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Baroness – Purple

Quando em 2012 os Baroness editaram o seu esmagador êxito duplo Yellow & Green, ninguém adivinharia que o ano seria de desastre em vez de consagração para a banda de Savannah.

Envolvidos num aparatoso acidente de viação, os americanos saíram com mazelas físicas e psicológicas nas quais resultaram este hiato de 4 anos, a substituição da secção rítmica e uma incerteza quanto ao percurso da banda no futuro.

Mas eis que John Baizley, vocalista e líder do grupo, se pronunciou sobre a importância da sua arte enquanto mecanismo de defesa e de cura e da reabilitação dos males deixados por esse incidente surge Purple, o novo álbum dos Baroness e, mais que isso, o seu melhor esforço de sempre.

Se no registo anterior o conjunto parecia querer romper com as suas raízes Sludge para abordar um som mais melódico e próximo do Prog, revelando dotes vocais desconhecidos até então de Baizley, bem como uma sensibilidade quase Pop muito bem-vinda na sonoridade da banda.

Caso o acidente não tivesse ocorrido, a tendência seria talvez de um aveludamento cada vez mais pronunciado da banda, mas a verdade é que neste novo álbum ocorre uma fusão entre o seu lado mais sensível e psicadélico com momentos de pura explosão e peso que remetem para Blue ou até mesmo a estreia Red.

“Morningstar” abre o registo em grande, com um riff furioso cortesia do sempre impecável Peter Adams, que permanece em grande forma ao longo de todo o disco (o seu trabalho em “Chlorine & Wine” é qualquer coisa de espectacular), balançando perfeitamente o peso e melodia que traz à memória a encarnação mais recente dos Mastodon.

E, trazendo então o Sludge à baila, há aqui momentos deliciosos para os fãs da faceta pesada dos Baroness, com a fúria dos riffs de “Desperation Burns” ou o ataque quase Punk de “Kerosene” a deixarem marcas.

No entanto, como já há pelo menos meia década que os Baroness são muito mais que meninos bonitos do Sludge, há aqui o desejo de largarem de uma vez amarras das restrições impostas pelo seu género como muitos dos seus pares (o registo brilhante dos Kylesa deste ano vem-nos à memória pelo psicadelismo), dando asas à sua vontade de experimentar, resultando em momentos assertivos de rock eficaz como a viciante “Try To Disappear” com o seu refrão inescapável, ou a beleza etérea de “If I Have To Wake Up (Would You Stop The Rain)”, uma power ballad brilhante que encerra os momentos líricos mais emocionantes do álbum, remetentes do acidente que marcou toda a concepção do disco (“Kill the lights/There’s something wrong with today/This isn’t me, this is on you/All I can say, all I can do is wait“).

Momentos fracos? Também os há, como na demasiado açucarada “Shock Me” que nada acrescenta ou no desapontante final “Crossroads to Infinity” que serve como outro inconsequente, mas Purple é uma experiência tão assombrosa que é fácil esquecer esses “tropeções” num disco que vê os Baroness renascer das cinzas onde receávamos que permanecessem e mostra um regresso mais forte que nunca e um desejo de re-invenção que só pode augurar algo de bom.