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Ash is a Robot – Ash is a Robot

Os Ash is a Robot são mais um dos casos sérios do underground português que merece ser mantido debaixo de olho, isto porque são mais uma das bandas com provas dadas, ainda antes da edição de um álbum; ganharam reputação pelas suas actuações enérgicas e, agora que editam o primeiro cd, homónimo, tentam transmitir em estúdio essa energia e ecletismo que lhes é reconhecido ao vivo.

Incluídos no movimento do pós-hardcore, este colectivo parece inserir-se mais na onda liderada por At The Drive-In (reconhecido por eles como uma influência), que usa o Metal apenas para dar uma base às músicas, privilegiando antes os ganchos melódicos e as abordagens distintas à sua sonoridade.

Something Something Darkside”, que abre o cd, é apenas uma das muitas referências que existe no registo ao nosso universo da cultura pop actual, apesar de ser uma enganadora faixa de pós-hardcore mais convencional.

Mas basta esperar uns minutos e o ecletismo vem de imediato ao de cima, com “Karma Never Sleeps”, que promete “estourar” ao vivo a assumir-se como melhor faixa do álbum; mas, com a melhor música logo ao início, isso implica que os Ash is a Robot não têm mais nada para oferecer?

De todo; “Coraline”, pela sua alternância entre ritmos mais melódicos e enérgicos, com um refrão viciante, ou “Crazy 88’s”, uma faixa que vai sempre em crescendo até à explosão no refrão, são mais exemplos de músicas que cativam neste álbum.

Curiosamente, é mesmo quando “tiram o pé do acelerador” que os Ash is a Robot produzem os melhores resultados, explorando mais a sua faceta experimental, ao invés de optarem pelas tonalidades hardcore genéricas, que se começam a tornar aborrecidas. Um bom exemplo disso mesmo é “Moravia”, uma faixa com contornos de electrónica que ganha em peso o que perde em velocidade, algures entre o dubstep e os The Prodigy, mas sempre a soar pujante e brutal, como se quer.

Por outro lado, quando a banda decide explorar o seu lado mais convencional, os resultados nem sempre convencem: veja-se “Close Encounters of the Third Kind”, ou “Money” (onde nem faltam os típicos coros), que, apesar de não serem más canções, soam a algo já feito mais que gasto; bem melhor se sai “Bowling for the Doublecheese”, que, sem sair muito de contornos já conhecidos, tem energia de sobra para conquistar.

Na ausência de qualquer balada (numa óptima jogada da banda, evitando assim cair no cliché), as músicas mais calmas e mais emotivas são o épico de duas partes “Philophobia”, que deveria ter sido escolhido para encerrar o álbum, pois eleva demasiado a fasquia para a recta final de “Money” e “Mark My Words”, que não consegue corresponder à(s) excelente(s) faixas.

Dito isto, é seguro dizer que os Ash is a Robot passaram com distinção neste duro teste que o seu primeiro cd representa, entregando-se de forma desinibida às suas influências e conseguindo grandes momentos, sobretudo quando se deixam levar pelo seu lado mais experimental.