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Antemasque – Antemasque

Afinal de contas, Rodriguez-Lopez seguiu em frente com os seus Bosnian Rainbows e o seu companheiro aventurou-se por territórios “pseudo a solo” com os Zavalaz, pelo que o anúncio da formação dos Antemasque, em conjunto com o baterista Dave Elitch, também ele ex-membro dos Mars Volta e Flea dos Red Hot Chili Peppers no baixo, foi surpreendente, com a apresentação do seu álbum de estreia, homónimo, poucos meses depois da formação do grupo.

Se há coisa a que as pessoas estão habituadas é a esta dupla desafiar todas as convenções da música rock com o seu som inovador, ora re-definindo o Punk nos At the Drive-In, ora explorando como ninguém desde os Pink Floyd os limites do psicadelismo e da experimentação nos Mars Volta.

Portanto, é sem surpresas que os Antemasque se dedicam mais uma vez a esta causa, e como? Respeitando o formato “canção” e criando o cd mais acessível de sempre da dupla americana. Confusos? É natural; mas a verdade é que neste álbum, a banda se dedica a quebrar os preconceitos associados ao seu experimentalismo e “avant-gardismo” de “vidas anteriores”, criando uma sonoridade entre o rock progressivo e o Punk, com uma energia que soa típica, sem deixar de ser o mais próximo de Pop que eles já estiveram.

Não que o álbum seja constituído por músicas “açucaradas” e de digestão fácil (a excepção é “50.000 Kilowatts”, que é também a faixa mais fraca), mas é rara a música que excede os 4 minutos e, a definir, os Antemasque aproximam-se mais de uns At the Drive-In cruzados com clássicos incontornáveis do rock (Led Zeppelin vem de imediato à memória nas guitarradas ora funk, ora sensualmente latinas, com muito Punk pelo meio de Rodriguez-Lopez) e soam bem.

Seja em momentos de maior energia, como na contagiante “4AM” logo a abrir o cd, ou na puramente Punk “In the Lurch”, ou em escapismos mais etéreos, como na sublime “Momento Mori”, os Antemasque parecem ter sempre o seu “volante” bem direccionado, apoiados num Cedric Zavala com uma voz rasgada (mas controlada) nunca antes vista a confirmar a sua extrema versatilidade técnica (aqueles gritos em “Ride Like the Devil’s Son” não são para todos) e num Omar Rodriguez-Lopez contido (no bom sentido), mas sem medo de explodir quando a canção assim o pede (o solo de “People Forget“ é prova disso) que são quase garantia imediata de qualidade, comprovados com um álbum em geral bastante sólido e com momentos de genialidade a remontar a uns seminais At The Drive-In de Relationship of Command.

Há ainda espaço para uma balada poderosa, “Drown All the Witches”, que ainda assim soava melhor no EP quando estava mais “despida” e psicadelismo ao estilo de Noctourniquet em “Providence”, a meio caminho entre a nostalgia e o banalismo, que mostra que, embora confiantes na energia do seu som, os Antemasque não estão aversos a experimentar outras “peles”, mesmo algumas que remetam para o seu passado recente.

Desta forma, no seu álbum de estreia homónimo, os Antemasque soam enérgicos, mas ao mesmo tempo controlados e fazem-no bastante bem, rompendo com o passado dos seus membros ao mesmo tempo que o usam como inspiração… O conceito soa estranho? Soa, mas isto é Zavala e Rodriguez-Lopez a fazerem o mais próximo que alguma vez farão de um cd Pop e fazem-no muito bem; e se há algo a que estamos habituados com estes dois é alguma excentricidade e isso perdoa-se facilmente.

Análise de Jorge Martins