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Besta [Dezembro de 2012]

Os Besta juntaram-se há apenas meia dúzia de meses, mas nem por isso são uns novatos das lides musicais. A banda resulta da fusão de membros de várias bandas já conhecidas do underground nacional, e é dona de um som que é tudo menos convencional: “indecente, sujo, simples, directo, honesto e provocante”.

Aproveitando a passagem dos Besta pelo Porto, a Rock’n’Heavy esteve à conversa com Ricardo Correia e Paulo Lafaia, que apresentaram a banda e nos contaram algumas novidades do que aí está para vir.

Quem são os Besta? Apresentem-se ao mundo, falem um pouco da história da banda.
Ricardo: Sou o Ricardo Correia e estou na guitarra, ao meu lado está o Paulo Lafaia, responsável pela bateria, e somos nós os fundadores da Besta. A história da banda não é muito grande e ainda não há muito para contar; basicamente, a Besta nasceu há cerca de 6 meses. Nós tínhamos já algumas ideias pré-definidas e decidimos começar a tocar. Entretanto juntou-se a nós o Gaza (Pedro Cobrado), que faz parte de bandas como Men Eater e If Lucy Fell, e essa foi uma escolha natural: ele é um bom baixista, um bom amigo… Finalmente apareceu o Pedro Roque, que também já conhecíamos de uma outra banda a que ele tinha pertencido, e resolvemos falar com ele, porque o estilo também se identificava com o nosso.
Paulo: Ele estava “parado” há já algum tempo, e nós percebemos que o perfil dele se adequava ao nosso estilo, ao género que nós procurávamos, e assim surgiu esse interesse e ele juntou-se a nós. Juntarmo-nos foi algo espontâneo… por isso é que, em apenas 6 meses de banda, fizemos as músicas, gravamos o disco, demos concertos, já estivemos em tour por Espanha…

Todos os membros de Besta fazem parte de bandas já bem conhecidas da cena underground nacional: We are the Damned, Men Eater, If lucy Fell… e cada um de vocês toca em mais do que uma banda, têm mil e um projectos paralelos. Como é que conseguem gerir o vosso tempo?!
Paulo: Sim, nós não andamos aqui há dois dias. Não é difícil, simplesmente trata-se de acrescentar mais uma banda ao nosso trabalho. De resto, é esta a nossa profissão, nós dedicamo-nos exclusivamente à música e só vivemos para as bandas…
Ricardo: …também o facto de nós os dois tocarmos nas mesmas bandas, torna mais fácil conciliarmos as coisas, mas nós temos sempre isso em consideração antes de marcar algum concerto, ou antes de irmos gravar já está tudo planeado com uma certa antecedência…

Portanto, já nem precisam de convidados especiais de outras bandas…
Ricardo: Não quer dizer que não venhamos a fazer alguma coisa com alguém que achemos interessante, ou que seja nosso amigo, mas por acaso não calhou e ainda não sentimos essa necessidade…
Paulo: Isto foi tudo tão rápido que ainda nem tivemos tempo para pensar nisso! Só tínhamos uma preocupação: fazermos o disco, gravá-lo e editá-lo! Felizmente temos tido muitos concertos, todos bons.

Relativamente ao nome da banda, ao título do álbum (Ajoelha-te Perante a Besta) e aos títulos das músicas: porquê em português? E que significado têm esses títulos?
Paulo: Já é um cliché toda a gente querer cantar em inglês; então, por que não fazermos uma banda que cante em português?
Ricardo: As letras das músicas apareceram naturalmente, assim como o próprio conceito da banda. Nas letras nós falamos de tanta coisa! De experiências pessoais, de política, de injustiça e problemas sociais… Teria que estar aqui música a música para te explicar o que cada letra quer dizer!
Paulo: Nós fizemos o disco todo sem vocalista. Só um mês antes de começarmos a gravar é que ele apareceu. Tudo surgiu naturalmente, sem um rumo certo… À medida que as coisas foram evoluindo, fomos encontrando o nosso caminho.

Mas os títulos das músicas são dirigidos a alguém ou algo em específico? “Demasiadas Cobras”, “Traidores”, “Profunda Heresia”, etc, são títulos bastante sui-generis, que denotam um certo tom de…revolta, crítica?
Paulo: A actual situação de Portugal é propícia à crítica!
Ricardo: Sim, há uma posição de crítica social e política muito marcada nas nossas letras, não é só sobre o estado actual de Portugal de que falamos; o estado do mundo, no geral, também não é propriamente o mais saudável, de maneira que isso foi uma espécie de fio condutor das nossas letras. E depois, claro, há aspectos mais pessoais nas letras, os títulos são também baseados nas nossas experiências de vida.

Quais são as vossas principais influências musicais?
Ricardo: Napalm Death e Bad Brains!
Paulo: Fomos reportar-nos à boa música antiga. Acho que as coisas antigas são mais inspiradoras, mas estão a ser desvalorizadas.

A base de onde nasceram estas bandas novas da atualidade está a ser um pouco esquecida.
Ricardo: … não quer dizer que não existam bandas recentes boas e interessantes, mas hoje em dia é demasiado fácil tu teres uma banda, os instrumentos são mais acessíveis, há a internet, há isto e aquilo… Hoje em dia, as bandas já não são tão interessantes como eram antigamente. Existem mais bandas, há mais variedade, mas tudo se tornou demasiado fácil, as bandas já não “pensam” tanto, fazem as coisas mais pela certa, não gostam de se reinventar… Mas nós, tendo por base as bandas de que gostamos (como os Napalm Death, os Bad Brains, os Razor, os Terrorizer) reinventamos o nosso som. Se tu ouvires Besta, soa a algo oldschool mas ao mesmo tempo é um som moderno também, que foi feito agora. Há muitas bandas que querem fazer uma cena à antiga e querem soar a anos 90, mas isso não faz muito sentido, até porque a tecnologia utilizada é diferente. Nós não queremos cair nesse erro, pois não podemos fazer um disco em 2012 a soar a 1991! Nós queremos criar algo baseado em 1991, mas feito em 2012, nós não queremos estar a reproduzir o que já foi feito, acho isso até um bocado absurdo… As bandas têm o seu tempo, a tua banda está aqui e agora, na actualidade, e tu tens de fazer o teu som de agora, para as pessoas de hoje ouvirem; as pessoas querem ouvir aquilo que tu estás a fazer no presente. A base é uma cena antiga, sim, mas nós queremos soar a 2012, não queremos soar a 1991! Por isso é que eu acho que essas bandas, não digo que sejam más, mas acabam por ser pouco interessantes porque tu vês declaradamente que eles querem imitar aquilo que os outros já faziam antigamente.

Novidades…? O que vem aí?
Ricardo: Neste mês de Dezembro vai sair um split em cassete com os Teething, que são uns grandes amigos nossos de Espanha. Em Fevereiro vamos editar um EP, chamado “Herege”, que vai sair em CD e em vinil de 7 polegadas. Entretanto, temos já vários concertos agendados para o próximo ano.

A reação do público à Besta tem sido positiva? O vosso som é tudo menos convencional, diferente daquilo a que o público geral está habituado…
Paulo: Até agora a reação tem sido positiva!
Ricardo: É curioso, os concertos que nós temos dado ultimamente têm sido com bandas completamente distintas da nossa, como por exemplo The Quartet of Whoah, Bruto and the Cannibals, Katabatic, e muitas outras. Isso também é algo que nós procuramos, é não haver barreiras nem divisionismos. Apesar de a Besta não ser uma banda propriamente ortodoxa… Besta não é radio-friendly, não é “agradável”, é uma coisa que custa a entender, custa a ouvir, não é de fácil audição logo à primeira, mas eu acho que isso também é interessante para as pessoas que vão ver estes concertos onde nós também estamos a tocar, porque Besta é algo que não tem nada a ver com o quotidiano delas, e é também uma oportunidade de elas experienciarem outra coisa. A nossa abordagem é uma abordagem diferente da das bandas a que o público está habituado…

Muito obrigada pela vossa disponibilidade, pessoal. E, aproveitando um título de uma música vossa, “Já foi tudo dito”! Até breve.
Paulo e Ricardo: Obrigado nós! Até à próxima.