uns instantes a que tudo estivesse resolvido. A promover “Visionaers”, o seu novo álbum, a banda não esqueceu os seus trabalhos anteriores, juntando em cerca de hora e meia, temas como “Aequinoctium”, “Secret Flower”, “Agnosia”, “At The Edge Of The World”, “Algorithm of None“, “Dancefloor Satellite“, “Praying Mantis”, e os novos “Visions”, “Star Casualties” e “A Serpente e o Andarilho“, tema escrito em colaboração com a poetisa Luiza Nilo Nunes. Se os três instrumentistas em palco, Jo, Quoth e o mentor Din-Tah Aeon (com t-shirt dos Fields Of The Nephilim, as referências estavam à vista…), se mantiveram compenetrados na sua interpretação, não havendo lugar a grandes extroversões, o mesmo não se pode dizer, de todo, do frontman Nino, que protagonizou uma atuação muito expressiva, e até dramática, mas não dispensando uma ou outra pausa, como por exemplo, para fazer o seu próprio cigarro. Quanto ao público, rendeu-se de corpo e alma, e pedia sempre mais: os dois encores previstos pela banda não foram suficientes, pelo que se impôs a reinterpretação de “Visions”. Já a caminho das quatro da manhã, a assistência não mostrou sinais de abandonar o recinto, prolongando-se a festa pela madrugada fora, como é habitual no Heaven’s Club.


Fotografia e Texto: João Fitas
Agradecimentos: Heaven’s Club