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At The Gates [Entrevista | Novembro, 2014]

Para todos os que viveram o incremento na cena death metal melódica, no início dos anos noventa do século passado, os At the Gates eram verdadeiros paladinos das sonoridades mais extremas. Mas entretanto, a banda entrou num hiato sem fim à vista, até que a 21 de janeiro de 2014, após concertos em 2012 e 2013 que incluíram uma passagem pelo VOA, surgiu no Youtube um enigmático e distorcido vídeo com o número 2014. Dias depois, a 27 de janeiro, era anunciado o novo álbum, At War With Reality.

No rescaldo do lançamento de AWWR conversamos com o baixista Jonas Björler que, com bom humor à mistura, nos fez algumas confidências e ainda mostrou recetividade a uma passagem da banda por Portugal no futuro próximo.

O que podes revelar sobre AWWR, mais concretamente, sobre o principal tema lírico do álbum e as motivações para este regresso surpreendente, após 19 anos de ausência?

Bem, acho que é um disco bastante profundo e sombrio, e de facto tentamos criar um sentimento épico composto por múltiplas camadas tanto ao nível da música como das letras. A inspiração lírica fundamenta-se nos romances do realismo mágico de autores espanhóis / sul-americanos, como Borges. Esse estilo literário coaduna-se perfeitamente com o clima da música.

Quem é “o inimigo às portas” nesta guerra com a realidade?

Eu acho que a percepção da realidade é o verdadeiro inimigo. Com este registo, desafiamos os ouvintes a verem além das “verdades” e “realidades” do quotidiano e tentarem apreciar esta nova abordagem em torno da música death metal.

A Century Media foi uma escolha óbvia quando chegou a hora de assinar com uma editora?

Sim, nós somos realmente bons amigos e eles ajudaram-nos muito desde 2004, quando fizemos rEVOLVEr com The Haunted.

Vocês foram pioneiros do “Gothenburg-style” melodic death metal e apesar do hiato dos At The Gates, continuaram profundamente envolvidos na cena metal. Qual é o “status” da cena metal em Gotemburgo atualmente?

Eu não tenho ideia de como esteja a cena metal em Gotemburgo, mas sei que há imensas bandas de metal underground, surgindo em toda a Suécia como Tribulation, Miasmal, Morbus Chron.

Em 19 anos muita coisa mudou no mundo da música, logo temos um par de perguntas sobre isso:

Podes esclarecer-nos sobre as principais diferenças entre escrever e gravar uma obra-prima dos anos 90 como Slaughter of the Soul em comparação com uma opus do século XXI como AWWR?

AWWR foi composto usando, principalmente, o Cubase, logo estavamos sempre a enviar demos de músicas pela Internet, por isso a grande diferença desta vez foi mesmo o facto de não ensaiarmos tanto juntos como costumavamos fazer.
Acho que o software de gravação multitrack é uma ferramenta excelente para nós músicos nos dias de hoje, quando vivemos tão afastados uns dos outros.

Em termos de produção musical, achas que as mudanças foram realmente para o melhor ou, como é alvo de paródia no South Park, atualmente é basicamente tudo em modo “Auto-Tune”?

Nós ainda gravamos tudo como costumavamos fazer, logo não há qualquer batota para os ATG.

O que tens a dizer sobre a alegada “revolução” dos U2 / Apple no processo de lançamentos discográficos, houve diversas censuras de músicos e Bono dizia que os críticos eram todos hatters? Como imaginas o futuro dos lançamentos musicais?

Acho que haverá um grande crescimento nos lançamentos de música via streaming.

Agora, com o lançamento de AWWR, todos os fãs aqui em Portugal estão ansiosos por um concerto? Há contatos de promotores portugueses? Será que nos visitam se surgir essa possibilidade?

Estamos a falar com promotores neste preciso momento e espero que possamos ter alguns concertos aí em breve.

Se te pedisse para trocarmos de papéis e fazeres uma pergunta a ti próprio (que ninguém fez ainda), qual seria e será que podes responder?

Gostas de perguntas como esta? Sim, gosto 😀

Finalmente, gostarias de deixar uma mensagem a todos os vossos fãs portugueses?

Por favor, ouçam o nosso novo álbum, estamos muito orgulhosos dele – e esperamos que vocês também gostem.

Entrevista por Rui Carneiro
Foto: ©Ester Segarra