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Sangue Lusitano – Caravela

Os Sangue Lusitano são uma banda jovem. De facto o projecto eclodiu durante o ano de 2013 como Fénix renascida das cinzas dos Feedback, nome pelo qual ficaram conhecidos nos meios televisivos nacionais. Como o talento não se mede aos palmos os adolescentes cresceram e agora estão de volta aos meandros musicais mais maduros e com renovada determinação e fervor, “com uma vontade de criar músicas originais e de transmitir sentimentos através destas.”

Este primeiro registo, Caravela é fruto dessa vontade indómita de expressar a “alma lusa” e esses sentimentos tão próprios da gente portuguesa como a esperança ou a saudade. Assim sendo os Sangue Lusitano apostam no Rock instrumental para homenagear o nosso passado grandioso e os feitos dos Descobrimentos, facto que é visível não apenas no título escolhido – Caravela – mas também no “artwork” e nas próprias músicas.

Apostados em singrar contra ventos e marés no convés desta ‘Caravela’, os Sangue Lusitano neste álbum de estreia levam-nos numa viagem, ora melodiosa, ora atribulada, pelos meandros do Rock e da música heavy em geral.

Logo a abrir temas como “1143” ou “Viagem” expressam bem a natureza polifónica da música dos Sangue Lusitano com várias circum-navegações melódicas e rítmicas. “Caravela” com os solos coruscantes de Pedro Lopes e o pulsar do baixo de Francisco Vala é um dos temas mais cativantes e intensos do álbum.

Mas há também momentos de ataraxia como “Ilhas Afortunadas” em que a música abranda de forma propositada para que possamos vogar por paisagens mais oníricas.

Depois surgem composições mais “groovy” como “Descoberta” e “Terra Nova” em que a nossa atenção se desvia da presença insidiosa da guitarra, que é a tónica dominante em Caravela, para nos precipitar no revolteio das cordas do baixo que, de forma subtil, cimenta o húmus da composição. Neste último aspecto, “Nativos” é particularmente acutilante com Vala e Tiago Lopes na bateria a darem boa conta da componente rítmica e assumirem uma influência cada vez mais influente na tecitura musical.

O álbum oferece-nos também momentos mais heavy e acutilantes como “Cabo das Tormentas”, tema particularmente enérgico e tumultuoso que expressa bem o conceito aqui retratado. De facto, esta é a primeira música de uma trilogia que se completa com “Adamastor” e “Boa Esperança” e a banda consegue ilustrar de forma primorosa a ideia de superação do desconhecido presente em todo o simbolismo desses nomes míticos. Coragem e valor são os pilares de um povo e os valores que a música professa, à medida que as notas desfilam intrépidas pelas cordas.

Depois da bonança vem a “Tempestade” e com ela o epílogo da viagem desta Caravela. O álbum fecha com chave de ouro e a natureza mais metal está de volta, visto que os músicos arregaçam as mangas para debitarem aquilo que lhes vai na alma uma última vez de forma resoluta e determinada em granjear um espaço próprio no panorama musical nacional.

Análise de Rui Carneiro