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Anarchicks [Julho 2014]

Foto de capa © Chill Okubo @ BBX

As ‘riot girls’ lusas Anarchicks, que em 2012 editaram o EP, Look What You Made Me Do, e recentemente álbum de estreia, Really?!, têm percorrido os palcos nacionais durante este ano de 2014, sendo aclamadas pelos fãs mais acérrimos do Punk Rock nacional. Em breve, vamos encontrá-las no Festival Bons Sons. Mas enquanto não chega esse momento, estivemos à conversa com elas e aqui fica o resultado dessa entrevista:

Antes de mais, muito obrigado pela entrevista. Depois de terem estado na página de “Divulgação Nacional” da Rock N’ Heavy em 2013, passaram por um ano que decerto deve ter sido inesquecível, com a edição do vosso primeiro álbum e concertos partilhados com alguns dos maiores nomes da música actual; no entanto, as Anarchicks parecem não querer abrandar e segundo o facebook da banda, já andam a preparar um novo cd. Como é que este último ano vos influenciou no processo?
Olá olá, obrigado por nos entrevistares 🙂
O ano de 2013 e o ano presente têm sido muito animados e agitados, cheios de emoções fortes! Tivemos a oportunidade de levar a nossa música para fora de Portugal e tocar em Espanha, França, e Alemanha. Estivemos no Le Tetris, na Normandia, num festival curado pela Peaches e partilhámos palco com a mesma – foram dois dias de muita animação e inspiração… Estivemos no La Machine do Moulin Rouge, no dia internacional da mulher, e foram sempre concertos esgotados (ou quase), onde fomos muito bem recebidas com gente ao rubro!! …e em Portugal temos sentido cada vez mais que existem pessoas que nos apoiam e vibram com o nosso som. Por isso, e porque a chama está dentro de nós, continuamos a compor, claro, e estamos diferentes, mais “crescidas”, unidas e coesas. Iniciámos o projecto dos “B-sides”, um “miminho” para os nossos fãs, com músicas que achamos interessantes registar e lançar, sem ser em formato de álbum, e estamos a trabalhar no nosso segundo álbum, esse sim, o nosso orgulho e o estandarte daquilo que andamos a sentir ultimamente. Temos um single já com um video bem fora que vai sair ainda este ano e estamos em estúdio, com o produtor Rui Maia, alguém cujo trabalho admiramos e seguimos há imenso tempo, e esperamos começar o ano de 2015 em grande, com esse mesmo trabalho cá fora. Até lá, muitos concertos, e surpresas!

Really?!, o álbum de estreia, foi muito bem recebido e visto como uma lufada de ar fresco no pop rock nacional. Estavam à espera dessa reacção? E o que podemos esperar do seu sucessor?
Sinceramente não sabíamos bem o que esperar! Desde que a banda “nasceu”, a criação de música e a necessidade (óbvia) de tê-la gravada surgiu, logo gravámos com poucos meses de existência o primeiro EP, e pouco tempo depois gravámos o primeiro álbum. Foi uma surpresa ter tudo corrido tão bem e de repente estarmos no palco principal de um dos maiores festivais nacionais (SBSR 2013) a dar um concerto para milhares de pessoas!
O sucessor do “Really!?” (que já tem nome mas vai permanecer segredo só mais algum tempinho heheeee) é uma nova fase. É diferente, mais maduro, mais elaborado e crescido. Estamos a ficar MUITO satisfeitas com aquilo que está a crescer, e quase, quase a nascer. É Anarchicks, é o mesmo sangue quente e espirito, mas diferente. Já não somos adolescentes, somos mulheres.
O que veremos de Anarchicks em 2014? Quando poderemos ter alguma música nova para “matar a sede”?
Em 2014, além dos diversos concertos e festivais que temos feito, será lançado o primeiro single+videoclip do nosso segundo album. Entretanto, já estamos a mostrar (bastante) material novo, nos nossos concertos, e orgulho-me de dizer que o feedback tem sido muito positivo 🙂

Como já foi referido, também tiveram um ano em cheio em termos de concertos; qual foi o ponto mais alto para vocês ao vivo e porquê?
Não conseguimos dizer qual o ponto mais alto, talvez os pontos mais altos tenham sido:
2013 – Palco principal do festival SBSR ao vivo para milhares de pessoas
2013 – Setembro no festival Europa-Sur – o primeiro concerto fora de Portugal, e o primeiro com a Marta Lefay na voz, com uma carrinha que avariava cada vez que se parava, muitas peripécias, muito calor, stress e diversão.
2014 – Sem dúvida, um ponto muito alto para mim (Synth), foi tocar no Le Tetris, na Normandia, com a Peaches em palco connosco a fazer uma cover de Beatles.
2014 – Estar na sala de concertos FANTÁSTICA do Moulin Rouge, no dia Internacional da Mulher, a dar um concerto para uma sala esgotada de gente em delírio com o nosso som.

O Punk nas Anarchicks parece estar mais presente na atitude “riot grrrls” do que na postura clássica de activismo através da música (uma espécie de Clash em vez de Sex Pistols), onde definir-vos apenas como Punk parece redutor. Alguma vez se sentiram pressionadas para fazer música mais política pela vossa associação ao movimento Punk?
Sem sombra de duvida, mas talvez mais pela parte do “público” e não tanto pela parte de colegas músicos que respeitamos e admiramos, porque talvez esses nos compreendam… Para nós, o “punk” não é um estilo de música, ou ter meia dúzia de letras a criticar X ou Y, é uma atitude. É uma questão de sentir e fazer algo sobre isso.
É muito fácil (infelizmente) nos dias que correm – porque há muito para dizer – pegarmos em temas actuais e fazer letras nesse sentido, criticar o (des)governo quer no nosso País, que a nível mundial, falarmos de questões humanistas, etc, e todas nós gostamos e apoiamos várias bandas que gritam em plenos pulmões mensagens políticas bem claras e definidas.
No entanto, achamos que a nossa música e atitude falam por si mesmas… Manifestamos o que sentimos através de atitudes, nas entrelinhas, e por estarmos e fazermos aquilo que temos de fazer e que faz sentido para nós. Estivémos, por exemplo, no Arraial Pride este ano, mas não temos nenhuma musica que fale explicitamente de homossexualidade e da comunidade LGBT ou da (falta de) direitos e discriminação.
Mesmo assim, o nosso segundo álbum, em termos de letras, é muito mais directo e nem sempre a metáfora está presente… Aguardem e ouçam 🙂

Tocaram recentemente no Arraial Pride Lisboa, considerado o maior evento LGBT do país. Quão diferente é actuar num evento desse género, que não é apenas causa de celebração, mas também uma ocasião de ponderação social e de modernização de ideais, que são, afinal, “mantras” do Punk?
Esta pergunta acaba por se encadear com a nossa resposta anterior. 🙂
As Anarchicks tiveram um prazer IMENSO de actuar no Arraial Pride, para um Terreiro do Paço cheio de pessoas. Consideramos que a nossa presença é a nossa maneira de, dum modo mais eficaz do que ter uma letra a dizer não à discriminação, ou a criticar todo este zum zum ridículo sobre a co-adopção de crianças pela parte de casais homossexuais, demonstrar a todas essas PESSOAS que estamos com elas e as apoiamos. Somos todos Humanos, somos todos PESSOAS, queremos TODOS o mesmo, creio eu, que é descanso e amor.

Num país que tem mais de 100 festivais agendados para este ano, quão relevante pensam que seja a presença do Bons Sons, onde irão actuar em Agosto e que aposta sobretudo na divulgação de música portuguesa?
Estamos a esfregar as mãozinhas e a fazer contagem decrescente para o evento! Ainda bem que existem mais de 100 festivais agendados para este ano. Sendo este um Festival muito bem falado por todos, com uma relevância já muito significativa onde ainda nenhuma de nós participou, estamos ansiosas por partilhar os nossos Bons Sons convosco!

Este festival aposta numa combinação entre nomes old school (veja-se Sérgio Godinho, por exemplo), valores seguros da música portuguesa actual como Noiserv ou Capicua e ainda nomes emergentes como First Breath After Coma ou as próprias Anarchicks. Pensam que este ecletismo na escolha do cartaz contribui para o sucesso e a expansão que o Bons Sons tem vivido?
Sem duvida, é uma festival que, por juntar nomes tão variados, vai juntar uma panóplia de pessoas de diferentes idades/estratos/gosto. Logo, achamos que é uma boa aposta, e estamos felizes por ter sido escolhidas para estar em tão bom “ramalhete de sons” 😀
Dito isto, é obrigatório perguntar: para além do vosso concerto, que actuações vos parecem imperdíveis este ano?
Não faço a mínima ideia. Mas vamos lá estar a ouvir tudo o que conseguirmos!

A vossa atitude “riot grrl” é algo que vos acompanha no dia-a-dia ou uma personalidade que apenas vos transparece na música? Como são e o que fazem as Anarchicks quando não estão em cima de um palco?
É tudo encenado. Somos donas de casa e analfabetas, porque inteligência e beleza não misturam. Participamos em blogs anti-feministas porque achamos que é ridículo existir feminismo nos dias de hoje, e achamos que é fixe ser objectificadas. E somos homofóbicas e anti-aborto. NOT!
As Anarchicks são quatro mulheres que, quando não tocam, têm lugares activos na sociedade, nomeadamente somos: uma neurocientista, na busca do avanço da Ciência e da medicina; uma neuropsicóloga, porque as drogas são boas, mas ainda são melhores quando usadas para ajudar pessoas que merecem saber que “pensam, logo existem”; uma médica veterinária, porque os animais são nossos amigos e valem mais do que muitos humanos; e uma copywriter, que escreve e inventa muito desses slogans que vocês dizem e repetem todos os dias.
São mulheres que se recusam a crescer, que se recusam a ser “haters”, e que lutam pelos seus sonhos e sabem o que querem. São divertidas – porque a moda de ser sério já passou – e fazem o que acham que devem fazer. Somos nós.

Tendencialmente, as entrevistas podem ser algo redutoras e abordar reiteradamente os mesmos temas. Mas inspirados pela vossa irreverência pedimos que pensem numa pergunta que nunca ninguém vos ousou colocar e que nos deixem a vossa resposta!
Nunca nos perguntaram se as críticas nos incomodavam. A resposta é não. E ainda bem que incomodamos gente o suficiente para se darem ao trabalho de falar mal 😀

Finalmente, gostariam de deixar uma mensagem para os muitos fãs que estarão a ler esta entrevista na Rock N’ Heavy?Obrigada pelo vosso apoio, mantenham-se atentos que temos música nova e novidades mesmo a sair do forno! Venham aos concertos, contactem-nos, toquem! LET’S GO!