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Behemoth – The Satanist

“I saw the virgin’s cunt spawning forth the snake.”

The Satanist será sempre acolhido com enorme satisfação por todos os fãs dos Behemoth (que temeram pelo fim quando foram divulgados os problemas de saúde de Nergal).

No entanto, as trompetas devem soar um pouco por todos os cantos do universo do metal extremo, porque de facto The Satanist é uma opus fulgurante na sua natureza opressiva e tenebrosa.

O álbum abre inclemente com o single apocalíptico, “Blow Your Trumpets Gabriel”, hino herético e maleficente que convida o ouvinte a entrar nesta celebração negra e sabática. De facto, o tema destaca-se no seio do álbum pela sua textura intrincada e múltiplas camadas sonoras que causticam os sentidos de forma inebriante, intuindo os múltiplos elementos que surgirão ao longo do disco.

Segue-se o estrépito causticante de “Furor Divinus”, ode negra e selvática e dilacerante que revela uns Behemoth imbuídos de renovada agressividade e acutilância.

A próxima, “Messe Noire”, tira um pouco o pé do acelerador e aposta no brilhantismo da execução com longos solos próximo do epílogo, denotando uma composição cuidada e aliciante. Os mesmos requintes de malvadez, finamente recortados em filigran musical, ouvem-se em “Ora Pro Nobis Lucifer”, imprecação raivosa e infernal.

“Amen” continua a apostar no blasfemo lirismo das trevas, sendo que a percussão e os “blast beats” raivosos marcam o final de um tema rápido e agressivo em termos de vocalizações.

O raivoso e profano tema título “The Satanist” volta a abrandar o ritmo, apostando nas vocalizações para melhor transmitir aquilo que se diz e nos solos de guitarra que conferem novas dinâmicas musicais. Uma reflexão existencial e filosófica que vai muito além do domínio musical para explorar os meandros mais negros da “psyche” humana.

“Ben Sahar” é um dos momentos mais agressivos e raivosos do álbum sobretudo devido às vocalizações viciosas, cuspidas com mórbido desprezo. Sem dúvida um dos temas mais relevantes do álbum a par da seguinte, “In The Absence Ov Light”, que abre logo em máxima rotação com altas doses de brutalidade, sendo que os interlúdios melódicos convidam à contemplação e introspecção, introduzindo uma nota ímpar no conjunto de The Satanist e fazendo deste um dos momentos apoteóticos e mais cativantes do álbum.

O panegírico de Lúcifer culmina com a longa ode “O Father O Satan O Sun!”, plena de dramatismo herético e paixão blasfema.

As expectativas eram altas, mas The Satanist consegue superá-las e ainda no dealbar de 2014 conquista certamente um lugar de relevo no panteão das opus musicais que marcarão o universo do metal extremo durante este ano.

Análise de Rui Carneiro

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