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Anathema – Falling Deeper

Para quem ainda sonha ver os Anathema regressar ao espectro doom chegou a hora de acordar, porque isso simplesmente não vai acontecer. Os irmãos Cavanagh pairam agora num universo bem diferente, onde vagueiam entre um ambiente cósmico e atmosférico. “Falling Deeper”, o seu mais recente trabalho, é a prova viva disso mesmo.

Neste disco, a banda debruçou-se sobre alguns dos temas mais emblemáticos dos primeiros anos de carreira, dando-lhes agora uma nova aura. A ideia em si não constitui nenhuma novidade, afinal já em “Hindsight” (2008) o grupo britânico tinha feito algo semelhante, ao conceber novas interpretações de músicas como “Fragile Dreams” e “One Last Goodbye”. Mas as semelhanças ficam-se por aí.
Para além de ser um ‘resgate’ de algumas canções mais antigas, “Falling Deeper” apresenta-as de uma forma quase irreconhecível. Se gostam de música atmosférica e acima de tudo de um bom desafio, então este álbum foi feito a pensar em vocês. “Falling Deeper” não é um álbum fácil, podendo custar a entrar. Nem é tão vibrante como o antecessor “We’re Here Because We’re Here”, mas tem a capacidade de nos transportar para um lugar distante… Onde experimentamos um pouco de solidão, mas não num mau sentido, estamos ali sós tendo como única companhia os nossos sentimentos e a música como pano de fundo.

Uma música relaxante, embaladora, que nos leva a ‘mergulhar profundamente’ numa sensação de serenidade, um escape à loucura e superfluidade do quotidiano. O álbum abre de uma forma apetitosamente bem ornamentada, ao som de “Crestfallen”. Esta faixa na sua versão original tinha mais de 22 minutos, mas em “Falling Deeper” surge com apenas três, ainda assim manteve-se a melodia inicial.
À semelhança do primeiro tema, também outros foram alvo de significativas alterações a nível de tempo, como “Kingdom” ou “They Die”. Em “Everwake” poderemos encontrar um ligeiro toque medieval que nos transporta imediatamente para uma outra atmosfera, onde somos embalados pela doce voz da conceituada Anneke Van Gierbskern. A participação da alemã é um dos pontos alvos de interesse neste álbum, porém esta canção deveria prolongar-se mais tempo, três minutos fica a saber a pouco.

“We The Gods” aparece sob forma instrumental. Em “Falling Deeper” o melhor ficou guardado para o fim, “Sunset Of Age” foi o tema escolhido para encerrar o álbum. Nesta canção Vincent Cavanagh faz-se ouvir pela primeira e única vez em todo o disco, é o tema mais entusiasmante do álbum e o único que não fugiu muito à sua versão original.

Não considero “Falling Deeper” um dos melhores álbuns de Anathema, mas no seu conjunto é um trabalho interessante. Embora preferisse ouvir a voz de Vincent Cavanagh e mesmo de Lee Douglas mais vezes. No fundo este disco é uma viagem ao passado da banda, mas feita tendo em vista o futuro e sobretudo o momento presente da sua sonoridade. Já agora se o grupo de Liverpool quiser brindar os fãs portugueses com mais uma visita em 2012, então força.

Análise de Filipa Santos Sousa