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Beck – Morning Phase

Se esquecermos a principal vaga de rock nos anos 90, o Grunge, existe um nome que se destaca acima de qualquer outro no rock alternativo dessa era: Beck, o homem que sozinho revolucionou a música folk juntando-lhe elementos de hip-hop que o tornaram famoso e aberto a misturas de vários géneros, umas vezes positivas, outras nem tanto.

No entanto, falhanços à parte, Beck sempre conseguiu manter o respeito dos seus pares e da indústria, pelo que após Modern Guilt, álbum de 2008 que o mostrava num registo mais próximo da folk tradicional, a sua ausência de cerca de 6 anos (excepto em termos de produção, onde foi bastante prolífico com outros artistas) deixou um “vazio” na música alternativa que apenas o próprio veio preencher, em 2014, com a edição de Morning Phase, que afirma ser o sucessor do seu êxito de 2002, Sea Change.

Basta esperarmos pelo final de “Morning” para nos apercebermos que este não é o mesmo Beck eclético de “Loser”, que reinava por entre rap, folk e humor negro; motivada por problemas de saúde, separações e o simples facto do envelhecimento do artista, esta personalidade do músico apresenta-se mais contida e intimista, recorrendo à acústica e ao reverb na voz onde antes pautavam os versos ácidos e os samples.

Apesar disto, está longe de haver uma razão para alarme; como já se tinha verificado em registos anteriores, esta atitude fica tão bem a Beck quanto os seus momentos mais irreverentes, bastando para isso escutar as delícias que são a delicada “Heart is a Drum” ou a fabulosamente tradicional “Blue Moon”, que fez as honras de single de estreia do álbum, sem esquecer ainda a beleza acústica de “Don’t Let it Go”.

Apesar de seguir um registo mais contido e próximo da folk tradicional, Morning Phase ainda guarda espaço para algumas músicas menos óbvias, mas não menos fantásticas, seja através de um romance breve com o country em “Say Goodbye” (o banjo nunca soou tão bem!) ou do momento extraordinário que é “Waking Light” balada de piano que encerra o disco da melhor forma, sendo que nesta zona mais experimental apenas a enormidade de “Wave” parece desinspirada e demasiado longa para o que oferece.

Desta forma, sem revolucionar todo o paradigma musical, como fez em tempos, Beck apresenta na mesma um cd fantástico, que é melhor do que Sea Change a todos os níveis, carregando na melancolia e introspecção, mas sem sacrificar a acessibilidade e beleza do álbum, que mais não seja, é um registo exemplar de folk com que muitas “bandinhas da moda” poderiam aprender.